<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283</id><updated>2012-01-09T17:11:59.944Z</updated><category term='Leitores'/><category term='Equidade'/><category term='Imparcialidade'/><category term='Agenda'/><category term='Localização'/><category term='Desmentidos'/><category term='Publicidade'/><category term='Polícia'/><category term='Insultos'/><category term='Ípsilon'/><category term='Aplicações'/><category term='Justiça'/><category term='Viagens'/><category term='Designações'/><category term='Deontologia'/><category term='Revisão'/><category term='Entradas'/><category term='Títulos'/><category term='Direito à 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editoriais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Equilíbrio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ortografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrita'/><title type='text'>Ainda o desacordo ortográfico</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;(Crónica da edição de 31 de Julho de 2011)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;wrapindent m:val="1440"&gt;&lt;intlim m:val="subSup"&gt;&lt;narylim m:val="undOvr"&gt;&lt;/narylim&gt;&lt;/intlim&gt;&lt;/wrapindent&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Cinco semanas atrás, em crónica dedicada às inquietações de alguns leitores sobre a vontade do PÚBLICO em manter-se fiel à sua anunciada recusa de aplicar as normas do Acordo Ortográfico (AO), escrevi que presumia — não o podendo saber ao certo — que boa parte dos leitores simpatizasse com a opção assumida pelo jornal. Tal presunção baseava-se, como expliquei, no facto de receber numerosas mensagens manifestando apoio à posição do PÚBLICO, ou o receio de que ela possa vir a ser alterada face à aproximação da entrada em vigor do AO no sistema de ensino e na administração pública. Em contrapartida, nunca me tinham chegado reclamações contra a fidelidade do jornal à ortografia tradicional&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Já não é exactamente assim. No próprio dia da publicação dessa crónica, escreveu-me o leitor Manuel Leal, a colocar-me, em mensagem escrita de acordo com as normas do AO, "&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;a hipótese de o PÚBLICO receber mais cartas de apoio à orientação atual simplesmente porque tem tido grande êxito em afastar todos os leitores que (...) não se reveem na histeria dos opositores ao acordo". É uma hipótese possível, mas que me parece pouco convincente. Tenho recebido por vezes cartas de leitores comunicando que tencionam pôr termo (ou que admitem fazê-lo) à sua ligação ao jornal, por um qualquer motivo de desagrado com a linha editorial ou algum trabalho jornalístico concreto, mas nunca por discordarem da posição adoptada na querela ortográfica. Por outro lado, a direcção editorial informa-me de que as reacções que lhe chegam sempre que o tema regressa com alguma força às páginas do jornal, como sucedeu nas últimas semanas, são esmagadoramente favoráveis à orientação vigente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Mas reconheço não dispor de dados seguros para dar por certo o que presumo. E considero provável que a entrada em vigor do acordo nas escolas e na documentação oficial, certamente seguida pela adesão de outras entidades à mudança ortográfica, venha a revelar a existência de leitores que por enquanto não deram importância ao tema — por pouco o sentirem no seu quotidiano —, mas que poderão então questionar a decisão tomada pela direcção do PÚBLICO. Resta saber se tal acontecerá em número significativo, se esse número tenderá a crescer (nomeadamente entre os leitores mais jovens, que irão confrontar-se com as alterações da grafia no sistema de ensino) e se a eventual perturbação resultante das diferenças entre o português escrito no jornal e o que lerão noutros suportes irá sobrepor-se aos motivos substanciais que os levaram a preferir o PÚBLICO a outros órgãos de informação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Para já, e para além do leitor acima referido — que se propôs "dar voz aos (...) que se calhar gostariam de ver o PÚBLICO adotar uma atitude mais razoável em relação ao AO" —, devo registar a reclamação que me foi enviada na semana passada por José Carlos Marques, que acusa o jornal de prosseguir uma "campanha militante" contra o acordo. Referindo-se aos artigos de opinião que têm vindo a ser publicados acerca do tema, este leitor considera existir uma "desproporção" no espaço concedido às "duas posições" em confronto, o que na sua opinião " vai além do direito que o jornal&amp;nbsp;tem de fazer campanha pelas suas opções, pois esquece a obrigação de&amp;nbsp;um mínimo de equilíbrio, como órgão de informação que é".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Em carta anteriormente enviada à direcção do PÚBLICO, e que refere não ter sido publicada, José Carlos Marques escrevera: "&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Não ponho em causa que o jornal assuma no assunto uma posição oposta à posição oficial do país (...). Intriga-me no entanto que o faça de uma forma tão passional. Um jornal não ignora que tem leitores que não se identificam necessariamente&amp;nbsp;a cem por cento&amp;nbsp;com as suas posições". E noutro passo: &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Que o jornal adote a ortografia (...) 'caducada' ou em transição, nada a objetar. Que a imponha em tudo o que é escrito pelos jornalistas do seu quadro, muito bem. Quanto aos colaboradores externos, parece abusivo que estejam sujeitos a&amp;nbsp;'pedir'&amp;nbsp;que se publique o que escrevem, como é seu direito, numa ortografia que é aquela que está em vigor". Admitindo que "o acordo tem fragilidades", o leitor conclui no entanto que "a forma como o PÚBLICO denigre a atual ortografia parece ultrapassar o razoável" e revela "sectarismo".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;O director adjunto Nuno Pacheco, que tem subscrito várias crónicas muito críticas para os defensores do AO, rebate as acusações: "&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;A 'desproporção' de que o leitor acusa o PÚBLICO nas posições face ao Acordo Ortográfico deve-se a uma coisa simples: são essas as posições que nos chegam, de leitores e comentadores. E reflecte outra realidade: é que do lado dos detractores do acordo há ainda interesse em discuti-lo, enquanto do lado dos seus apoiantes (que dão o assunto por legalmente arrumado) esse interesse só se manifesta quando os adversários vêm a público apresentar os seus argumentos". Quanto às posições assumidas pelo próprio jornal contra o AO (veja-se por exemplo o editorial do passado dia 20, em que o acordo é descrito como um "atentado" contra a língua), este membro da direcção do PÚBLICO defende que a alegada "campanha" visa apenas&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt; "&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;trazer à discussão aquilo que os defensores do AO não querem que se discuta: a sua razoabilidade e mesmo a sua legitimidade".&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;Face à acusação, feita pelo mesmo leitor, de que "os adversários portugueses" do acordo se julgam "proprietários de uma língua que há muito se escreve&amp;nbsp;em partes do universo lusófono&amp;nbsp;de maneira divergente daquela que defendem", o director adjunto responde: "O argumento não colhe. Ninguém, a não ser os assinantes do acordo, se acha proprietário de coisa alguma. Quem acha possível impor por lei o que a prática não consigna são os seus defensores. Os outros, entre os quais se inclui o PÚBLICO, gostariam de ver consignadas de forma clara as variantes já existentes na grafia da língua portuguesa, em lugar de fingir, para efeitos diplomáticos de duvidosa utilidade, que a partir de agora há uma ortografia 'comum'”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;Quanto à fórmula utilizada nos textos de dois cronistas do PÚBLICO (“a pedido do autor, este artigo respeita as normas do Acordo Ortográfico”), Nuno Pacheco explica nada ter de "abusivo", já que "corresponde à realidade": "É, de facto, a seu pedido (não tiveram que pedir, pediram e foi de imediato aceite) que tal se verifica, sem o mínimo problema". E recorda, a propósito, que no semanário Expresso, e na sua revista Atual, também se pode ler, mas em sentido inverso, que determinados cronistas escrevem "de acordo com a antiga ortografia”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;Assumindo-se como opositor à transformação ortográfica, o director adjunto do PÚBLICO questiona o que seria uma atitude “mais razoável” face ao AO, como pede, por exemplo, Manuel Leal: "Equivaleria a quê? À aceitação das regras, embora delas discordando?". Respondendo ao argumento desse leitor — que também não concorda com "alguns aspetos" do acordo, mas considera que "mesmo assim contribui significativamente para o objetivo confesso de homogenização ortográfica do espaço lusófono, que deveria ser uma prioridade estratégica para Portugal" —, Nuno Pacheco contrapõe que "esse objectivo confesso é não apenas uma impossibilidade como uma descarada ilusão". Na sua opinião, "não existe homogeneização alguma, porque mesmo com a queda forçada de consoantes mudas, acentos gráficos, tremas e hífens, é tal a quantidade de duplas grafias consentidas pelo acordo que falar-se em 'unidade' é enganar-nos a todos", dado que "o espaço lusófono já criou grafias dissonantes que vão manter-se e até mesmo acentuar-se no futuro". Pensa, por isso que, "mais do que um falso caminho de sentido único, a escrita precisava de uma via que reconhecesse claramente o caminho múltiplo das suas naturais diversidades". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;Enquanto provedor do leitor, e como já aqui expliquei, não vejo motivo para criticar a opção do PÚBLICO nesta matéria, que é legítima e transparente. No plano da opinião, adeptos e adversários do acordo têm tido espaço para argumentar e contra-argumentar nestas páginas, e mesmo uma "desproporção" favorável aos segundos é compreensível, pelas razões aduzidas por Nuno Pacheco. A distinção entre informação e opinião no tratamento do tema tem sido assegurada. Parece-me provável que a atenção que lhe é dada no plano informativo, em contraste com outros órgãos de comunicação, seja em parte influenciada pela posição contrária ao AO assumida pelo jornal — mas com isso, julgo, têm saído a ganhar os leitores, qualquer que seja a sua sensibilidade nesta matéria. E creio que, estando a aproximar-se o início da aplicação oficial da nova ortografia, com todos os problemas que lhe estão associados, será até aconselhável reforçar essa atenção. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;Se há pouco mais de um mês a direcção do PÚBLICO admitia "que ainda é possível inviabilizar o acordo", os sinais entretanto dados pela nova maioria governamental terão contribuído para retirar crédito a essa hipótese. Continuará no entanto a fazer sentido acolher um debate — político, cultural, científico — que não desaparecerá tão cedo. Não vejo motivos, por exemplo, para não ter sido publicada a carta em que o leitor José Carlos Marques criticava a orientação do jornal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;Suponho, como referi acima, que o anunciado avanço da nova ortografia no espaço público poderá tornar a sua rejeição por este jornal &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;mais polémica, a prazo, entre alguns dos seus leitores. Espero que nesse debate específico não seja esquecido que a qualidade do jornalismo não depende da opção tomada na querela ortográfica, embora dependa, evidentemente, da correcta aplicação da ortografia adoptada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;José Queirós&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: blue;"&gt;Documentação complementar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Manuel Leal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acabo de ler a sua crónica intitulada "Esta ainda não é a aldeia de Astérix", dedicada à não implementação do acordo ortográfico (AO) pelo Público. Apreciei a sua crónica e o distanciamento que conseguiu manter em relação às duas correntes de opinião, embora lamente que tenha dado eco - citando outrém, é verdade - ao espantalho da imposição legal do acordo ao espaço privado. É um disparate que não merece crédito, venha de onde vier.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Gostava de aproveitar a oportunidade para dar voz aos leitores que se calhar gostariam de ver o Público adotar uma atitude mais razoável em relação ao AO. Sou profissional da língua e como tal acompanhei as discussões sobre o acordo ortográfico desde 1985. Li muitos argumentos a favor e contra e, no cômputo geral, concluí que o acordo era um passo em frente na boa direção. Não concordo com alguns aspetos do mesmo, mas parece-me que mesmo assim contribui significativamente para o objetivo confesso de homogenização ortográfica do espaço lusófono, que deveria ser uma prioridade estratégica para Portugal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A opção do Público de rejeitar o AO, opção cuja legitimidade não discuto, foi portanto uma desilusão para mim e contribuiu para me afastar ainda mais de um jornal de que já fui leitor assíduo. Tenho pena, mas o Público transmite cada vez mais a imagem de um jornal embrechado no passado e no combate à mudança e que optou por se fazer refém de uma minoria ruidosa (recordo que a última manifestação à porta da Assembleia da República teve exatamente... 3 pessoas!).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para terminar, gostava de pôr à sua consideração a hipótese de o Público receber mais cartas de apoio à orientação atual simplesmente porque tem tido grande êxito em afastar todos os leitores que, como eu, não se reveem na histeria dos opositores ao acordo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;P.S.- Como terá reparado, este texto está escrito de acordo com a nova ortografia. As diferenças são mínimas. Justifica-se tanto barulho ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;28 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Manuel Leal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primeira carta do leitor José Carlos Marques&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[Segue, abaixo] o texto de uma carta que enviei à diretora do jornal Público.Até sexta-feira dia 15 de julho, não notei que tivesse saído no jornal qualquer transcrição (talvez apenas simples demora; demasiado extensa a minha carta? mas já tenho visto cartas de leitores mais extensas nesse jornal; mas o jornal tem a faculdade de cortar ou resumir; ou talvez simples e inatacável opção editorial).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A única coisa que poderia ser reflexo de a carta ter sido lida (mas é sem dúvida excessiva pretensão minha) é o facto de, ao lado da nota sobre o autor do texto que constitui o outro anexo (datado de 13 de julho), constar a explicação "que usa o Acordo Ortográfico" e não a fórmula habitual nas crónicas de dois habituais colaboradores, creio que os únicos que o fazem habitualmente, que usam o AO mas a que o jornal se refere dizendo que os seus artigos seguem o AO "a pedido do autor".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[Acerca] de um artigo do constitucionalista Jorge Miranda, datado de 13 de julho de 2011, (...) A atitude de Jorge Miranda é de grande modéstia. Começa por avisar que "não é especialista em linguística". Isso contrasta deimediato com o tom da maior parte (mas não, felizmente, a dos meus amigos adversos ao AO) dos adversários públicos do acordo e com o da própria direção do Público, que se carateriza quase sempre por um caráter passional a roçar o fanatismo e por vezes extremamente deselegante, recorrendo mesmo a insultos para com os que conceberam, negociaram ou anteciparam as vias para o acordo; que seriam ignorantes, inimigos da língua portuguesa, necessariamente antipatriotas - o que se deduz dos termos muitas vezes usados. A crer neles, seríamos levados a pensar que António Houaiss, Malaca Casteleiro, Fernando Cristóvão, para citar apenas alguns, não passariam de autores de dislates e de coveiros da língua portuguesa, e não linguistas com obra meritória feita, de importância relevante, embora, como sempre acontece em matéria de ciência, eventualmente discutível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Paradoxalmente, o texto de Jorge Miranda mostra bem que ele é muito melhor linguista que a maior parte dos adversários públicos (Público incluído!). Embora de modo discreto, mostra que a ortografia não é o que os adversários do AO julgam que é. Sobretudo não cai no erro primário de alguns desses arautos da desgraça segundo os quais a língua falada vai sofrer terrivelmente com a adoção do AO. Adversários que não suspeitam sequer da existência de uma disciplina chamada ortofonia e julgam que as palavras se pronunciam segundo regras inflexíveis de leitura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É certo que a leitura foi sempre ou quase sempre mal ensinada em Portugal, dando a simples regras didáticas um valor absoluto que não admitiria exceção, o que provocou não poucos atropelos à ortofonia (que aliás admite e felizmente variações). Uma das vantagens do AO, se for bem entendido, será precisamente o de exigir indiretamente pelo menos a revalorização da ortofonia (se o seu ensino souber superar o perigo de um absolutismo centralista que rejeitasse as variantes locais e regionais).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;18 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;José Carlos Marques&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Águas Santas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;segue-se transcrição de uma carta enviada pelo leitor à direcção do PÚBLICO, referida na mensagem acima&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Exma Senhora Diretora:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aceitando o desafio implícito na análise que recentemente fez o Provedor do Leitor sobre a questão do acordo ortográfico, gostaria de transmitir algumas observações e contributos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não ponho em causa que o jornal Público assuma no assunto uma posição oposta à posição oficial do país (que surge de negociações e acordos internacionais, e já subscrita por órgãos de soberania, incluindo o Presidente da República). Intriga-me no entanto que o faça de uma forma tão passional. Um jornal não ignora que tem leitores que não se identificam necessariamente a cem por cento com as suas posições editoriais e, portanto, essas posições são normalmente assumidas de modo a não «castigar» os leitores com posições divergentes. Ora respira-se nos textos dos dirigentes do jornal sobre a questão um clima que coloca de imediato os leitores divergentes numa suspeição excomungatória, como coniventes dos grandes «disparates» linguísticos de que os defensores ou simples usuários da atual ortografia oficial (a do acordo!) se fariam assim cúmplices.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Parece mesmo bizarro que os colaboradores externos que optam por escrever na ortografia oficial tenham que «pedir» para o fazerem. Que o jornal adote a ortografia, até nova ordem, «caducada» ou em transição, nada a objetar. Que a imponha em tudo o que é escrito pelos jornalistas do seu quadro, muito bem. Quanto aos colaboradores externos, parece abusivo que estejam sujeitos a «pedir» que se publique o que escrevem, como é seu direito, numa ortografia que é aquela que está em vigor. É claro que os adversários intransigentes do acordo esperam que as decisões que lhe deram vigência sejam revertidas (e acalentam agora essa esperança com indisfarçável ansiedade). Mas isso dá-lhes o direito de forçarem os restantes a «pedirem» o que deveria ser impossível negar-lhes?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A forma como o Público denigre a atual ortografia parece ultrapassar o razoável. Fica-se a pensar que os adversários do acordo têm o monopólio do saber linguístico e que aqueles que prepararam, ou aceitam, o acordo são toscos ignorantes e inimigos da pátria língua.O que é manifestamente uma falsidade. Tal sectarismo não fica bem a um jornal como o Público.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O acordo tem fragilidades, decerto. Mas os adversários portugueses, embora o não confessem, julgam-se proprietários de uma língua que há muito se escreve em partes do universo lusófono de maneira divergente daquela que defendem. Seria então a ortografia brasileira pré-acordo inimiga e obstáculo da língua portuguesa? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ignoram esses adversários que o Brasil é há muito a principal porta de entrada dos falantes de outras línguas para o conhecimento da língua portuguesa? E até por vezes para a lusofilia? E isto nada tem a ver com a ideia peregrina de muitos dos adversários de que o acordo seria uma imposição do Brasil ou uma abrasileiração da nossa língua ou sequer da nossa ortografia.Ignoram eles que o que motiva decisivamente o acordo,seja ele bom ou mau, é uma questão de diplomacia da língua (ou seja, política da língua, mas prefiro diplomacia dado o estado calamitoso em que se encontra a ideia vulgar associada à palavra «política») e da sua afirmação internacional e mundial? Aos adversários do acordo caberia, isso sim, proporem um melhor acordo para quando chegar a hora (que sempre chega) de uma revisão do atual. Mas com os seus pressupostos teóricos ser-lhes-ia impossível proporem qualquer acordocapaz de obter consenso diplomático. O que é, provavelmente, precisamente o que pretendem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;29 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;José Carlos Costa Marques&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Águas Santas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segunda carta do leitor José Carlos Marques&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O jornal Público continua a sua campanha militante, não só contra o AO, o que seria perfeitamente legítimo, mas, implicitamente, contra o bom nome dos que o negociaram e prepararam, quando não dos que o adotam. Curiosamente, com um viés cada vez mais pronunciado, conseguindo abrir quase dois terços de uma página inteira a alguém que "responde" a um terço de meia página do que dias antes tinha ali escrito Jorge Miranda sobre o assunto. A desproporção entre as duas posições no jornal, constantemente manifestada, vai além do direito que o jornal tem de fazer campanha pelas suas opções, pois esquece a obrigação de um mínimo de equilíbrio, como órgão de informação que é.Talvez por pensar que o AO é o "poder" e o jornal um "contra-poder"... e o Público o estandarte de uma justa revolta!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Um extenso artigo aliás que comete o erro típico da maior parte dos ataques feitos ao AO: o de resvalar de uma primeira linha em que fala de ortografia para as centenas de linhas seguintes em que fala de língua. A tese básica é que a língua não se muda por decreto, o que não pode deixar de merecer o apoio de quem quer que tenha um vislumbre de reflexão sobre a realidade linguística. Ignorando no entanto que a ortografia, essa sim, muda-se, e tem mudado várias vezes na história, precisamente por decreto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Enquanto a língua é uma realidade viva em constante evolução, a ortografia é uma representação gráfica dessa realidade viva num momento determinado, que "congela" por muito tempo essa representação numa posição estática, pois é um sistema convencional cujas repercussões sobre a língua viva e evolutiva, embora existam, não são de modo algum aquelas que lhe são assacadas pelos adversários do AO. E as que o possam ser resultam basicamente de uma compreensão deficiente do que é o ensino da leitura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Subjacente a muitas das posições desse tipo está no entanto um simples complexo anti-brasileiro (por razões equivocadas, mas enfim), assente num mal disfarçado pressuposto de uma pretensa superioridade cultural e linguística da versão europeia atual da língua portuguesa - que aliás a execução do AO em nada ameaça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;22 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;José Carlos Marques&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comentários do director adjunto do PÚBLICO Nuno Pacheco &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A “desproporção” de que o leitor José Carlos Costa Marques acusa o PÚBLICO nas posições face ao Acordo Ortográfico deve-se a uma coisa simples: são essas as posições que nos chegam, de leitores e comentadores. E reflecte outra realidade: é que do lado dos detractores do Acordo há ainda interesse em discuti-lo, enquanto do lado dos seus apoiantes (que dão o assunto por legalmente arrumado) esse interesse só se manifesta quando os adversários vêm a público apresentar os seus argumentos. Ou seja: para os adversários do AO90 é uma discussão necessária, enquanto para os seus apoiantes será um incómodo responder-lhes, como se nota. O espírito é: o acordo não é perfeito, mas é por uma boa causa… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quanto à carta do leitor José Carlos Costa Marques desconheço o que se passou. Mas não há o mínimo problema em que seja publicada, antes pelo contrário. Esta ou outra. É bom haver opiniões divergentes sobre o tema, que merece ainda debate por tudo o que envolve. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Já a fórmula, aplicada a dois cronistas do PÚBLICO, “a pedido do autor, este artigo respeita as normas do Acordo Ortográfico”, nada tem de vexatório porque corresponde à realidade. É, de facto, a seu pedido (não tiveram que pedir, pediram e foi de imediato aceite) que tal se verifica sem o mínimo problema. Na revista ATUAL do Expresso também se lê : o cronista X “escreve de acordo com a antiga ortografia”. Nada de anormal nisto. Quanto à designação “que usa o Acordo Ortográfico”, aplicada ao artigo do constitucionalista Jorge Miranda, é exactamente a fórmula por ele escolhida. O PÚBLICO limitou-se a aceitá-la, sem mais. Nada de anormal nisto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A “campanha militante” ou “sectária” do PÚBLICO contra o Acordo Ortográfico, como o leitor lhe chama, não visa “o bom nome” de ninguém mas sim, e tão-só, trazer à discussão aquilo que os defensores do AO90 não querem que se discuta: a sua razoabilidade e mesmo a sua legitimidade. A atitude “mais razoável” face ao AO90 que pede, por exemplo, o leitor Manuel Leal, equivaleria a quê? À aceitação das regras, embora delas discordando? E a bem de quê? O mesmo leitor escreve, a propósito do A090: “Não concordo com alguns aspetos do mesmo, mas parece-me que mesmo assim contribui significativamente para o objetivo confesso de homogenização ortográfica do espaço lusófono, que deveria ser uma prioridade estratégica para Portugal.” Ora este objectivo confesso é não apenas uma impossibilidade como uma descarada ilusão. Não existe homogeneização alguma, porque mesmo com a queda forçada de consoantes mudas, acentos gráficos, tremas e hífens, é tal a quantidade de duplas grafias consentidas pelo Acordo que falar-se em “unidade” é enganar-nos a todos. O espaço lusófono já criou grafias dissonantes que vão manter-se e até mesmo acentuar-se no futuro. O acordo corre o risco de ser uma farsa, tanto para portugueses como para brasileiros e africanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ortografia unificada houve-a apenas no início do século XX, em finais da monarquia e inícios da República. Usada em Portugal e no Brasil, era uma grafia que se aproximava, claramente, da que ainda hoje se usa em França e em Inglaterra. Anedota (do grego “anékdota”) escrevia-se, por exemplo, “anecdota” em Portugal e no Brasil e “anecdote” em França e Inglaterra, tal como método (do grego “méthodos”) se escrevia “methodo” em Portugal e no Brasil e “method” em França e em Inglaterra. Sucede que Portugal mudou a ortografia, entretanto. E a França e a Inglaterra não. Nem ninguém, por lá, se preocupou ou preocupa com isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Hoje, fala-se muito em unificação ortográfica (que no ponto a que se chegou não existe nem existirá nunca, como qualquer pessoa facilmente confirmará) mas na prática o que se quer é a simplificação. Há quem diga: “Falar é o que é. Mas escrever deve ser o mais simples possível”. Este dislate sem paralelo equivale a reduzir a matemática à tabuada, deitando fora as complicações dos cálculos infinitesimais ou dos logaritmos. A verdade é que na maioria das línguas mundiais a grafia está longe de ser simples, como facilmente se confirma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O&amp;nbsp;leitor José Carlos Costa Marques escreve: “O acordo tem fragilidades, decerto. Mas os adversários portugueses, embora o não confessem, julgam-se proprietários de uma língua que há muito se escreve em partes do universo lusófono de maneira divergente daquela que defendem. Seria então a ortografia brasileira pré-acordo inimiga e obstáculo da língua portuguesa? Ignoram esses adversários que o Brasil é há muito a principal porta de entrada dos falantes de outras línguas para o conhecimento da língua portuguesa?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O argumento não colhe. Ninguém, a não ser os assinantes do acordo, se acha proprietário de coisa alguma. Quem acha possível impor por lei o que a prática não consigna são os defensores do AO90. Os outros, entre os quais se inclui o PÚBLICO, gostariam de ver consignadas de forma clara as variantes já existentes na grafia da Língua Portuguesa, em lugar de fingir, para efeitos diplomáticos de duvidosa utilidade, que a partir de agora há uma ortografia “comum”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para responder directamente ao leitor José Carlos Costa Marques quando diz: “Mas com os seus pressupostos teóricos ser-lhes-ia impossível proporem qualquer acordo capaz de obter consenso diplomático. O que é, provavelmente, precisamente o que pretendem”. É verdade. Portugal , Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste não precisam de nenhum Acordo Ortográfico (e muito menos deste, com os erros crassos que tem, em múltiplas vertentes) para continuarem a falar e escrever português (cada qual com as grafias localmente mais em uso) e serem difusores naturais da Língua Portuguesa no mundo. Mais do que um falso caminho de sentido único, a escrita precisava de uma via que reconhecesse claramente o caminho múltiplo das suas naturais diversidades. E nisto, de facto, não há donos da língua. Excepto aqueles que acreditam que uma simples lei nos porá a todos a fingir (que é coisa de políticos, não de cientistas) que escrevemos da mesma maneira. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;25 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Nuno Pacheco&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem do leitor Pedro Valente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sou leitor assíduo do jornal Público e, sem defender com histeria a gafia tradicional, sempre me agradou o facto de o jornal não adoptar o AO. O AO não faz sentido, simplesmente porque vem resolver um problema inexistente: os falantes de português sempre se entenderam. Repare que não coloco a hipótese de o AO pretender uniformizar as variantes da língua, pois, apesar de ser um dos argumentos apresentados, seria uma intenção ingénua, e basta uma leitura atenta do AO para se perceber que isso não é nem nunca será viável. De igual modo, não coloco a hipótese de o AO vir dar resposta a problemas que nós, falantes, sintamos, como é o caso, por exemplo, do uso do hífen, o qual o AO "tenta" resolver mas acaba por complicar ainda mais. Não embarco em histerias de nacionalidades e defesas absurdas da língua e da identidade relativamente ao povo brasileiro, mas não consigo perceber a quem é que o AO é favorável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sou professor de Português e este ano, lamentavelmente, terei de adoptar o AO nas aulas e terei de o ensinar, mas, na minha vida privada, continuarei a grafia antiga. Em conjunto com uns amigos benfiquistas, escrevo para um blogue sobre o Benfica, e até nesse blogue, que nada tem que ver com estas questões da língua, recebemos várias mensagens de incentivo quando comunicámos que não adoptaríamos o AO (http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/1060793.html). Mas não percebo por que razão não há mais iniciativas nem por que razão não se fala mais neste assunto, que a todos diz respeito. Talvez seja como os impostos: apenas quando o sentirmos é que nos vamos manifestar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Escrevi mais do que pretendia inicialmente, pois queria apenas dizer que o Público é o único jornal diário que leio com regularidade, não "apenas" por causa desta questão (porque o jornal não precisa disso para ser bom) mas "também" por essa razão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;15 de Agosto de 2011&lt;br /&gt;Pedro Valente&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-1184733309731399422?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/1184733309731399422/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=1184733309731399422&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1184733309731399422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1184733309731399422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/07/ainda-o-desacordo-ortografico.html' title='Ainda o desacordo ortográfico'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-1093104861494878846</id><published>2011-07-24T06:11:00.000+01:00</published><updated>2011-07-24T06:11:56.631+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fecho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Títulos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mecenato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reclamações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informação utilitária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Investigação'/><title type='text'>Breve relato de minudências que o não são</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 24 de Julho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível trazer a este espaço todas as mensagens dos leitores que expressam o seu desagrado pela frequência dos erros de escrita nas páginas do jornal. Há poucos meses dediquei ao tema uma série de crónicas e só posso esperar que venham a dar resultados visíveis algumas medidas entretanto anunciadas pela direcção do PÚBLICO, destinadas a sensibilizar a redacção para uma maior atenção, pelo menos, ao tipo de erros que a experiência mostra serem os mais repetidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ocultei, na altura, que não acredito em milagres neste domínio numa empresa jornalística que comprimiu drasticamente a sua equipa de revisores. Nem na ideia de que soluções tecnológicas de correcção de texto, ainda que úteis, possam substituir, em aspectos essenciais, o trabalho de profissionais qualificados. Defendi, por outro lado, que não deve ser assacada aos signatários das peças jornalísticas manchadas por erros de escrita a maior responsabilidade por gralhas e deficiências no uso da língua que deveriam ser detectadas pelos responsáveis editoriais que, por vezes (em títulos, entradas, chamadas de capa), serão até os seus autores directos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que só a pressão dos leitores poderá contribuir para uma maior consciência da erosão que a frequência dos dislates gramaticais (e outros) provoca no crédito e na imagem de um jornal de qualidade. E para acelerar as medidas que permitam, pelo menos, atenuar significativamente a gravidade do problema. Por isso, mesmo não desejando fazer destas crónicas uma câmara de eco de todos os exemplos de mau português de que muitos leitores justificadamente se queixam, penso que valerá a pena citar algumas das reclamações recebidas nos últimos dias, esperando que possam contribuir para uma reflexão necessária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitora Isa Torga manifestou a sua "imensa insatisfação" por encontrar numa pequena notícia publicada no último domingo na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; ("&lt;em&gt;Mineiros chilenos processam Estado&lt;/em&gt;...") nada menos do que cinco erros em oito curtos parágrafos. E tem razão. Se num caso ou outro se tratará de gralhas de digitação, não faltam os exemplos clássicos da falta de concordância, do erro de ortografia e até da possível interiorização das normas do controverso acordo ortográfico — que o PÚBLICO não adoptou —, com a queda de uma consoante muda. É muito para uma peça de pouco mais de 300 palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia pensar-se que se tratou apenas de um exemplo do evidente (e, a meu ver, errado) menor investimento de edição nas notícias da plataforma &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, nomeadamente no que toca a peças de produção externa que são divulgadas com a marca do PÚBLICO sem serem sujeitas, aparentemente, a uma revisão capaz (neste caso, a notícia não era assinada, mas fazia referência a informações oriundas de uma agência estrangeira). Contudo, a leitura da mesma peça, publicada na edição impressa do dia seguinte (18.07) e igualmente não assinada, torna claro que o problema não fica por aí. Uma das gralhas que aparecia no Público Online desaparecera, o que indica que a notícia foi revista, mas os quatro erros restantes permaneciam, o que mostra que foi mal revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias antes, fora a vez de o leitor Valdemar Andrade — que se identifica como um "leitor/comprador do PÚBLICO desde o início", para quem se tem "alterado, para pior, a qualidade do uso da nossa língua" no jornal — referir o "incómodo" sentido com a leitura da edição do passado dia 14, onde encontrou coisas como estas: "&lt;em&gt;Assange, de cabelo cortado, mantia-se impávido&lt;/em&gt;" (notícia sobre a presença do fundador da Wikileaks numa audiência judicial no Reino Unido), ou "&lt;em&gt;Tendo ocupado a casa deste (...) e obrigado-o a mendigar&lt;/em&gt;" (relato de um caso em apreciação num tribunal do Porto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana anterior (P2 de 7 de Julho), a toda a largura da página 7 ("Cultura"...), alguém se lembrou de escrever e alguém permitiu que fosse impresso o título "&lt;em&gt;Prémio para o percurssionista Pedro Carneiro&lt;/em&gt;". A leitora Alda Nobre supõe, possivelmente com razão, que na origem do erro estará o facto de este já ser relativamente comum em certo "português" falado e escrito. Mas engana-se, provavelmente, ao responsabilizar pelo disparate a jornalista que assinou o texto, no qual a palavra "percussionista" surge várias vezes, e sempre correctamente grafada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lá das agressões à língua, deixo aqui dois exemplos recentes de erros que não deveriam sobreviver a uma edição cuidada. Na edição de 16 de Julho, a troca de um "6" por um "3" deu aos leitores uma informação errada, na última página, sobre os números sorteados no Euromilhões. O leitor José P. Costa queixou-se da falha em termos suaves ("uma imprecisão"), mas a verdade é que este é o tipo de erro que muitos compradores do jornal tenderão a considerar indesculpável. E com razão: não só pela natureza da informação em causa, em que não pode haver lugar a enganos, como pelo facto de ter já sucedido com a divulgação de outros resultados de jogos sociais. Qualquer pessoa se pode enganar a transcrever uma série de números à hora de fecho do jornal, mas não se entende que não exista (ou que funcione mal) uma rotina simples de ter dois pares de olhos diferentes a verificar os números dos sorteios. Neste caso, o erro não foi corrigido na edição seguinte, como seria exigível. Curiosamente, a informação correcta sobre o sorteio (sem qualquer indicação de ter sido alterada) figurava desde as 21h07 do dia 15 na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;. Enganam-se os que olhem para estas falhas como minudências. É também pelo assegurar ou não das condições que as evitem que se pode medir o respeito de um jornal pelos seus leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro desafio ao rigor informativo, obrigando a uma atenção redobrada nas horas de fecho, é a dificuldade que os constrangimentos gráficos colocam à elaboração de títulos, especialmente os que encabeçam notícias paginadas a uma só coluna, como acontece geralmente nas chamadas de capa. Creio que só esse factor, acompanhado de um facilitismo censurável, terá tornado possível colocar na primeira página da edição do passado dia 9 o título "&lt;em&gt;PJ detém três suspeitos com ligações ao IRA&lt;/em&gt;", quando o texto da chamada se refere a "grupos dissidentes do IRA". O título da notícia sobre a operação policial, na página 11, evita o erro ("&lt;em&gt;PJ deteve três suspeitos com ligações a dissidentes do IRA&lt;/em&gt;"), mas este repete-se na página 23 da edição seguinte (10.07), onde em título a uma coluna se volta a chamar "suspeitos de ligação ao IRA" aos que precisamente serão suspeitos de pertencer a grupos que se afastaram daquela organização nacionalista irlandesa desde que esta pôs fim à opção pela violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao início, ao peso dos erros de escrita em notícias do PÚBLICO, confesso temer que também estes sejam vistos como "minudências" por muitos que os considerarão secundários no quadro de um esforço diário para produzir informação de qualidade. Por isso deixo aqui a interrogação com que a primeira leitora citada, Isa Torga, concluía a sua mensagem: "Pela qualidade do que escrevemos, do que lemos e do que exigimos aos nossos garotos, porque não darmos o exemplo cuidando das peças que disponibilizamos ao público em geral?" É o que deverá esperar-se, evidentemente, deste jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Elevando a fasquia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anúncio, nos últimos dias, do projecto Público Mais — um fundo financiado por seis grandes empresas, que permitirá ao PÚBLICO investir em trabalhos jornalísticos no domínio da grande reportagem e em áreas temáticas essenciais, para cujo tratamento em profundidade escasseiam os meios — constitui, na minha opinião, uma excelente notícia para os leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esta solução inovadora na imprensa portuguesa, que recorre ao mecenato para poder garantir, num mercado estreito como o nosso, as missões próprias do jornalismo de referência, o PÚBLICO abre novas e promissoras expectativas na sua afirmação como protagonista, em Portugal, da imprensa diária de qualidade. O que deve ser sublinhado numa época em que as restrições financeiras contribuem para que as tentações de deriva tablóide, com o seu cortejo de superficialidade, sensacionalismo e devassa da intimidade das pessoas, vão fazendo o seu caminho de habituação pública à mediocridade, mesmo quando — como acaba de suceder na Grã-Bretanha — são expostas em toda a nudez da sua natureza mercenária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de louvar a atitude inteligente e o espírito de cidadania dos empresários que se dispuseram a este primeiro passo, mostrando-se conscientes de que o apoio à imprensa independente e à sua credibilidade não é compatível com qualquer tipo de interferência no agendamento e nos conteúdos dos trabalhos jornalísticos que ajudarão a viabilizar. E seria bom ver este projecto alargado, no futuro, ao jornalismo de investigação em geral, actualmente tão ameaçado pela carência de meios humanos e financeiros, mas de utilidade cívica cada vez mais evidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como provedor do leitor, considero que a direcção do PÚBLICO está de parabéns pela iniciativa agora anunciada. E faço votos de que os frutos do Público Mais venham a confirmar que de parabéns estamos também todos os que diariamente lemos o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta da leitora Isa Torga&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Li esta peça ("Mineiros chilenos processam Estado e exigem 380 mil euros para cada um") e é com imensa insatisfação que escrevo este comentário. Não vou comentar o conteúdo da notícia, mas os erros de sintaxe, estilo e linguísticos da pequena peça em questão (...). Parece-me inadmissível que esta curta peça seja publicada no Público contendo tantos erros de português. Eis alguns exemplos: "disse aos jornalista" (falta a correspondência de plural entre o artigo e o nome); "apresentou no sábado uma queixa no gabinete do procurados"; "de não ter inspecionado as condições" ("procurados" parece ser uma gralha para "procurador"). E a "inspecionado" falta um "c". Dei-me ao trabalho de verificar com agrado que o Público, nesta peça, não segue o período de transição do novo Acordo Ortográfico, pelo que deveria escrever-se "inspeccionado "(...). "Esta acção visa o Estado e não o governo, sublinho Urzua" (nesta frase o tempo verbal ("sublinho") está também incorrecto; "Querem começar a receber reformas anticipadas" (não deveria ser antecipadas?) Qualquer programa básico de processamento de texto (Word, por exemplo) disponibiliza uma ferramenta de verificação ortográfica que detecta não todos mas mais de metade destes erros. Pela qualidade do que escrevemos, do que lemos e do que exigimos aos nossos garotos, porque não darmos o exemplo cuidando das peças que disponibilizamos ao público em geral? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;18 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Isa Grangeia Torga &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Valdemar Andrade &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sou leitor/comprador do Público desde o início da sua publicação e, durante muito tempo, apreciei tanto o equilíbrio e rigor da informação como a qualidade da escrita dos textos publicados.Para mim, o jornal de hoje não é já o mesmo que me habituei a frequentar. E uma das razões é ter-se alterado, para pior, a qualidade do uso da nossa língua (ao que acrescerá, talvez, uma revisão pouco cuidada).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tenho acompanhado a preocupação dos vários Provedores do Leitor com este problema, mas não me parece que do esforço por todos eles desenvolvido tenham resultado diferenças significativas. Quase diria que a minha paciência se esgotou ao ler a edição do passado dia 14, por nela ter encontrado, mais uma vez, duas falhas que se me afiguram graves.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Numa delas escreve-se "...Assange, de cabelo cortado, &lt;u&gt;mantia-se&lt;/u&gt; (sublinhado meu) impávido", e apetece-me perguntar como é que o autor do texto conjuga o pretérito imperfeito do indicativo do verbo "manter" - será "eu mantia, tu mantias, ele mantia...?".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No outro caso, escreve-se "...tendo ocupado a casa deste... e &lt;u&gt;obrigado-o&lt;/u&gt; (sublinhado meu) a mendigar...". Em rigor, pois não sou especialista, não sei se esta forma de escrever é, como suponho que seja, totalmente inaceitável. Mas estou convicto de que o pronome «o» devia acompanhar o verbo auxiliar («tendo-o obrigado»).Suporto com dificuldade a leitura de textos com erros de ortografia ou de semântica evidentes, tal como também a presença de gralhas, em qualquer texto. E foi esse incómodo que senti com a edição do jornal de 14 do corrente (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;17 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Valdemar Andrade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta da leitora Alda Nobre&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pela primeira vez o Público faz eco de um erro imbecil e frequentíssimo em imprensa, rádio e TV's. Vamos aos factos: Público de hoje, dia 7 de Julho 2011, caderno P2, página 7, notícia (...) com o título "Prémio para o percurssionista Pedro Carneiro". Disparate absoluto, mas infelizmente muito frequente. Sendo assim a pergunta impõe-se: que raio de percurso vai Pedro Carneiro fazer? (...) É, deste modo, urgente que o Público publique (...) um "O Público errou" corrigindo o erro e reescrevendo o título correctamente, com um pedido de desculpa ao visado e aos leitores. Não o fazendo, o Público estará a perpetuar um erro que, para minha grande mágoa, já entrou no absurdo léxico português.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;7 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Alda Nobre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor José Costa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) No sábado, 16/7, há uma imprecisão nos números sorteados no Euromilhões. Assim, em vez de 3 deveria ter saído 6. Como não vi até hoje a devida correcção, aqui fica o reparo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;18 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;José P. Costa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-1093104861494878846?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/1093104861494878846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=1093104861494878846&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1093104861494878846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1093104861494878846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/07/breve-relato-de-minudencias-que-o-nao.html' title='Breve relato de minudências que o não são'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-1226598026602288152</id><published>2011-07-17T15:04:00.001+01:00</published><updated>2011-07-17T15:53:54.283+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Géneros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fontes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Títulos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estilo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contraditório'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isenção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Agências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contextualização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Anonimato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Credibilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Confiança'/><title type='text'>Notícias dos hospitais</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 17 de Julho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Na passada terça-feira, 12 de Julho, foi colocada no Público Online uma notícia da agência Lusa, na qual, sob o título "&lt;em&gt;HUC pedem ajuda a Espanha nos transplantes hepáticos pediátricos&lt;/em&gt;", se lê que os Hospitais Universitários de Coimbra (a única instituição nacional onde se fazia esse tipo de intervenção) vão firmar um acordo de colaboração com um hospital madrileno para poderem garantir a continuidade das operações de transplante, interrompidas — segundo se refere na entrada da peça — "devido ao abandono do cirurgião responsável".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se na notícia que esta situação, que estará naturalmente a afligir os pais de crianças que necessitem de um transplante do fígado, resulta do facto de nenhum membro da equipa coordenada por esse cirurgião ser capaz de assegurar a continuidade das intervenções, porque — nas palavras da única fonte citada, o presidente da administração dos HUC, Fernando Regateiro — "não houve formação, não houve preparação de alternativas". E acrescenta-se que o médico em causa, Emanuel Furtado, que parece ser o único cirurgião especializado e experiente nesta área, "se comprometera a assegurar os transplantes hepáticos até (...) Setembro", mas "na última semana declinou uma cirurgia por partir de férias para o estrangeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa extensa carta que me enviou, Emanuel Furtado afirma que a notícia contém várias "afirmações que são falsas". Rejeita a ideia de "abandono" dos HUC ou dos transplantes pediátricos (" fui contratado, após concurso público, por outra instituição pública"), diz ser falso ter assumido qualquer compromisso até Setembro ("tinha avisado [...] que iria sair em Julho"), alega nunca ter dirigido a equipa de transplantes hepáticos e garante que a falta de "formação" e "preparação de alternativas" — que reconhece e para a qual diz ter alertado há muito —, "é da responsabilidade do Conselho de Administração presidido por Fernando Regateiro e do director que esse conselho nomeou, há anos, para dirigir a actividade de transplantação hepática". Conclui que o artigo é "enganador" e serve "o objectivo de Fernando Regateiro, (...) de alijar responsabilidades" neste domínio, transferindo para si o ónus da lamentável situação criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso conhecer toda a história deste caso para se perceber que à notícia em causa faltou o elemento essencial do contraditório. Nestas condições, não é possível ao leitor que foi "informado" de uma só versão, (que lhe é apresentada como uma descrição objectiva dos factos), e que agora toma conhecimento da existência de uma versão contrária (que o jornal ignorou), sentir-se esclarecido sobre um tema de inegável interesse público. Chama-se a isto mau jornalismo. O facto de a notícia ter origem na Lusa não é relevante: uma vez divulgada numa edição do PÚBLICO, é uma notícia da responsabilidade editorial do PÚBLICO. A não ser eficazmente corrigido, o mau hábito de colocar apressadamente em linha notícias elaboradas fora da redacção, sem que os responsáveis por alimentar a edição on line assegurem o cumprimento de regras básicas de validação e respeito pelo contraditório, afectará crescentemente a credibilidade do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, também, de nada terá servido a possibilidade oferecida aos leitores de alertarem para eventuais erros de informação nas caixas de comentários às notícias. Neste caso, o próprio Emanuel Furtado enviou uma mensagem a desmentir o conteúdo da peça. E outros leitores apontaram faltas de rigor e isenção, e chamaram a atenção para o facto de a saída do cirurgião dever ser enquadrada no contexto de problemas internos nos HUC que justificariam uma averiguação jornalística. No entanto, a notícia permanece inalterada no Público Online e o jornal não desenvolveu o tema na edição impressa. Fica a sensação, como já referi na minha crónica do passado dia 3, de que "ninguém ouve o que dizem os leitores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo publicado a notícia como a publicou, o jornal tem agora o dever, na minha opinião, de procurar a verdade entre versões contraditórias e esclarecer os seus leitores sobre os motivos do desaparecimento (espera-se que provisório) de uma valência única e pioneira no sistema hospitalar português, e acerca do que pensam as autoridades da saúde fazer para o remediar. É para informar de forma completa e rigorosa, e não para transmitir mensagens parciais entre partes desavindas, que deve servir o bom jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Na véspera, outro caso de saída de médicos de um hospital dera origem a uma peça publicada na secção "Portugal" da edição impressa. Num texto intitulado "&lt;em&gt;Médicos intensivistas abandonam Hospital de Leiria&lt;/em&gt;", a jornalista Margarida Gomes relatava que a equipa médica que fora formada para ali instalar um serviço de medicina intensiva abandonara aquele hospital por alegada falta de condições para o desenvolvimento do projecto. A notícia não cita fontes, mas é referido, a fechar, que os responsáveis pelo estabelecimento de saúde foram contactados e afirmaram serem "falsas ou falaciosas" as informações que lhe deram origem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso existiu a preocupação formal de procurar o contraditório, mas sem benefício assinalável para o esclarecimento dos leitores, que são colocados perante duas versões contrárias e só podem concluir que a autora da notícia terá tido motivos para privilegiar uma delas. A confiança de quem lê depende nestas situações da credibilidade que atribui ao jornal, mas convém ter presente que essa credibilidade estará ameaçada se se banalizar o mau hábito de noticiar temas que são objecto de controvérsia entre partes com informações obtidas sob anonimato, fazendo-as depois acompanhar do que, para todos os efeitos, é um desmentido (e esse não anónimo) do que se afirma em título. Não se percebe por que motivo o caso justifica a ocultação das fontes, nem a pressa em publicar o que poderia ser mais bem investigado e fundamentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lê-se nessa notícia, por outro lado, que, "apesar de o Serviço de Medicina Intensiva ter sido inaugurado em Maio de 2010, a unidade de doentes neurocríticos ainda não está a funcionar", acrescentando-se que "esta unidade foi pensada como um pólo de atracção para potenciais dadores de órgãos". A esta última frase reagiu o leitor Pedro Amorim: "Escrever que 'a Unidade de Neurocríticos' foi pensada como 'pólo de atracção para potenciais dadores de órgãos' é grave. É que dadores de órgãos são doentes que evoluem para o estado de morte cerebral. São doentes que morrem. Mortos. Afirmar que uma unidade hospitalar foi pensada para atrair mortos é um enorme disparate. Não acredito que a jornalista tenha ouvido essas palavras da boca dos responsáveis do Hospital de Leiria e muito menos dos responsáveis pela dita unidade". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornalista assegura que a frase em questão corresponde ao que lhe foi dito por uma fonte médica. Não tendo citado essa fonte na notícia, tem de lhe ser atribuída a autoria de uma definição que é no mínimo infeliz e susceptível de causar a maior estranheza, como sucedeu com o leitor referido. Creio, no entanto, que a leitura da peça mostra que se tratou sobretudo de uma má escolha de palavras, que deveria ter sido detectada antes da publicação. Comprova-o o período seguinte do texto, em que se explica com clareza: "A sala de neurocríticos destina-se a tratar doentes com patologias neurológicas, em risco de vida ou com sequelas graves".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Terrorismo no teatro?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor Betâmio de Almeida considerou inapropriado o título "&lt;em&gt;O terrorista Zizek quer que façamos algo&lt;/em&gt;", que na última quarta-feira, 13.07, encabeçava, nas páginas do caderno P2, uma peça em que Tiago Bartolomeu Costa, enviado do PÚBLICO ao festival de teatro de Avignon, relatava uma conferência ali proferida pelo filósofo esloveno. Compreende-se a reacção do leitor: pelas suas conotações, um tal qualificativo, quando usado fora de um contexto que o autorize no seu significado literal, pode ser considerado ofensivo e a sua utilização será sempre discutível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio, no entanto, que não se justifica a "indignação" que o leitor diz ter sentido. O uso do termo "terrorista" em sentido figurado seria certamente condenável numa notícia de actualidade como as que preenchem o caderno principal do PÚBLICO. Mas penso que os leitores habituais estarão cientes de que os artigos publicados no P2 se caracterizam por uma maior liberdade estilística e algum espaço para um olhar mais subjectivo, não tendo que se cingir rigorosamente a todas as convenções que balizam a escrita informativa. Sem por isso deixarem, naturalmente, de respeitar as regras profissionais e éticas do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo sobre a conferência de Slavoj Zizek integra um género jornalístico próprio, um misto de reportagem e análise crítica, como o que se espera de um enviado a um festival. A sua leitura torna clara a natureza metafórica da expressão "terrorista", como metafóricas foram as "bombas" ideológicas que, logo na entrada do texto, se diz que o filósofo lançou em Avignon. Aliás, o próprio pensador esloveno é citado a explicar qual a cadeia de lojas que escolheria para colocar uma bomba "se fosse terrorista", e já não em sentido figurado... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colocação de aspas no termo que desagradou ao leitor teria talvez evitado equívocos, mas parece claro que a sua escolha teve por objectivo enfatizar a natureza provocadora do discurso de Zizek, que é descrita com eficácia num texto bem conseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Notícias dos hospitais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Emanuel Furtado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O presente artigo, intitulado "HUC pedem ajuda a Espanha nos transplantes hepáticos pediátricos" padece de grave falta de qualidade e rigor porquanto transmite, por uso inadequado de palavras e expressões, e por falta de rigor por não terem sido confirmadas afirmações que são falsas. Assim, desde logo, no subtítulo, a palavra "abandono", inevitavelmente carregada de sentido pejorativo, não deveria ter sido utilizada. De facto não abandonei os HUC e muito menos a transplantação hepática pediátrica, que voluntariamente, com sacrifício pessoal e profissional, assegurei, até Junho. Não havia, nem há, qualquer obrigação contratual, ética ou moral para o fazer. Pedi a exoneração dos HUC, há mais de 6 meses, por razões que poderiam ter sido indagadas pelo jornalista, e fui contratado, após concurso público, por outra instituição pública. Tinha avisado os directores clínicos dos HUC e HP/CHC que iria sair, em Julho de 2010. Da mesma forma a frase " nenhum membro da sua equipa foi capaz de assegurar a continuidade da transplantação, porque "não houve formação, não houve preparação de alternativas", é enganadora porque pressupõe a existência de uma equipa de transplantação hepática dirigida ou de alguma forma gerida por mim, o que é totalmente errado. Nos HUC existe, desde sempre, uma equipa conjunta de transplantação hepática de adultos e crianças, que nunca dirigi, e cujos destinos nunca pude determinar. De facto "não houve formação, não houve preparação de alternativas" mas isto é da responsabilidade do Conselho de Administração presidido por Fernando Regateiro e do director que esse conselho nomeou, há anos, para dirigir a actividade de transplantação hepática dos HUC. Não deveria o artigo transmitir a ideia, como me parece fazer, de que essa responsabilidade foi minha, sendo que há anos venho alertando os responsáveis para a necessidade de formação de cirurgiões e de outros grupos profissionais envolvidos nesta actividade. No artigo são também feitas afirmações falsas, que facilmente poderiam ter sido "verificadas" pelo jornalista: É falso que me "comprometera a assegurar os transplantes hepáticos pediátricos de urgência até ao próximo mês de Setembro". Seria facilmente verificável que me tinha comprometido a assegurar situações, aliás bem tipificadas e que não incluíam o caso presente, em documento datado de Fevereiro, no qual o jornalista poderia também ter verificado que estava então já expressa a necessidade de os HUC indicarem quem, na minha ausência - desde logo no dia a dia, por estar a exercer funções noutra instituição - me deveria substituir, pelo menos para atender aos problemas mais imediatos que podem surgir no pós-operatório precoce. É falso que "os HUC têm feito deslocar alguns (cirurgiões) para estágios numa unidade do Reino Unido". Foi, há dias, um único cirurgião. Parece-me, salvo melhor opinião, que o presente artigo, pela forma e conteúdo - falso, algum - conseguiu cumprir o objectivo de Fernando Regateiro - o verdadeiro e principal responsável pela situação a que se chegou - de alijar responsabilidades e transferir o respectivo ónus para mim. O artigo não é por isso informativo. É quando muito, enganador. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;15 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Emanuel Furtado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Pedro Amorim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No Público do dia 11 [de Julho], numa notícia na página 6 intitulada “Médicos intensivistas abandonam Hospital de Leiria”, a jornalista Margarida Gomes escreve que “...a unidade de doentes neurocríticos ainda não está a funcionar. Esta unidade foi pensada como um pólo de atracção para potenciais dadores de órgãos. A sala de neurocríticos destina-se a tratar doentes com patologias neurológicas, em risco de vida ou com sequelas graves”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Bem, escrever que “a Unidade de Neurocríticos foi pensada como “pólo de atracção para potenciais dadores de órgãos” é grave. É que dadores de órgãos são doentes que evoluem para o estado de morte cerebral. São doentes que morrem. Mortos. Afirmar que uma unidade hospitalar foi pensada para atrair mortos é um enorme disparate. Não acredito que a jornalista tenha ouvido essas palavras da boca dos responsáveis do Hospital de Leiria e muito menos dos responsáveis pela dita unidade ou pelo referido “Serviço de Medicina Intensiva”. A meu ver trata-se de mais um exemplo de uma notícia redigida por alguém sem os necessários conhecimentos ou sem o cuidado de fazer a notícia passar pela revisão de algum perito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não posso deixar de manifestar a minha surpresa e de certo modo revolta, por um jornal prestigiado e sério como o Público permitir estas leviandades e não garantir uma revisão dos artigos que evite a impressão de disparates deste quilate. A “Unidade de doentes neurocríticos” certamente visaria prestar os mais elevados standards de tratamento aos doentes com graves patologias do sistema nervoso central e sem dúvida que terá sido pensada para oferecer os melhores cuidados no sentido de permitir uma boa recuperação dos doentes com lesões neurológicas. Tudo, estou certo, menos que evoluam para ser dadores de orgãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;14 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Pedro Amorim&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Terrorismo no teatro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor A. Betâmio de Almeida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Como leitor do Público entendi ser meu dever dar conta do meu desagrado pelo título de uma peça jornalística do P2 de hoje, dia 13 de Julho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É frequente ouvirmos uma mãe ou um pai referirem-se (com carinho implícito…) a um filho como “ este terrorista”…ou "és mesmo “terrorista”. Contudo, ao ler o título da pág. 6 relativo a Slavoj Zizek ("O terrorista Zizek quer que façamos algo"), não posso deixar de manifestar a minha indignação por esta manifestação de … nem sei o que dizer: Incultura? Irresponsabilidade? Leviandade? Manifestação ideológica do tipo fascista (“quando oiço falar de cultura, levo a mão à pistola…” , lembra-se da guerra civil de Espanha?)? Preconceito anti-intelectual? Ou… ou simplesmente falta de elegância ou de categoria? Incompetência profissional?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não quero ensinar nada, mas Zizek, concorde-se com ele ou não, é um dos grandes pensadores da actualidade. Ele não irá sentir nada mas os leitores foram desconsiderados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Melhor seria publicar um bom artigo ou convidá-lo para uma conferência !&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;13 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Betâmio de Almeida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Reacção do leitor Betâmio de Almeida ao texto "Terrorismo no teatro?"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Não posso deixar de salientar que não concordo com uma parte dos argumentos do senhor provedor. Na verdade, eu comecei o meu anterior comentário por referir o exemplo de um pai ou de uma mãe que, com carinho, pode designar o seu filho(a) por “terrorista”, mas que provavelmente, e com alguma razão, poderia não gostar que outros identificassem esse filho(a) publicamente e sem justificação objectiva por terrorista (sem aspas).Se me permite, passo a indicar os motivos pelos quais discordo do senhor provedor:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- O Público é um jornal generalista e uma parte significativa dos seus leitores orienta-se pelos títulos dos textos. Tenho para mim (posso estar enganado) que só uma minoria, muito minoritária, conhece, leu os livros ou ouviu conferências proferidas por Zizek (o que pode ser natural…). Assim, não obstante o artigo em causa ser um bom artigo, não me parece saudável e eficaz, no contexto actual, utilizar o termo terrorista para cativar o leitor afastado (ou que não conhece) do trabalho intelectual do visado. Considero um erro, mesmo sem preconceitos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Admito que o autor da peça seja merecedor de muita simpatia e respeito, mas pode errar. O atenuante de que Zizek afirmou “se fosse terrorista…” que o senhor provedor evocou é surpreendente e exige a adopção de uma lógica muito difusa e não aristotélica! Resumindo, ao afirmar “se”…(hipotético) pode-se então inferir que é admissível ser designado por isso mesmo, como um facto consumado, uma potencial mas efectiva predisposição! Parece ser mais um contra-argumento do que um argumento!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Na minha concepção de discussão livre de ideias e filosofias (no sec. XXI…) parece-me bizarro caracterizar ideias alternativas, num festival de cultura, como “bombas ideológicas”, como eventos extraordinários, que fazem danos graves, a quem? Isto é que merecia, no meu entendimento, ser muito bem explicado pelo autor da peça: a identificação de linhas fracturantes e a interpretação das mesmas. Provavelmente faz danos com se de uma bomba fosse a quem pensa que só um pensamento dominante é normal e tudo o mais são anomalias ou a quem vive numa letargia ou num sonho longe da realidade. Nisso, Zizek, pela sua formação profissional, é especialista. No meu entender, a utilização de metáforas não é, por si só, um procedimento neutro ou isento de significados. Uma matáfora não é só uma máscara, é uma responsabilidade, um desafio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;-Tomo em boa nota que o P2 é especial e admite liberdades estilísticas. Não sabia, e sempre tinha avaliado o jornal (salvo o suplemento de humor) pela mesma bitola de qualidade. Ora a falta de aspas não sei se é uma liberdade estilística conscientemente adoptada pelo autor ou algo diferente. Ele não falou…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Resumindo, apresentei as minhas ideias e, lamento, mas não concordo com parte do que o senhor provedor entendeu escrever sobre o assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;17 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Betâmio de Almeida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-1226598026602288152?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/1226598026602288152/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=1226598026602288152&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1226598026602288152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1226598026602288152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/07/noticias-dos-hospitais.html' title='Notícias dos hospitais'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-614723929808819857</id><published>2011-07-10T04:49:00.002+01:00</published><updated>2011-07-12T02:02:26.193+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Equilíbrio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contextualização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identificação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilustração'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caracterização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rigor'/><title type='text'>Sexo, preconceitos e fotografia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 10 de Julho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Este jornal tem dado notícia do julgamento de um homem que alegadamente se fazia passar por mulher para seduzir outros homens com quem se relacionava através da Internet e que é acusado de exercer chantagem e intimidação sobre as pessoas que decidiam romper esse relacionamento. Um dos textos sobre o caso, publicado no passado dia 9 de Junho, suscitou a "perplexidade e indignação" do leitor Carlos Fabião, que diz não conseguir "descortinar que relevância ou pertinência tenha para o caso" a referência ao facto de o acusado ser, como se lia nessa peça, "um docente da Universidade de Évora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor questiona: "Que têm as instituições ou empresas a ver com os comportamentos desviantes e os eventuais ilícitos criminais dos seus funcionários?". E argumenta que "em nenhum momento se diz que as práticas [do arguido] se tenham desenvolvido a partir da Universidade ou com recurso a meios da instituição, e nada indica que os alvos do assédio fossem estudantes ou outros funcionários da Universidade". O facto de, na sua opinião, "a natureza dos alegados crimes praticados [ser] particularmente sensível" e poder ser confundida com o "aliciamento de jovens" através da Internet, contribui para que a "reiterada referência" à "relação laboral" do acusado com o estabelecimento de ensino alentejano possa afectar negativamente a "imagem da instituição". A reforçar esse possível efeito, "chega-se ao extremo" — acusa — "de ilustrar com uma fotografia da Universidade de Évora a notícia sobre o julgamento do indivíduo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornalista Paula Torres de Carvalho, que tem acompanhado o julgamento e redigiu a notícia em questão, rebate os argumentos do leitor: " A prioridade, neste caso, era contar a história sem identificar os arguidos, mas dando o máximo de informação e de contextualização dos factos em julgamento. O que me obrigou ao recurso mais frequente do que o desejável, reconheço, à referência da profissão do principal arguido e onde a exerce. A verdade é que o caso tem a relevância – e o interesse informativo – que tem, precisamente por envolver quem envolve (...). E sendo um professor universitário, a obrigatória precisão dos factos narrados (...) não dispensa essa explícita referência". Quanto à fotografia, admite que "a escolha não foi a mais feliz, embora resulte da decisão de não se publicar imagens da pessoa em causa, contrariamente ao que outros jornais fizeram".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relevância do acompanhamento noticioso deste julgamento resulta da invulgaridade dos crimes de que o principal arguido é acusado, e dos meios de que se terá servido, mas também da imputação, que lhe é feita pelo Ministério Público, de ter contratado detectives privados — que por sua vez recorriam aos serviços remunerados de elementos da PSP e da Polícia Judiciária — para vigiarem as vítimas e colaborarem na sua intimidação. Detectives e polícias são, aliás, arguidos no mesmo processo, como foi noticiado, e Paula Torres de Carvalho recorda esse facto para questionar: "Acaso os inspectores da PJ igualmente envolvidos neste processo judicial, e assim identificados, co-responsabilizam minimamente a instituição Polícia Judiciária?". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa notícia como esta deve procurar-se o equilíbrio entre o respeito pela presunção de inocência, evitando identificar os arguidos, e uma descrição eficaz e inteligível dos factos que conduziram à acusação, bem como do seu contexto, o que não só justifica como aconselha a referência a elementos de caracterização dos protagonistas. Julgo que a jornalista adoptou, nesse plano, uma solução acertada. Poderá considerar-se que a referência à Universidade de Évora seria dispensável, bastando caracterizar o arguido como docente universitário e residente naquela cidade. Mas nem essa referência é "reiterada" (aparece uma vez no texto de 9 de Junho e não surge na peça dedicada à sessão seguinte do julgamento, publicada a 23), nem me parece susceptível de causar dano à imagem da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão diferente é a da fotografia. A escolha de uma imagem daquela universidade para ilustrar a notícia não me parece justificável. Nada acrescenta ao texto e pode ser vista como um envolvimento abusivo da instituição num caso a que é alheia, como sugere o leitor. As condicionantes gráficas da edição do PÚBLICO (neste caso, a escolha de paginar esta notícia num espaço que prevê uma fotografia) não podem servir como argumento de facilidade para justificar o erro. Neste caso, deveria ter-se procurado uma solução aceitável para a ilustração (fotográfica ou não) ou prescindido dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Curiosamente, o tipo particular de assédio sexual que terá dado origem ao julgamento anteriormente referido foi um dos temas de actualidade que motivou Paula Torres de Carvalho a escrever um texto intitulado "&lt;em&gt;O lado negro e dividido do sexo&lt;/em&gt;", publicado no caderno P2 da passada segunda-feira, e que provocou reclamações em que volta a estar em causa — embora não só — a edição fotográfica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo propõe-se retratar "as pessoas que sofrem de perturbações sexuais designadas por parafilias", através de uma conversa com o psicanalista Carlos Amaral Dias. A autora optou por escrever um texto com citações do entrevistado (único, neste caso), e não por uma entrevista propriamente dita (perguntas e respostas), pelo que não podem ser atribuídas ao psicanalista todas as afirmações (e juízos) que compõem a peça. Mas é referida a sua preferência pelo termo "perversão" para englobar num mesmo conceito — e essa ideia perpassa por todo o texto — qualquer tipo de práticas sexuais menos convencionais, independentemente da sua natureza e da sua legitimidade jurídica e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra isto protestou a leitora Paula F. (que se identificou devidamente, mas pediu que não fosse aqui referido o seu apelido), considerando que o artigo é marcado pelo "preconceito (...) quanto a sexualidades alternativas" e contribui para "desinformar", nomeadamente ao "juntar num mesmo conceito fetichismo e pedofilia". Na sua opinião, "o erro mais grave está claramente na associação entre uma imagem de conteúdo sexual entre adultos que consentem e um texto que todo ele fala de parafilias e interacções não consensuais, inclusivamente com crianças, ou seja um texto que fala sobre criminosos". A fotografia em causa parece mostrar-nos (digo que parece porque nem tudo é visível) uma mulher sentada sobre as costas de um homem ajoelhado e de mãos no chão, equipado com a parafernália própria da cenografia sadomasoquista, em nada sugerindo o que a leitora designa por "interacção não consensual". Paula F. considera que "a inserção de uma fotografia que nada tem a ver com o texto é ofensiva para quem tem práticas sexuais" menos convencionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo sentido se pronunciou, dias depois, outro leitor devidamente identificado e que não quis ver citado o seu nome. Também ele considera o artigo do P2 "atentatório dos direitos individuais de muitos cidadãos", por estar orientado para considerar desviante e criminosa qualquer prática sexual que fuja à norma", e "[meter] no mesmo saco 'o sadismo, o masoquismo, a pedofilia, o exibicionismo ou o voyeurismo'". E também ele vê na fotografia que "remete para uma cena de sadomasoquismo" uma escolha abusiva para ilustrar uma peça em que, afirma,"todos os casos concretos referidos são criminosos ou patológicos". Este leitor critica ainda outra opção de edição fotográfica, a da capa do P2 que remetia para o texto de Paula Torres de Carvalho, escrevendo que aí se "faz mais outra generalização abusiva, colocando uma &lt;em&gt;stripper&lt;/em&gt; e o título &lt;em&gt;'Quando as disfunções sexuais deixam de ser segredo'&lt;/em&gt;". "Quererá o PÚBLICO" — interroga — "dizer que as &lt;em&gt;strippers&lt;/em&gt; e/ou os seus clientes também sofrem de disfunções sexuais?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face à crítica da primeira leitora, a autora da peça, que explica não ter "a mínima responsabilidade" na escolha das fotografias, defende que se trata de um "equívoco total" de quem entendeu que "o trabalho deveria ser antes sobre sexualidades alternativas", quando se tratou de ouvir "um dos especialistas mais conhecedores" para "uma explicação acerca de comportamentos" como, entre outros, o do acima referido professor. A sua posição, porém, não é consensual na redacção do PÚBLICO. Bárbara Wong, editora do P2, considera que o texto "deveria estar escrito [em forma] de pergunta/resposta (...) a Amaral Dias", para tornar clara a responsabilidade pelas opiniões expendidas, mas defende a escolha da fotografia contestada, já que "transmite uma [das] práticas" referidas no artigo. E a Vanessa Rato, também editora, "pareceu problemático (tal como à leitora) tratar de igual forma fetiches e crimes", não vendo "razão para que o jornal se colasse à opinião questionável (...) de um único profissional, devendo cruzar vozes com distintas posições sobre o tema".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pouco espaço que me resta, gostaria de salientar que, na minha opinião, os leitores têm neste caso toda a razão. Ainda que motivado pelo caso do professor que se fazia passar por mulher, o texto publicado no P2 propõe-se abranger, e não propriamente a propósito, um universo muito mais largo e mistura de facto, por opção ou por falta de clareza, certas preferências sexuais menos convencionais e práticas criminosas, ignorando a distinção básica que separa o sexo consentido entre adultos do mundo do abuso e do crime. A própria terminologia clínica ou moral utilizada ("perturbações", "disfunções", "perversões"), ao abranger indiscriminadamente todas essas situações, indica falta de rigor, e esta torna-se ainda mais patente pela escolha das fotografias, na qual é possível ver alguma cedência ao sensacionalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho também — mas deixo essa questão aos especialistas — que certas opiniões que a leitura do texto sugere serem as do psicanalista ouvido não corresponderão a um consenso científico actualizado, e penso que Vanessa Rato tem razão quando diz que deveriam ter sido ouvidos outros profissionais. Em suma, a noção do serviço a prestar aos leitores — independentemente, já agora, das suas preferências sexuais ou dos olhares que tenham sobre preferências alheias — deveria levar a que se esperasse melhor de um trabalho do PÚBLICO sobre um tema culturalmente controverso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;O problema da identificação de um arguido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Carlos Fabião&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Venho por este meio expressar-lhe a minha perplexidade e indignação por um aspecto reiteradamente referido por este jornal no tratamento da notícia sobre um indivíduo que alegadamente aliciaria outros através da Internet. Nada a dizer quanto ao tratamento factual do caso, mas não consigo descortinar que relevância ou pertinência tenha para o caso a reiterada referência de se tratar de um docente da Universidade de Évora. Que têm as instituições ou empresas a ver com os comportamentos desviantes e os eventuais ilícitos criminais dos seus funcionários? Em nenhum momento se diz que as suas práticas se tenham desenvolvido a partir da Universidade ou com recurso a meios da instituição, nada indica que os alvos do assédio fossem estudantes ou outros funcionários da Universidade, porque razão então a mesma é constantemente referida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na edição de hoje, 9 de Junho, página 8, chega-se ao extremo de ilustrar com uma fotografia da Universidade de Évora a notícia sobre o julgamento do indivíduo. Como é possível?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se acaso o arguido fosse funcionário do jornal Público o tratamento noticioso do tema insistiria nessa relação? Publicaria uma foto das instalações do jornal na notícia sobre o julgamento? Usaria a jornalista de expressões como “o nosso colega, acusado de aliciar outros homens pela Internet…”?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Creio que não o faria… E que, se essa relação laboral existisse, a jornalista e a Redacção do jornal não teria qualquer dúvida em considerar a absoluta irrelevância de tal relação laboral no tratamento do caso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas, para lá da questão de princípio, já de si inadmissível, há uma situação ainda mais grave, se tal é possível! A Universidade de Évora é uma instituição pública de ensino superior e a natureza dos alegados crimes praticados é particularmente sensível; o aliciamento via Internet que, embora não pareça ser o caso, facilmente se confunde com o tema igualmente candente do aliciamento de jovens por essa via. Terá consciência a jornalista, a redacção e o jornal Público do efeito que poderá ter esta reiterada referência à Universidade de Évora na imagem da instituição, sobretudo em um momento tão sensível como este, de final de ano lectivo, quando milhares de jovens se preparam para fazer as suas escolhas de prosseguimento de estudos no ensino superior?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;9 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Carlos Fabião&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta da jornalista Paula Torres de Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em conformidade com o que está estabelecido no Livro de Estilo do jornal e no respeito à presunção de inocência, a prioridade, neste caso, era contar a história sem identificar os arguidos, mas dando o máximo de informação e de contextualização dos factos em julgamento. O que me obrigou ao recurso mais frequente do que o desejável, reconheço, à referência da profissão do principal arguido e onde a exerce. A verdade é que o caso tem a relevância – e o interesse informativo – que tem, precisamente por envolver quem envolve, e não um trolha, por exemplo. E sendo um professor universitário, a obrigatória precisão dos factos narrados – constantes do despacho de pronúncia, portanto, com uma acusação devidamente formalizada pelo Ministério Público, é bom recordar – não dispensa essa explícita referência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acaso os inspectores da PJ igualmente envolvidos neste processo judicial, e assim identificados, co-responsabilizam minimamente a instituição Polícia Judiciária? E todos os mais variados casos, recentes e mais antigos, alguns até bem mais graves, envolvendo administradores de empresas, médicos, informáticos, polícias, militares e por ai adiante: acaso as entidades onde os acusados exerciam funções deixaram de ser referidas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Relativamente à fotografia, aceito que a escolha não foi a mais feliz, embora resulte da decisão de não se publicar imagens da pessoa em causa, contrariamente ao que outros jornais fizeram. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quanto a questão colocada pelo leitor, se o o arguido fosse alguém do PÚBLICO: procederia exactamente do mesmo modo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;11 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Paula Torres de Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Artigo intitulado "O lado negro e dividido do sexo"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta de uma leitora&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Serve o presente email para manifestar a minha admiração por ver um jornal como o Público cometer um erro tão básico como o que foi cometido no artigo citado em epígrafe ["O lado negro e dividido do sexo", publicado na edição de 4 de Lulho de 2o11, no caderno P2].&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não irei sequer referir o preconceito claro que atravessa o texto quanto a sexualidades alternativas. Mas juntar num mesmo contexto fetichismo e pedofilia é claramente sem sentido. Que tivessem feito uma caixa sobre fetichismo ainda era aceitável. Mas o que fizeram foi desinformar uma população já pouco esclarecida quanto à sexualidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O erro mais grave está claramente na associação entre uma imagem de conteúdo sexual entre adultos que consentem e um texto que todo ele fala de parafilias e interacções não consensuais, inclusivamente com crianças, ou seja um texto que fala sobre criminosos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ninguém pode achar que um pedófilo e um fetichista estão no mesmo patamar de parafilia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Acho lamentável a associação de imagens sexualmente atractivas para captar a atenção dos leitores, ignorando completamente que essa associação é errada, falaciosa e manipuladora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Note-se que o artigo nem sequer tem grande validade se tivermos em conta que os casos tratados pelo dr. C. Amaral Dias nesta área foram muito poucos - como o próprio referiu. Portanto limitou-se a dizer generalidades que vêm nos livros. Tudo isso seria aceitável (é preciso encher as páginas com conteúdos que vendam) mas a inserção de uma fotografia que nada tem a ver com o texto é ofensiva para quem tem práticas sexuais que não se limitam às clássicas posições de missionário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acho lamentável. Merecia uma nota dizendo que o Público errou. Porque a associação desse texto a essa imagem só pode ser um erro grosseiro. Estou certa que todos os jornalistas que trabalham para o Público saberão distinguir práticas sexuais consensuais de crimes (práticas não consensuais ou que envolvam crianças, por exemplo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Paula F. (leitora devidamente identificada)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta de um leitor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Remete-se esta nota após a leitura do artigo de destaque do P2 da passada segunda-feira, 4 de Julho (...) Se me dou ao trabalho de escrever é porque o Público é o meu jornal (sim, ainda tenho um jornal), porque reconheço mérito aos seus profissionais (...).O artigo intitulado ‘O lado negro e dividido do sexo’, da autoria de Paula Torres de Carvalho, merece o meu mais completo repúdio. Este artigo é ofensivo, é abusivo e é atentatório dos direitos individuais de muitos cidadãos. Todo ele está orientado para considerar desviante e criminosa qualquer prática sexual que fuja à norma – e vá-se lá saber quem define essa norma – mas que o Público está determinado em tipificar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Comecemos pela imagem: A foto que acompanha esta notícia remete para uma cena de sadomasoquismo, que não é nunca referido no artigo, a não ser na breve referência censória ao fato de existirem clubes sadomasoquistas. Foi escolhido um especialista que assume quase nunca ter tratado destes casos, mas isso não o impede de tecer considerações genéricas que são legitimadas pela jornalista e pelo jornal. No artigo é metido tudo no mesmo saco: “o sadismo, o masoquismo, a pedofilia, o exibicionismo ou o voyeurismo.” Os 'casos' apresentados misturam tudo: a pedofilia, o homem que se fazia passar por mulher, o político que envia fotos íntimas a mulheres, o sádico com fantasias homicidas, o fetichista, o automasoquista, a hipoxifilia, etc. A superficialidade com que tudo isto é tratado é assustadora e revela uma incompetência gritante da jornalista, incapaz de passar para além dos seus próprios preconceitos e da necessidade de fazer passar a sua mensagem de choque. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nada no artigo é inocente e o caráter manipulatório é ultrajante. Todos os casos concretos referidos são criminosos ou patológicos – o do homem que se fazia passar por mulher graças às redes sociais, o do assassino de ratinhos que queria esventrar uma mulher. Pelo meio, atiram-se casos chocantes porque vão contra a moral e bons costumes e que pressupõem a taradice, como o político que envia fotos com uma erecção ou o pedófilo da família. Depois, subtilmente, mistura-se tudo com o sadismo, o masoquismo, o voyeurismo, etc., etc. Até que se consegue o efeito esperado: são todos vítimas de perturbações, de parafilias, de perversões. A quantidade de afirmações tendenciosas que não são fruto de citações directas do especialista garantem que o trabalho da jornalista não é inocente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por fim, o texto vai à capa do suplemento e faz mais outra generalização abusiva, colocando uma stripper e o título “Quando as disfunções sexuais deixam de ser segredo”. Quererá o Público dizer que as strippers e/ou os seus clientes também sofrem de disfunções sexuais? É uma falta de profissionalismo tão grande, um amadorismo tão desmesurado, um preconceito tão radical que tremo em pensar como são feitos os outros artigos e as outras capas do jornal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aliás, imaginemos que é atribuído à mesma jornalista uma reportagem sobre um espectador de um jogo de futebol que, durante o decorrer do jogo, entrou numa discussão com o colega de bancada e o matou. Seguindo o mesmo parâmetro, a jornalista iria entrevistar um especialista em motricidade que não tenha visto mais do que cinco jogos de futebol na vida, contando com as afirmações dele para concluir que todos os oitenta mil espectadores desse jogo são homicidas potenciais ou reais, com sentimentos de culpa ou não; e que os dois milhões que por acaso tenham assistido em casa também não são inocentes, porque uma arcaica edição do manual científico da especialidade assim o define. A foto que ilustraria o artigo seria a do actual secretário de estado da Cultura, porque em tempos publicou um livro chamado ‘Morte no Estádio’. E na capa do suplemento estaria um atleta de judo e um título ‘Prática desportiva revela tendência homicida’. Não tem nada a ver, não é? Pois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Fique o Público a saber que o 'bdsm' ('bondage', dominação, sadomasoquismo) não é considerado parafilia pela maioria dos especialistas de sexologia, que ao contrário do que afirma o ‘especialista’ contactado têm desenvolvido muitos estudos na área e sabem objectivamente do que estão a falar. Todos os praticantes sãos destas artes eróticas implicam sempre o princípio SSC- Seguro, São e Consensual, negando o rótulo de ‘abuso’ a qualquer destas práticas – que apesar do desconhecimento da jornalista, é frequentemente praticado por uma parte respeitável da população, sem que isso implique qualquer espécie de violência ou crime.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) A forma saudável de viver uma sexualidade é assumir os desejos e enquadrá-los, quer socialmente quer em privado. Se isso for feito com respeito pelos parceiros e pelas leis que regem a sociedade, não há nenhum preconceito que se aguente, nem mesmo o que foi pretensamente validado pelo “especialista” contactado. É aliás esta tendência – de equilibrar o desejo com a prática, enquadrando-a socialmente – que é considerada a vivência saudável da sexualidade, não o seu contrário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em tempos, esta mesma guerra moralista já foi travada contra os homossexuais e contra as mulheres – cujo direito ao prazer sexual era considerado, lá está, uma parafilia. É caso para dizer que os tempos mudam mas os preconceituosos ficam no mesmo sítio, a instigar ódios e a espalhar estereótipos. É uma pena saber que o Público fez (faz?) parte da cruzada fundamentalista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;8 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(Leitor devidamente identificado)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comentário de Paula Torres de Carvalho à carta da leitora Paula F.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1. Esta entrevista com Amaral Dias foi realizada a propósito de dois casos da actualidade: o do professor de Évora e o do congressista americano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2 . Amaral Dias é uma autoridade no que respeita ao estudo das parafilias e por isso decidi entrevistá-lo, tendo em vista o enriquecimento e aprofundamento do tratamento do tema. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3. O texto começou por ser criticado [por uma editora] que o considerou “moralista”, facto que contestei, defendendo a manutenção da sua construção, num texto corrido e sem pergunta/resposta. Mas acedi a mudar a entrada, para deixar mais claro que o trabalho resultava de uma entrevista com Amaral Dias. De resto, a estrutura manteve-se. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4. (...) A leitora não tem razão. A leitura, cuja competência científica se ignora e ainda por cima sob anonimato, (o que na minha opinião, nem devia ser acolhido pelo provedor) entendeu que o texto era preconceituoso e que o trabalho deveria ser antes sobre sexualidades alternativas. Equívoco total de quem confunde o que pessoalmente lhe interessava ser tratado com a opção de tratar o assunto com um dos especialistas mais conhecedor do tema para uma explicação acerca dos comportamentos do professor e do congressista. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5. Quanto à fotografia, não me cabe a mínima responsabilidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6. Já agora, convém sublinhar que há de facto perturbações psicológicas relacionadas com práticas sexuais como está bem explicado, aliás, por Amaral Dias. As sexualidades alternativas são outra conversa. Nós, jornalistas, devemos entrevistar quem mais tem competência para falar sobre os assuntos, mesmo que isso nos incomode, vá contra as nossas preferências sexuais, ou simpatia. E correndo os riscos de ofender leitores que gostem de abrir gabardinas ou pôr sacos de plástico na cabeça e ainda por cima que não saibam ler o que está tão claramente escrito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;7 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Paula Torres de Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esclarecimento da editora do P2 Vanessa Rato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Decidi não publicar o texto no dia em que estava previsto (domingo 26, para a edição de segunda 27 de Junho) (...) porque (...) me pareceu problemático (tal como à leitora) tratar de igual forma fetiches e crimes (…). Pareceu-me também que, não sendo afinal uma entrevista pergunta/resposta, não havia razão para que o jornal se colasse à opinião questionável (como todas, no que toca a temas fracturantes) de um único profissional, devendo cruzar vozes com distintas posições sobre o tema e que ajudassem a uma leitura poliédrica da realidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;7 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Vanessa Rato&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;strong&gt;Resposta da editora do P2 Bárbara Wong&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A escolha de imagens foi feita com base no texto escrito. A dada altura, a jornalista transcreve a definição de “parafilia” da Associação Americana de Psiquiatria, que diz: “sexualidade caracterizada por impulsos sexuais muito intensos e recorrentes, por fantasias e/ou comportamentos não convencionais, capazes de criar alterações desfavoráveis na vida familiar, ocupacional e social da pessoa pelo seu carácter compulsivo”. Logo de seguida, o texto continua enunciando a opinião do entrevistado, Carlos Amaral Dias: “Não é por recorrer a algumas destas prática de vez em quando que uma pessoa pode ser considerada perturbada, mas apenas se estas forem a única forma de lhes proporcionar prazer”. A imagem transmite uma dessas práticas. A leitora [Paula F.] não tem razão quando diz que este é “um texto que todo ele fala de parafilias e interacções não consensuais, inclusivamente com crianças, ou seja um texto que fala sobre criminosos", porque o texto é mais abrangente do que isso (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;7 de Julho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Bárbara Wong&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-614723929808819857?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/614723929808819857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=614723929808819857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/614723929808819857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/614723929808819857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/07/sexo-preconceitos-e-fotografia.html' title='Sexo, preconceitos e fotografia'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-9034025431700700341</id><published>2011-07-03T17:19:00.003+01:00</published><updated>2011-07-05T15:43:38.884+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Correcções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Títulos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Omissões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rigor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Ninguém ouve o que dizem os leitores?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 3 de Julho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é vulgar uma pequena notícia ser afectada por tantas imprecisões, omissões ou falhas de rigor como as que várias leitoras apontaram à peça intitulada "&lt;em&gt;Quase um terço dos bolseiros apoiados pelo Estado não provou que fez o doutoramento&lt;/em&gt;", publicada na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; deste jornal no passado dia 23 de Junho. Tudo indica, no entanto, que foi isso mesmo que sucedeu, com a agravante de nada ter sido corrigido ou esclarecido até hoje, apesar de numerosas chamadas de atenção por parte de leitores mais atentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou procurar resumir aqui [na edição em papel do PÚBLICO] o essencial do caso, remetendo para o meu blogue [ver abaixo] a argumentação detalhada constante das reclamações que me foram enviadas pelas leitoras Patrícia Dias da Silva, Mariana Ricca e Rita Campos, bem como a explicação que recebi do jornalista João d'Espiney, autor do texto criticado. E registo que a notícia em questão não foi publicada na edição impressa, o que se estranha face à relevância que o seu título sugere, mas que admito poder ter resultado de uma vigilância editorial que estará a ser descurada na edição para a Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça questionada pelas leitoras citadas noticia um relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) sobre a acção social escolar no ensino superior, em que à comunicação dos resultados de uma auditoria aos auxílios públicos nessa área (nomeadamente bolsas de estudo) se acrescentam, de modo no mínimo pouco claro, elementos sobre as despesas de investimento na área da ciência e tecnologia (nomeadamente bolsas para doutoramento). Pude confirmar que a redacção desse relatório é pouco cuidada, propiciando alguma confusão entre bolsas de natureza totalmente distinta. No entanto, pelo modo como foi construído, o texto publicado não só não esclarece essa confusão como a agrava, contribuindo para inquinar as conclusões a retirar sobre um tema indiscutivelmente relevante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lê-se na notícia, logo a abrir, que "quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 'não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses'", e cita-se a IGF para anunciar estarem em causa "1432 bolseiros" e "apoios de 91,2 milhões de euros". A divulgação de números como estes contribui naturalmente para uma percepção pública muito negativa da condução da política de fomento da investigação científica, como logo se verificou com alguns dos comentários publicados junto à notícia na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, lamentando o desperdício de "dinheiros públicos" ou sentenciando que, assim, "não admira que o país não cresça e não produza". Um "anónimo de Lisboa" apressou-se a censurar "o regabofe de andar a distribuir bolsas só para compor estatísticas" e acusou os que andam "a tirar doutoramentos sem qualquer utilidade" de o fazerem "à custa do zé contribuinte". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que tão tremendas conclusões — que põem em causa a honorabilidade de muitos investigadores e a reputação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que é a entidade que promove estes apoios à investigação — assentam, segundo os esclarecimentos que me chegaram, em pressupostos falsos ou equívocos lamentáveis, para além da já referida confusão entre diferentes tipos de bolsas. A afirmação em que se baseia o título da notícia —"quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 'não cumpriram [sic] com a obrigação de envio de cópias das teses'" — choca desde logo com o facto de as bolsas serem geralmente concedidas para um período até quatro anos e sujeitas a mecanismos de controlo anual, o que retira fundamento à ideia de que, em 2011, os beneficiários estariam a faltar a uma obrigação que não teriam de cumprir senão dois anos depois. Acresce que tal obrigação nem sequer existe: o envio das teses à entidade financiadora, que na peça se confunde com a comprovação do doutoramento, cabe às instituições que conferem o grau académico, e não aos bolseiros. É certo, como mostram as queixas das leitoras, que a expressão "bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009" pode dar lugar a interpretações diversas, mas é igualmente certo que nenhuma delas permite sustentar com algum rigor o título escolhido ou o número nele referido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor da notícia reconhece que "os leitores têm razão quanto aos erros informativos" e acrescenta: " Sem querer desculpá-los, o facto é que me limitei a transcrever as conclusões de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças, que a mesma resumiu no relatório de actividades de 2010". É uma explicação a que a leitora Mariana Ricca objecta por antecipação: "Dir-me-ão que no artigo apenas se limitaram a relatar as conclusões de um relatório da IGF. Eu direi 'muito bem', mas isso não é jornalismo. Se apenas querem relatar as conclusões do relatório indiquem onde se pode encontrar o dito. (...) A objectividade jornalística não é posta em causa por se questionar a realidade e os relatórios de auditorias. O jornalista (...) poderia, por exemplo, ter procurado alguns desses 1432 bolseiros (...) ", ou ter dado "uma vista de olhos pelo regulamento das bolsas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreve ainda João d'Espiney: "Sendo certo que a informação disponibilizada suscitou algumas dúvidas, desde logo por não referir a entidade auditada, o facto é que à hora em que peguei nesta parte do relatório (já eram quase 21 horas) já não estava ninguém na assessoria de comunicação do Ministério das Finanças, e a IGF, por norma, não fala com os jornalistas". O que me reconduz à questão que aqui tenho repetidamente levantado, sobre a pressa incompreensível de colocar em linha informações que não foram devidamente verificadas, com evidente prejuízo para a imagem de qualidade de que o jornal se reclama. Para mais, quando a informação em causa "suscitou algumas dúvidas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deveria, em boa lógica jornalística, ter suscitado muitas mais, antes de se afirmar o que se afirmou assertivamente em título. Socorro-me do que escreveu a leitora Rita Campos: "A parte do texto que se refere às bolsas de doutoramento e ao suposto incumprimento dos bolseiros é omissa em questões importantes. (...) A auditoria de 2009 diz respeito a todos os bolseiros a quem foi atribuída bolsa de doutoramento ou apenas aos que já teriam acabado de receber a bolsa? Assumindo que se tratava deste último caso, os bolseiros já marcaram as provas ou defenderam o seu doutoramento? Ainda partindo do princípio de que se trata apenas de bolseiros que deveriam ter acabado o seu doutoramento em 2009, quantos destes desistiram e quantos têm o seu trabalho atrasado (situação mais comum)? Se desistiram ou têm o trabalho atrasado, qual a posição dos seus orientadores, responsáveis pelo acompanhamento do plano de trabalhos e pela renovação anual das bolsas? E da entidade financiadora?". A estas e outras perguntas que serviriam neste caso concreto para exemplificar o que deve ser a atitude jornalística perante uma informação de partida (oficial ou não), o PÚBLICO não respondeu. Nem a 23 de Junho nem depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me leva ao que considero ser o aspecto mais grave deste caso. Ao longo do próprio dia 23 e nos dias seguintes, dezenas — sim, dezenas — de leitores utilizaram o espaço de comentários do Público Online para reagir a esta peça, apontando erros, corrigindo imprecisões e levantando dúvidas sobre o que fora publicado. No seu conjunto, essas mensagens representam, como qualquer leitor que se disponha a consultá-las poderá comprovar, uma crítica demolidora à qualidade da peça sobre os bolseiros. Mas revelam também, da parte de muitos leitores, uma atitude generosa de cooperação com o jornal, na correcção de erros e na busca do rigor informativo. Já aqui referi, a propósito de outro caso: "A atenção crítica dos leitores é um valor precioso, que é desperdiçado se os seus comentários não forem lidos e transmitidos em tempo útil. Uma notícia deficiente ou um título errado devem ser corrigidos logo que possível, e as correcções devem ser assinaladas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa a pergunta que se impõe: ninguém, na redacção do PÚBLICO, reparou nessa torrente de mensagens pondo em causa uma notícia? Ninguém as leu (o que seria contraditório com a regra de moderação dos comentários)? Ninguém reflectiu? Ninguém avisou? Ninguém considerou necessário confirmar as abundantes informações que continham? Ninguém concluiu que a notícia deveria ser corrigida e, sobretudo, que passava a ser dever do jornal investigar devidamente o tema, de acordo com regras de qualidade informativa? Se ninguém o fez, só posso constatar que tal significa, na hipótese mais benévola, falta de consciência do respeito devido aos leitores. E fazer minha a interrogação de um desses comentadores: "Quando é que o PÚBLICO corrige (retira) um título de notícia manifestamente errado?". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordando com a sugestão da leitora Rita Campos, de que as deficiências da peça de 23 de Junho e a relevância do tema justificam a elaboração de um novo texto, que retrate com rigor o que se passa com as bolsas de doutoramento, João d' Espiney diz que "isso só não aconteceu porque a FCT ainda não respondeu, até ao momento, a um conjunto de questões [colocadas na passada segunda-feira] no sentido de obter todos os esclarecimentos sobre o assunto". Esperando que essa dificuldade seja rapidamente ultrapassada, devo ainda assim observar que um melhor aproveitamento da ajuda prestada pelos seus leitores já deveria ter tornado possível a um jornal diário como o PÚBLICO emendar, em aspectos relevantes, um erro informativo que está exposto há dez dias na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícia publicada no Público Online (23 de Junho de 2011, às 08h06)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Inspecção-Geral de Finanças / Quase um terço dos bolseiros apoiados pelo Estado não provou que fez o doutoramento &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Por João d´Espiney)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 “não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses” e a entidade que atribuiu o dinheiro não suscitou “a sua regularização”. Em causa estão, segundo os resultados de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), 1432 bolseiros e apoios de 91,2 milhões de euros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A IGF não identifica a entidade em questão no relatório de actividades de 2010, limitando-se a referir que fez uma auditoria às despesas de investimento “na área da ciência e tecnologia”, presumindo-se por isso que seja a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os gastos com apoios financeiros ao fomento da ciência e tecnologia totalizaram os 437,5 milhões de euros em 2009 e, segundo a IGF, “não se encontravam previstas penalizações financeiras em caso de desistência dos bolseiros para doutoramento”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A auditoria aos auxílios públicos na área da Acção Social Escolar concluiu ainda que “a despesa pública com bolsas de estudo a estudantes do ensino superior público e privado atingiu os 122,7 milhões de euros”, tendo sido atribuídas 79.935 bolsas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A IGF detectou, no entanto, que “a plataforma informática que agiliza o processo de atribuição de bolsas de estudo ainda não abrange todos os estabelecimentos de ensino superior” e que “o sistema de controlo interno dos apoios sociais revelou algumas insuficiências, nomeadamente, incorrecções nos apoios concedidos e na determinação e apuramento do rendimento global do agregado familiar”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O relatório da IGF lembra ainda que “no ano lectivo de 2010/2011 foi adoptado um único regulamento e normas técnicas nacionais que uniformizam os critérios de atribuição de bolsas de estudo”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta da leitora Patrícia Dias da Silva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Como poderá ler nos comentários da notícia, esta está muito mal investigada, mostrando um desconhecimento total dos processos noticiados e gerando confusão. Infelizmente, uma confusão que por muitos é suspeitada como intencional, dado se saber dentro do mundo da ciência que a questão das bolsas é um tema quente e considerado como um alvo a abater. Mas passando às incorrecções factuais - poderia alongar-me nos motivos para a minha indignação, mas penso que é claro lendo a explicação, como já referi, presente nos comentários: por um lado, as bolsas de doutoramento e as bolsas de apoio social são duas coisas completamente distintas, atribuídas segundo princípios completamente diferentes (as primeiras através de concurso, as segundas por avaliação de condição financeira) e segundo processos distintos (as primeiras através da FCT, as segundas através dos Serviços Sociais das universidades - mesmo que o financiamento venha da FCT); por outro, não se percebe a data de 2009 (sendo as bolsas de 4 anos, não faz sentido que se questione a entrega), nem se indica que há mecanismo de controlo anuais. Concordo plenamente que os bolseiros de doutoramento (que sou) tenham que entregar as suas teses ou sejam penalizados de alguma forma. Contudo, esta notícia não explica de onde vem o título, em especial o cálculo desse dado (um terço), em especial dada a confusão entre bolsas. Não se comenta a precariedade em que os bolseiros se encontram - nem o facto de sustentarem muita da investigação feita em Portugal. Não se menciona a notícia muito divulgada, inclusive pelo Público, de que as bolsas de apoio social têm sofrido enormes atrasos no seu pagamento, com consequências graves para quem as recebe (até porque só as recebe quem tem carências financeiras e não consegue sustentar os seus estudos). Tenho um grande respeito pelo Público, por isso gostaria que este tipo de notícias - de enorme importância e com possíveis consequências para os retratados - não estivesse cheia de incorrecções que deturpam o seu sentido e a sua interpretação (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;24 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Patrícia Dias da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta da leitora Rita Campos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No passado dia 23 de Junho de 2011 (edição on-line), na secção “Educação”, João d’Espiney escreveu um texto que intitulou “Quase um terço dos bolseiros apoiado pelo Estado não provou que fez o doutoramento”, no qual pretende descrever o referido incumprimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Começando no sensacionalismo do título, todo o artigo não passa de um excelente exemplo de péssimo serviço informativo. Além de misturar dois tipos muito distintos de bolsas - bolsas de investigação e bolsas de acção social, como tudo o que isso implica no processo de atribuição e renovação das mesmas - a parte do texto que se refere às bolsas de doutoramento e do suposto incumprimento dos bolseiros é omissa em questões importantes, tais como: a auditoria de 2009 diz respeito a todos os bolseiros a quem foi atribuída bolsa de doutoramento ou apenas aos que já teriam acabado de receber a bolsa? Assumindo que se tratava deste último caso, os bolseiros já marcaram as provas ou defenderam o seu doutoramento? Ainda partindo do princípio de que se trata apenas de bolseiros que deveriam ter acabado o seu doutoramento em 2009, quantos destes desistiram e quantos têm o seu trabalho atrasado (situação mais comum)? Se desistiram ou têm o trabalho atrasado, qual a posição dos seus orientadores, responsáveis pelo acompanhamento do plano de trabalhos e pela renovação anual das bolsas? E da entidade financiadora? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uma vez que João d’Espiney “deduz” que a entidade financiadora é a FCT, convém também lembrar o artigo 27º, ponto 2.c. do Regulamento da Formação Avançada e Qualificação de Recursos Humanos 2011: “A bolsa pode ainda incluir as componentes seguintes, eventualmente cumulativas entre si: c. Subsídio de apoio aos custos envolvidos na execução gráfica da tese e na obtenção do certificado do grau obtido. Este subsídio só é atribuído depois de recebida na Fundação para a Ciência e a Tecnologia uma cópia autenticada daquele certificado.”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por falta de espaço para arquivo, a FCT já não pede o envio de uma cópia da tese mas sim o certificado da obtenção do grau. No entanto, acreditando que as bolsas referidas no texto ainda teriam sido atribuídas ao abrigo de regulamentos que impunham o envio de uma cópia da tese como prova da sua impressão, a única penalização para quem não a enviasse era não haver lugar ao subsídio extra referido no excerto transcrito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não bastando a falta de um mínimo de investigação sobre o tema antes de escrever o texto, João d’Espiney escolheu rematar o parágrafo dedicado aos bolseiros de doutoramento citando a IGF: “Não se encontravam previstas penalizações financeiras em caso de desistência dos bolseiros para doutoramento”. Como referi em cima, a renovação anual das bolsas é avaliada pela entidade que as financia com base num relatório de trabalho e no parecer do orientador do bolseiro. Assim, e ainda que possamos admitir que o bolseiro desista no final de um ano de bolsa ou sem produzir resultados (de notar que, dependendo das áreas de investigação, obter resultados robustos pode demorar muito tempo), deixo apenas uma pergunta: algum trabalhador é obrigado a devolver os salários na altura em que rescinde um contrato de trabalho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para terminar o já longo texto, resta-me concluir que tão pobre peça “jornalística” numa altura de crise e mudança de governo serve apenas o propósito de desinformar a opinião pública, ajudando a possíveis cortes no investimento de actividade de I&amp;amp;D, principalmente no que se refere ao financiamento de projectos de investigação fundamental. Considerando ser o Público um jornal com critérios de qualidade jornalística elevados, venho por este meio solicitar a publicação de uma versão rigorosa e devidamente fundamentada do texto em questão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;30 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Rita Campos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta da leitora Mariana Ricca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No dia 23 de Junho, uma notícia intitulada "Quase um terço dos bolseiros apoiados pelo Estado não provou que fez o doutoramento", assinada por João d´Espiney , foi publicada no Público online. No referido artigo, falava-se dos resultados de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças às despesas de investimento “na área da ciência e tecnologia” de uma entidade não identificada e também da auditoria aos auxílios públicos na área da Acção Social Escolar. No destaque diz-se "Quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 “não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses” e a entidade que atribuiu o dinheiro não suscitou “a sua regularização”. Em causa estão, segundo os resultados de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), 1432 bolseiros e apoios de 91,2 milhões de euros".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Misturar os dois tipos de bolsas no mesmo artigo - bolsas de apoio social (atribuídas através dos Serviços de Acção Social dos estabelecimentos do Ensino Superior por ano lectivo, até ao máximo de 10 meses, aos estudantes economicamente carenciados ou portadores de deficiência e com aproveitamento escolar) e as de doutoramento (4 anos no máximo, atribuídas após concurso público com plano de trabalhos sujeito à apreciação de um júri e tendo de ser renovada anualmente, mediante uma declaração do orientador de como o plano de trabalhos proposto está a ser cumprido) - já seria o suficiente para tornar o texto confuso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas a notícia não é apenas confusa, é mesmo de uma falta de rigor espantosa, que dá azo a reacções populistas de ataque ao investimento na ciência e na qualificação dos investigadores. Aparentemente, gente desonesta açambarcou 91,2 milhões de euros ao Estado e ninguém da entidade financiadora quer saber! Basta ler alguns dos comentários ao artigo para se perceber que parte da opinião pública absorveu assim a notícia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Enumerarei por pontos, para que fique claro, porquê os título, destaque e texto do artigo não fazem sentido ainda que fossem essas as conclusões do relatório da IGF. Presumo, tal como o jornalista, que a entidade financiadora de bolsas de doutoramento em causa seja a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1. Pode dar-se o caso desses 1432 bolseiros ainda não terem terminado a tese. A bolsa de doutoramento é de 4 anos no máximo, mas ninguém é obrigado a terminar a tese ao final desses 4 anos. É bem provável que grande parte desses 1432 bolseiros esteja sem receber enquanto não entrega e defenda a tese (e continue aliás a pagar as respectivas propinas anuais à universidade em que está inscrito).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2. Como já referi anteriormente, as bolsas de doutoramento têm de ser renovadas todos os anos, depois da apresentação do relatório de actividades e da declaração do/a orientador/a de doutoramento de como o plano de trabalhos tem sido cumprido. Isto significa que os 1432 bolseiros referidos entregaram o relatório de actividades dos anos 1,2 e 3 de bolsa e portanto não são uns "madraços" que andaram a gozar férias durante 4 anos à custa do QREN. Acresce que a razão pela qual não existe muitas vezes um relatório de 4º ano de bolsa é porque a própria tese pode funcionar como relatório de 4º ano (e portanto muitas vezes é entregue com atraso). O bolseiro deverá no entanto ter informado a FCT da sua situação e enviado um parecer de adiamento pelo bolseiro e pelo orientador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3. Segundo o ponto 2 do artigo 33 do regulamento das bolsas, cabe à instituição que confere o grau (ou seja, aquela na qual o bolseiro está inscrito como aluno) fazer prova da entrega da respectiva tese para submissão a provas, sob pena de devolução integral à FCT dos custos de formação. Como o referido relatório da IGF é das actividades de 2010, ainda faltava um ano para se cumprir o tal prazo de dois anos sobre as bolsas terminadas em 2009. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4. Nenhum bolseiro de doutoramento tem que "fazer" o doutoramento como é implícito no título. Como está claro nos pontos anteriores, o bolseiro tem que fazer prova de que entregou a tese para avaliação. Eventualmente pode não obter o grau. Pelo caminho até pode desistir (Artigo 36º, ponto 2).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dir-me-ão que no artigo apenas se limitaram a relatar as conclusões de um relatório da IGF. Eu direi "muito bem", mas isso não é jornalismo. Se apenas querem relatar as conclusões do relatório indiquem onde se pode encontrar o dito. Um artigo de um jornal deve reflectir sobre a realidade. A objectividade jornalística não é posta em causa por se questionar a realidade e os relatórios de auditorias. Aliás, o jornalista que se deu ao luxo de presumir uma coisa, em todo o texto, poderia ter tido igual sentido crítico relativamente ao resto. Poderia, por exemplo, ter procurado alguns desses 1432 bolseiros, saber em que estado está o seu doutoramento, e procurar reflectir sobre o porquê dos atrasos, e sobre o que está bem ou mal no funcionamento da FCT. Nada do que escrevi é informação privilegiada e de difícil acesso - bastava dar uma vista de olhos pelo regulamento das bolsas - e até há vários comentários no vosso site a este texto explicitando os erros crassos deste artigo. Um deles de dia 26 de Junho, de alguém que assina como "cidadão" do Porto pergunta - "Quando é que o Público corrige (retira) um título de notícia que está demonstrada e manifestamente errado - e configura, mesmo, um caso de desinformação que, no limite, pode levantar legítimas suspeitas sobre objectivos menos correctos que se visariam?". Eu pergunto o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;30 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Mariana Ricca&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas dirigidas ao autor da notícia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; Considera que os leitores têm razão quanto aos erros informativos que apontam? Em caso afirmativo, o que os explica?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Considera que os leitores têm razão na crítica ao título escolhido? O que explica essa escolha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; As numerosas críticas à notícia enviadas para a respectiva caixa de comentários não deveriam ter suscitado correcções e/ou explicações? E não deveriam ainda suscitá-las?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; Tendo em conta a relevância do tema, não deveria ser publicado um novo texto, que retrate com rigor a situação, como sugere uma das leitoras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;5)&lt;/strong&gt; Por que é que a notícia foi publicada apenas na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;J.Q.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Respostas do jornalista João d'Espiney&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; Os leitores têm razão quanto aos erros informativos. Mas sem querer desculpá-los, o facto é que me limitei a transcrever as conclusões de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças, que a mesma resumiu no relatório de actividades de 2010, e que em baixo reproduzo na íntegra. E sendo certo que a informação disponibilizada suscitou algumas dúvidas, desde logo por não referir a entidade auditada, o facto é que à hora em que peguei nesta parte do relatório (já eram quase 21 horas) já não estava ninguém na assessoria de comunicação do Ministério das Finanças, e a IGF, por norma, não fala com os jornalistas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Não considero que tenham razão. A IGF concluiu que “30 % dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento (1.432) não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses (cujo valor dispendido se estima em M€ 91,2), sem que a entidade tenha suscitado a sua regularização”. A escolha do título, da minha responsabilidade em conjunto com o meu editor Tiago Luz Pedro, deveu-se ao facto de termos considerado a conclusão mais relevante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3 e 4)&lt;/strong&gt; Deveriam sem dúvida. Isso só não aconteceu porque a Fundação para a Ciência e Tecnologia ainda não respondeu, até ao momento, a um conjunto de questões que um colega meu lhes colocou na segunda-feira no sentido de obter todos os esclarecimentos sobre o assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;5)&lt;/strong&gt; Na edição papel de quinta-feira, já não havia espaço. E ficou decidido que o faria para o on-line. Eu enviei a notícia para publicação mas, por esquecimento, a noticia só acabou por sair na manhã do dia seguinte. A razão pela qual a notícia não saiu na edição papel de sexta-feira já não lhe sei responder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1 de Julho de 2011 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;João d’Espiney&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;RELATÓRIO DA IGF&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acção Social Escolar no Ensino Superior &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na auditoria aos auxílios públicos na área da Acção Social Escolar no Ensino Superior, conclui-se o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;a) Em 2009, a despesa pública com bolsas de estudo a estudantes do ensino superior público e privado (79,935 bolsas de estudo) atingiu M€ 122,7, dos quais M€ 77,4 foram pagos por Direcção-Geral do MCTES; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;b) A plataforma informática que agiliza o processo de atribuição de bolsas de estudo ainda não abrange todos os estabelecimentos de ensino superior público; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;c) No ano lectivo de 2010/2011 foi adoptado um único regulamento e normas técnicas nacionais que uniformizam os critérios de atribuição de bolsas de estudo; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;d) O sistema de controlo interno dos apoios sociais revelou algumas insuficiências, nomeadamente incorrecções nos apoios concedidos e na determinação e apuramento do rendimento global do agregado familiar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No âmbito da auditoria às despesas de investimento na área da ciência e tecnologia, conclui-se que: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;a) Os gastos com apoios financeiros ao fomento da ciência e tecnologia atingiram os M€ 437,5 em 2009; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;b) Não se encontravam previstas penalizações financeiras em caso de desistência dos bolseiros para doutoramento; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;c) 30 % dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento (1.432) não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses (cujo valor dispendido se estima em M€ 91,2), sem que a entidade tenha suscitado a sua regularização; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;d) Existem alguns pontos fracos no sistema de controlo interno, v.g. quanto aos manuais de procedimento e de controlo interno e a nível da interligação dos sistemas informáticos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comentários de leitores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se uma selecção de comentários de leitores enviados para o Público Online, reagindo ao teor da notícia e contribuindo, em alguns casos, com informações relevantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Jornalistas mal informados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Os bolseiros não têm que enviar uma cópia da tese no fim. É falso. Têm que a enviar se já a tiverem terminado, caso contrário enviam um relatório de fim de bolsa ao fim do período máximo de bolsa (quatro anos) e depois enviam a tese quando a terminarem. Evidentemente, depois dos quatro anos deixam de receber salário, que é o meu caso: concorri e consegui um salário do laboratório onde faço investigação aqui em Portugal. Apenas escrevo isto antecipando os comentadores a pedir que rolem as cabeças da FCT e dos bolseiros...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Miguel, Lisboa. 23.06.2011 08:40&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;E se estudassem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E se os jornalistas estudassem para darem noticias com rigor? No final de cada ano os bolseiros têm de enviar um relatório com supervisão do seu orientador que dá conta do cumprimento do plano de trabalhos. Existe sempre o controlo de quem cumpriu o seu plano de trabalhos. Se muitos dos bolseiros não enviam a tese é porque é muito caro, todavia naturalmente que no final o tal relatório prova a conclusão de trabalhos. Para quem não sabe um bolseiro ganha 900 euros x 12 meses. Não tem subsídio de férias nem de Natal e se estiver doente não tem baixa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Anónimo, Valença. 23.06.2011 10:27&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;O Público errou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Há algo aqui que está errado. Como é que um bolseiro de doutoramento, cuja bolsa foi aprovada em 2009, pode fazer prova de que fez o doutoramento? Não fez, claro está. Os doutoramentos fazem-se em mais tempo... Este texto confunde bolsas de doutoramento com bolsas de apoio social. Eu tenho uma bolsa desde Março de 2008, a qual termina em Março do próximo ano. Anualmente tenho de prestar contas do meu trabalho de investigação através de um relatório entregue ao orientador e da entrega, à FCT, de uma declaração do meu orientador a dizer que estou a cumprir o plano de trabalhos aprovado. Caso não o faça, a bolsa não é renovada. Muito me espanta esta notícia. Parece-me que, com ela, o que se pretende é atacar a situação de pessoas que trabalham tanto quanto as outras. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Maria do Carmo Piçarra , Caxias. 23.06.2011 10:29&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Bolsas sociais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;As bolsas de doutoramento e as bolsas de apoio social são duas coisas completamente distintas, atribuídas segundo princípios completamente diferentes (as primeiras através de concurso, as segundas por avaliação de condição financeira), por processos distintos (as primeiras através da FCT, as segundas através dos Serviços Sociais das universidades - mesmo que o financiamento venha da FCT), e a níveis de ensino superior diferentes (não há bolsas de apoio social para doutoramento). Já agora o ano passado houve um atraso escandaloso no pagamento das bolsas de apoio social, com consequências graves para muitos dos seus beneficiários. Certamente o Público terá noticiado isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Maria, Caxias. 23.06.2011 10:36&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Inadmissível (a notícia)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Parece-me inadmissível que nesta amostra de notícia se misturem duas situações completamente distintas. Num caso as bolsas sociais, destinadas a alunos menos favorecidos, e por isso dependentes de avaliação da condição financeira (comprovativos de rendimentos, etc.), atribuídas pelos Serviços Sociais das universidades, e limitadas aos graus de licenciatura e (salvo erro) mestrado. E, já agora, por vezes com atrasos escandalosos, como certamente o Público já terá noticiado. As bolsas de investigação, de que as mais comuns são as de doutoramento, são atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (ou directamente, ou indirectamente, através de projectos financiados). Apenas essas estão sujeitas, como me parece óbvio, à entrega de prova documental de conclusão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Jorge Rosa , Lisboa, Portugal. 23.06.2011 10:40&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Noticia mal alinhada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fui uma bolseira de doutoramento entre 2004 e 2008, e todos os anos tinha de enviar documentação em como continuava a fazer o meu doutoramento com comprovativos de matrícula na Universidade. Quando terminei, para receber o subsídio de apoio à impressão de tese, tive de enviar uma cópia da mesma em 2010. Sempre que faltavam documentos, a bolsa ou subsídio não eram pagos, sem nenhum aviso. Portanto, custa-me muito acreditar no conteúdo desta notícia, que parece querer fazer passar bolseiros por aldrabões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Cláudia Campos, Lisboa. 23.06.2011 11:07&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Normal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Esta notícia não é bem uma notícia. Primeiro porque a fiscalização é praticamente nula, até em questões como a exclusividade na execução das teses: supostamente não se pode trabalhar enquanto se recebe um bolsa (vá-se lá saber porquê), mas muita gente trabalha. Segundo, isto só é problemático se 2011 for o ano de entrega das teses. Contudo, se os apoios para as teses foram recebidos em 2009, importa saber a que ano de doutoramento corresponde, porque se são doutoramentos só iniciados em 2009, e tendo em conta que os doutoramentos duram no mínimo 3 anos (podem durar até 6 se forem feitos em tempo parcial e podem ser pedidos adiamentos), então as teses só serão entregues em 2012. Logo, não é estranho não terem sido entregues em 2011 porque podem ainda estar a decorrer...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Anónimo, Lisboa. 23.06.2011 11.34&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;A IGF está a delirar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A IGF esqueceu-se de ler o Artigo 33º do Regulamento das Bolsas, que em parte alguma diz que os bolseiros devem enviar cópia da tese à FCT. O que tem de ser submetido até 60 dias após o fim da bolsa é o "relatório final das suas actividades, onde constem os endereços URL das comunicações e publicações resultantes da actividade desenvolvida". Como se sabe, a tese não é nem um relatório, nem uma comunicação, nem uma publicação. Aliás, 60 dias após o fim da bolsa, a maior parte dos bolseiros ainda não defendeu a sua tese, por isso esta não poderia ter sido publicada. A prova do sucesso do doutoramento terá de ser feita pela Universidade responsável no espaço de 2 anos, como se lê no número 2 do mesmo Artigo 33º.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Filipe Correia, Porto. 23.06.2011 11:54&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Pontos nos is&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1 - As bolsas sociais de apoio ao ensino superior são completamente diferentes das bolsas à investigação (atribuídas por concurso e mérito) e esta notícia, dada, assim, "mete tudo no mesmo saco". 2 - Os bolseiros que começaram um doutoramento em 2009 nunca poderiam ter feito prova da conclusão simplesmente porque não concluíram ainda o doutoramento (o meu, por exemplo, é de cinco anos). 3 - Notícias como esta, dadas assim, ajudam a fomentar reacções e pretextos para por em causa uma investigação séria e aplicada que tantas vezes prestigia e valoriza o nosso país. 4 - Sugiro que o Público, em complemento a este tipo de notícias - ainda para mais incorrectas -, informe também os seus leitores da situação precária em que se encontram os investigadores portugueses.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Helena Brandão, Lisboa, Portugal. 23.06.2011 12:06&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Os bolseiros de 2009 ainda não terminaram a tese...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Penso que haverá um erro na escrita deste artigo e que a meu ver descredibiliza a informação. Uma vez que os estudantes de doutoramento que iniciaram as suas bolsas em 2009 só são esperados terminá-la em 2013, poderá o Público comentar a afirmação que faz logo na abertura do artigo e que diz "Quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 “não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses” ? Por favor, tenham mais cuidado com a escrita dos artigos! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Pixie, Portugal. 23.06.2011 12:31&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;2009, 2013&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por erro ou omissão, o título esconde que a auditoria se refere ao ano de 2009; generaliza incorrectamente; pior: um doutoramento em ciências demora 4 anos, a maior parte dos bolseiros apoiados em 2009 não pode provar que fez a tese ... porque ainda não a terminou! Pode haver má gestão na ciência, mas há muito má informação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;António Correia, Aveiro. 23.06.2011 15:25&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Incrível o sensacionalismo da notícia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em primeiro lugar, quem entrega a tese à FCT recebe dinheiro extra, portanto todas as pessoas têm incentivo em entregar. Em segundo lugar, a bolsa tem duração máxima de 4 anos e um doutoramento leva em média 5 a 6 anos a terminar numa boa escola (depende sempre da área), portanto não entregar a tese significa em muitos casos que ainda não se tem a tese para entregar. Em terceiro lugar, quanto a se devolver o dinheiro no caso de desistência, parece-me que as pessoas estão a ser pagas pelo seu trabalho e para sobreviver, devolver o dinheiro seria comparável a que uma pessoa que pede demissão tivesse de devolver os seus salários de volta. Aceito que possa haver uma penalização por se desistir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Anónimo, Lisboa, Portugal. 23.06.2011 15:41&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Notícia confusa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="background-color: blue;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A notícia é muito estranha, 1432 bolseiros, responsáveis por 91 milhões de euros, não entregaram teses? Mas não há adiamentos possíveis? Os prazos são muito complexos. Os bolseiros têm de entregar relatórios anuais, assinados pelo orientador ou a bolsa não é renovada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Eduardo, Lagos. 23.06.2011 16:14&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Nota&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ora bem, o cabeçalho da notícia diz o seguinte: "Quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses”. Por esta frase eu presumo que se estejam a referir às pessoas que em 2009 obtiveram bolsa de doutoramento. Se assim for estes bolseiros possuem 4 anos de bolsa para terminar o doutoramento. Logo, até me parece muito positivo que apenas um terço não tenha ainda entregue cópia da tese de doutoramento. Significa que dois terços daqueles que obtiveram bolsa de doutoramento em 2009 concluíram o doutoramento em menos de 4 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Patrícia Matos, Lisboa. 23.06.2011 16:21&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Excelente resultado, pelos vistos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ora bem, se apenas quase 1/3 dos bolseiros que receberam bolsa em 2009 não entregaram o doutoramento, então mais de 2/3 fizeram-no e no espectacular tempo de 2 anos (!), pois estamos em 2011. A notícia está claramente incompleta e padece de um problema fulcral: não é esclarecedora de coisa nenhuma. Enfiar números avulso é desinformação. Se o problema é não haver mecanismos controladores de incumprimento, que os façam de forma rigorosa e justa. Agora, parece-me absurdo este tipo de conclusões com números disparados para o ar desta forma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Mário Gonçalves, Oeiras. 23.06.2011 16:36&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Desperdiçar o dinheiro dos contribuintes?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dêem uma olhadela ao Regulamento da Bolsas de doutoramento da FCT (Artigo 33º). Em parte alguma o regulamento requer ao bolseiro o envio da tese após a conclusão da bolsa. Apenas é imposta à instituição que concede o grau que no espaço de 2 anos confirme a conclusão bem sucedida do doutoramento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Filipe Correia, Porto. 23.06.2011 17:06&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Os maus da fita&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Esta notícia vem mesmo a calhar bem, cinco dias antes do encerramento das candidaturas a bolsas de doutoramento da FCT já na próxima segunda feira...será apenas casual a descredibilização dos investigadores que esta notícia, e a sua substância parcial, confusa e mal informada, parece querer veicular e passar para boca do povo? Quererá ela preparar a opinião pública para cortes que, de outra forma, não têm razão de ser? E lá porque as tutelas se misturaram, é perigoso que Público não saiba distinguir entre bolsas de acção social e bolsas de investigação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Anónimo, Lisboa. 23.06.2011 17:24&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Não se percebe a reclamação da IGF&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ou os inspectores da IGF não sabem interpretar os regulamentos das bolsas (eu, por exemplo, tenho bolsa desde Janeiro de 2009 e como é evidente ainda não entreguei a tese, pois só há 2 semanas terminei o trabalho empírico) ou então o jornalista que escreveu este artigo não percebe nada do assunto. Quem tem bolsa desde 2009, pela FCT, deve concluí-la num prazo de 4 anos, ou seja, até 2013, por isso não percebo como estão a concluir isto. Só se estiverem a referir-se a quem deveria ter concluído em 2009 (tendo iniciado a bolsa, portanto, em 2005).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Paulo, Lisboa. 23.06.2011 19:41&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Quase um terço dos bolseiros apoiados pelo Estado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É de lamentar como pode um texto como este ser publicado num jornal de referência como o Público. Para se publicar uma notícia há que, em primeiro lugar, ter noção da realidade e dos factos. Alguém não fez um cuidado e isento trabalho de pesquisa, e acaba por dar um exemplo de como um mau jornalismo pode influenciar a opinião pública e descredibilizar por completo pessoas que trabalham quase por "amor à camisola". Que recebem não um salário com todos os direitos sociais associados, mas uma bolsa, que não lhe permite entre outras coisas ter subsídio de Natal ou férias, subsidio de desemprego, etc. Para quando um artigo sério e isento sobre a situação dos bolseiros em Portugal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Patrícia Guerreiro, Lisboa. 23.06.2011 19:54&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Rigor ok, mas também nas notícias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em 2009 a FCT concedeu 1831 novas bolsas de doutoramento e 7831 estavam em execução (os dados estão no site da FCT). Como é que 1432 é 30%? O Nuno Crato tem razão, com estas habilidades matemáticas não vamos longe! Acho muito bem que haja rigor e exigência, e que exista também um mecanismo que avalie o efectivo cumprimento dos compromissos assumidos pelos bolseiros. Mas que haja rigor também nas fiscalizações e nas notícias! Aqui parece-me que estão simplesmente a preparar o caminho para mais cortes. Se dizem que querem cortar o investimento científico, fica mal. Mas se se insinua a ideia de que os bolseiros são mas é uma cambada de parasitas preguiçosos, haverá muitas mais pessoas a defender os cortes, e depois mais cortes, e a progressiva eliminação dos apoio do Estado à investigação. ...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Davide S, Lisboa. 23.06.2011 20:03&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Absurdo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1-Bolsa de doutoramento e bolsas de acção social não têm nada a ver (...). 2-Não entregar prova de que realizou o doutoramento não significa que o não tenha feito (ou esteja atrasado na entrega). Devo dizer que quem se atrasa não está a receber nem pode prosseguir na carreira (logo, não há qualquer vantagem em atrasar-se). 3-Quem tem uma bolsa de doutoramento "não está a estudar", está a trabalhar, por isso não recebe uma ajuda financeira, mas sim um ordenado. Como é óbvio, é impensável (salvo em casos excepcionais) falar em devolução de dinheiro. Mais, anualmente, os bolseiros têm que fazer prova do trabalho realizado (através de um parecer do orientador). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Anónimo, Lisboa. 23.06.2011 20:29&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Next...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ninguém tem nada a ver com isso. Não existe nenhuma regra relativamente à entrega da tese. Para isso existem os relatórios que servem para a FCT saber se as pessoas estão a cumprir com o seu plano de trabalhos ou não. A bolsa apenas serve para subsidiar 4 anos de estudos doutorais. E se o trabalho de tese exigir mais 10 anos? Nesses casos terá que ser a pessoa a responsabilizar-se por isso. Os dinheiros não deixaram de ser mal empregues por isso, antes pelo contrário, se não existissem estas bolsas não teriam saído as teses brilhantes de 6 ou 7 anos que andam por ai. A notícia não serve para nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Anónimo, Lisboa. 23.06.2011 20:37&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;FCT - impressões de uma bolseira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É importante um esclarecimento da situação, e perceber o que é a FCT, para que serve e o que faz. Sou neste momento bolseira da FCT. Antes de me candidatar a doutoramento tinha uma carreira muito bem sucedida no estrangeiro. A razão pela qual me candidatei a doutoramento com uma bolsa FCT foi o facto de esta situação me possibilitar um regresso a Portugal. Até porque em Portugal, para quem esteja interessado numa carreira académica, sem doutoramento esta não é possível. (...) A FCT é uma instituição de excelência que permite que portugueses estejam envolvidos em investigação de topo com o selo de uma instituição nacional. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Maria , Lisboa. 24.06.2011 14:36&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Péssima notícia, falta clareza e rigor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Como ex-bolseira de doutoramento da FCT sinto-me realmente constrangida com uma notícia completamente equivocada, mal elaborada e irresponsável. Os dados não conferem e muito menos explicam a situação dos bolseiros de doutoramento, os quais entregam anualmente relatórios e devem, ao final da tese, enviar todos os documentos referentes a finalização do curso para encerrar a bolsa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Ex-bolseira, Lisboa. 24.06.2011 16:21&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;As teses não têm quatro anos de bolsa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não percebo esta notícia. As bolsas de doutoramento são normalmente atribuídas por 4 anos. 01/2009-12/2011 dá no máximo 3 anos. E ainda não estamos lá!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Tiago, Lisboa. 24.06.2011 16:47&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Errado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Péssimo artigo, que confunde as bolsas de apoio social (anuais/atribuídas através dos serviços sociais das universidades a quem não tem rendimento suficiente) com as de doutoramento (4 anos, atribuídas após concurso público com plano de trabalho sujeito à apreciação de um júri e tendo de ser renovada anualmente, mediante uma declaração do orientador da tese que comprove que o plano de trabalhos proposto está a ser cumprido). Este tipo de artigo provoca reacções populistas, de ataque a um grupo - o dos investigadores - que é absolutamente explorado pelos centros de investigação, pelas universidade (investigam e dão aulas em universidade gratuitamente, a coberto da bolsa de 980 euros) e que, paralelamente têm de fazer a sua investigação e escrever a tese. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Maria, Caxias. 24.06.2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;De como orientar a opinião comum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Queria juntar à soma considerável de comentários críticos relativamente a este texto o meu desagrado, a minha indignação, a minha reprovação total do seu teor enganoso e da forma leviana da redacção, aparentemente informada e justificada por números, dados estatísticos, resultados ditos objectivos. Parece-me - e ainda que não tenha sido essa a intenção do autor - tratar-se de um modo lamentável de orientar a opinião comum, fazendo levantar suspeita sobre uma instituição pública de referência incontornável e, sobretudo (o que é mais grave ainda), sobre a classe inteira dos investigadores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Emília Almeida, Portugal. 25.06.2011 16:50&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;Corrigir o erro não é vergonha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando é que o Público corrige (retira) um título de notícia que está demonstrada e manifestamente errado - e configura, mesmo, um caso de desinformação que, no limite, pode levantar legítimas suspeitas sobre objectivos menos correctos que se visariam?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Cidadão, Porto. 26.06.2011 14:47&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: white; color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-9034025431700700341?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/9034025431700700341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=9034025431700700341&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/9034025431700700341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/9034025431700700341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/07/ninguem-ouve-o-que-dizem-os-leitores.html' title='Ninguém ouve o que dizem os leitores?'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-6630260494433090947</id><published>2011-06-27T01:58:00.000+01:00</published><updated>2011-06-27T01:58:44.820+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Posições editoriais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ortografia'/><title type='text'>Esta ainda não é a aldeia de Astérix</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 26 de Junho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que pensa a generalidade dos leitores acerca da decisão tomada pelo PÚBLICO de se manter fiel às normas da ortografia tradicional. Só posso presumi-lo, sem rigor estatístico, a partir da correspondência que me é dirigida. A verdade é que não me chegam reclamações contra essa opção editorial, mas recebo, com alguma frequência, manifestações de apoio à orientação adoptada — vindas sobretudo de leitores que querem saber se o seu jornal se propõe continuar a resistir à mudança ortográfica já consumada em vários e influentes órgãos de comunicação social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na direcção do PÚBLICO é igualmente "empírico" — pois "nunca foi feito qualquer inquérito" — o conhecimento das preferências dos leitores sobre a adesão ou não às regras do acordo ortográfico (conhecido por AO 90) que já se encontra em vigor, embora ainda longe de uma aplicação generalizada. "Mas é sintomático" — sublinha o director adjunto Nuno Pacheco — "que todas as cartas ou mensagens que recebemos sejam contra o AO 90 e não a seu favor. Tal como é sintomático que apenas dois cronistas (Vital Moreira e Rui Tavares) tenham feito questão de escrever segundo as novas regras (o que aceitámos, referindo isso mesmo; podíamos ter recusado, mas não o fizemos porque prezamos acima de tudo a liberdade) ". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reforçar esta percepção de que as simpatias dos leitores se inclinarão mais para a manutenção da ortografia tradicional, a mais recente tomada de posição do jornal contra o AO 90 ("Um acordo inútil", editorial do passado dia 4) deu origem a uma torrente de muitas dezenas de mensagens de apoio, que vão da simples congratulação ("É bom poder ainda ler as notícias em português correcto" — Mafalda Amado; "Fico feliz por saber que alguém dos media não assina o novo acordo ortográfico" — Ana Maria Gonçalves) à sugestão de intervenção política ("Proporia, dentro da legislatura que se vai iniciar, uma tão rápida quanto possível revisão do acordo" — Armando Benfeito). Na sequência desse editorial, e de uma crónica de Nuno Pacheco, que a 6 de Junho criticava a primazia dada à fonética pelos defensores do acordo, o tema regressou durante uns dias ao espaço das Cartas à Directora (com um leitor a criticar os argumentos utilizados pelo PÚBLICO e outros a subscrevê-los) e ao debate nas páginas de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na qualidade de provedor do leitor, não vejo motivo para discordar da resistência da direcção do PÚBLICO à mudança ortográfica. Mas cabe-me procurar respostas às interrogações dos leitores que manifestam inquietação pela sustentabilidade futura dessa posição, quando se aproxima — se não houver alterações de calendário — a adopção das novas regras no ensino e nos documentos oficiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso, entre outros, do leitor Rui Valente, que já em Março passado escrevia: "Com a adesão da RTP à televisão em 'dirêto', estamos cada vez mais cercados por este disparate nacional que dá pelo nome de AO 90. Sendo que a política do PÚBLICO face ao acordo, expressa em editorial, é a de que este não será aplicado enquanto tal for possível, receio que também o PÚBLICO possa, um dia, entender que 'já não é possível' continuar a escrever como escreve. Imagine-se um cenário (longínquo, esperamos) em que já toda a comunicação social aderiu ao acordo, a nova norma é ensinada nas escolas, toda a comunicação oficial é feita pelas novas regras e as agências publicitárias (e respectivos &lt;em&gt;outdoors&lt;/em&gt; nas ruas) cumprem também o AO 90. Não seria de estranhar que, num cenário assim, o PÚBLICO, para evitar o arrastar da coexistência entre duas grafias, reconsiderasse a sua posição". Sugeria este leitor que, "antes de chegarmos a esse cenário", o jornal encarasse a possibilidade de "assumir uma posição combativa", fazendo sua, ou pelo menos divulgando-a, a causa dos que se opõem ao AO 90, apoiando nomeadamente "um movimento [em curso] para lançar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos na Assembleia da República, com vista à revogação do actual acordo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, o mesmo leitor lançou um novo desafio: "Gostaria de ver o 'meu' jornal renovar o propósito enunciado" em Dezembro de 2009 (quando o PÚBLICO revelou que não iria adoptar a nova grafia), " mas gostaria ainda mais de o ver ir mais longe, proclamando uma recusa simples, mas liminar, inequívoca e sem prazo do AO 90". Tendo o compromisso inicial sido reafirmado na edição de 4 de Junho — em que se sugeria mesmo o "corajoso abandono" do acordo —, quis saber se a direcção editorial considerava sustentável manter essa posição face à prevista generalização da nova ortografia e, nomeadamente, à sua anunciada introdução nas escolas no próximo ano lectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi uma resposta clara. "Sim. Porque achamos que ainda é possível inviabilizar o acordo" — afirma Nuno Pacheco, para quem "a forma como tal adesão se fez (contornando o texto inicial do próprio acordo, que obrigava 'à ratificação de todos os Estados' para avançar, o que não sucedeu) mostra bem como o processo foi sobretudo político e não linguístico/científico". "Os muitos argumentos denunciando as suas incongruências bastarão" — acredita — "para reavaliá-lo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solicitado a explicitar melhor o sentido da posição anteriormente divulgada ("no espaço noticioso, o jornal mantém como regra não acatar tal acordo enquanto tal for legalmente possível"), escreve o director adjunto do PÚBLICO: "O 'legalmente possível' refere-se à ameaça, velada, de que o AO 90 terá forma de lei dentro de três anos, coisa que não lembrou a ninguém, nunca, em matéria de ortografia, mas que os defensores do AO brandem, à falta de argumentos consistentes (...). É o argumento da autoridade contra o argumento da razão. Haverá multas? Processos judiciais? Não se sabe. Daí o 'legalmente possível', embora a nossa determinação seja mantê-lo para sempre, porque achamos que só isso faz sentido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à posição mais "combativa" sugerida por Rui Valente, o mesmo responsável editorial manifesta reservas: "O PÚBLICO perderá crédito se, neste campo, se substituir à sociedade civil, assumindo qualquer proselitismo na matéria e tornando-se uma espécie de 'jornal de combate' anti-acordo. Mas do ponto de vista editorial bater-se-á por isso, claro, no espaço de opinião, abrindo as suas páginas ao debate necessário. E às iniciativas que forem tendo lugar na sociedade civil, onde o caso deverá resolver-se". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica assim mais clara a doutrina do jornal nesta matéria, e aparentemente a contento dos leitores que têm manifestado apreensão face a um eventual recuo na "determinação" anunciada. Poderá dizer-se que as incógnitas de natureza legal referidas por Nuno Pacheco deixam ainda a sombra de uma dúvida, e que essa é uma dúvida inevitável. E também não me parece possível predizer o que acontecerá se, em vez da inviabilização do AO 90 desejada pela direcção do PÚBLICO — ou de uma larga frente de "objecção de consciência" à sua efectiva aplicação — , se vier a assistir, a prazo, à adopção generalizada da nova ortografia na educação, na edição, na comunicação, dando lugar a um cenário tipo "aldeia de Astérix", como o antecipado por Rui Valente quando escreve: "A isto se resume o meu desafio ao PÚBLICO: se a minha língua não pode ser preservada no meu país, que o seja ao menos num jornal do meu país".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tal cenário, seria avisado conhecer com o rigor possível o que pensa a generalidade dos leitores do PÚBLICO. O que é mais uma razão para manter o debate vivo nas páginas do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Prevenir a asneira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais importante do que a alteração ou não das normas ortográficas referidas no texto acima é o respeito pela correcção da ortografia adoptada e, em geral, pela regras do português escrito. Temo que os responsáveis editoriais do PÚBLICO não avaliem em toda a sua extensão o desconforto, quando não a indignação, que os erros de escrita suscitam entre os seus leitores. E suspeito que muitos jornalistas tenderão a desvalorizar o descrédito que, para a imagem de um jornal de qualidade, resulta de certos "erros de cabo de esquadra" (retiro a expressão de uma mensagem do leitor José Mário Costa). Essa indiferença não é partilhada pelos leitores, que fazem da crítica aos desmandos na escrita um tema dominante das suas queixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou repetir aqui os maus exemplos a que aludi numa crónica recente, mas registo o caso que, nas últimas semanas, deu origem a uma maior chuva de reclamações. Foi quando, a 29 de Maio, em plena campanha eleitoral — e em plena terceira página, "uma das mais importantes do jornal", como bem sublinha o leitor Rui Monteiro —, se pôde ler, nos caracteres grossos da entrada de uma reportagem sobre o desempenho de candidatos pelo círculo de Braga, que "&lt;em&gt;[ António José] Seguro houve e cala&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que um leitor sugeriu que o jornalista que assinava a peça deveria "voltar à escola". O que, no caso concreto, é provavelmente injusto. Como já expliquei neste espaço, títulos e entradas não são, geralmente, da responsabilidade dos repórteres no terreno. E a leitura da peça em questão mostra que quem a redigiu conhece a grafia do verbo "ouvir".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também já aqui referi, quando abordei o problema das deficiências de revisão no PÚBLICO, que é frequente algumas páginas — como as do destaque do dia — não passarem pelo crivo da equipa de revisão, devido ao seu fecho mais tardio. É isso que explicará, aliás, a sensação de que alguns erros mais gritantes ocorrem precisamente onde são mais visíveis: nas páginas mais nobres do jornal, e nos seus títulos, entradas ou legendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhecendo o que se passou neste caso, verifico no entanto que ele reforça a ideia de que a responsabilidade por erros tão inaceitáveis como este deve ser assacada, em primeira linha, a responsáveis editoriais pelo fecho do jornal. O que é grave e recomenda medidas urgentes para prevenir a asneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Rui Valente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Escrevi há tempos ao Público, abordando a possibilidade de o jornal assumir, em defesa da Língua Portuguesa, uma posição mais combativa contra o Acordo Ortográfico de [ver carta publicada neste blogue a 25 de Março passado]. Devo dizer que não escrevi para mais nenhum jornal. Há outras publicações que não adoptaram o AO90, mas confesso desconhecer as suas razões. Tanto quanto sei, pode até acontecer que o Correio da Manhã ou o Diário de Notícias estejam a favor do AO, e só não o aplicaram ainda por mera falta de tempo. O Público, sendo o "meu" jornal, é o único cuja realidade conheço melhor: sei que não adoptou o AO90 porque não o aprova e não o aplicará "enquanto tal for possível". Além disso, abriu um espaço de opinião onde autores como Francisco Miguel Valada, entre outros, dissecaram até à exaustão o absurdo deste Acordo. Sucede, porém, que o tempo corre a favor dos acordistas. Foi em Dezembro de 2009 que o Público tornou clara a sua posição. Desde então, imposto à força de decreto, o Acordo foi adoptado pela televisão estatal, por outras publicações periódicas e, naturalmente, pelas editoras, que garantiram com o AO90 a obsolescência instantânea de toneladas de livros escolares e puseram em marcha a impressão de novos e "atualizados" manuais. Ao longo dos últimos quinze meses o cerco apertou-se. E creio que uma posição como a que então foi tomada já não seja suficiente. Receio que, nos tempos que correm, dizer que não se adoptará o acordo "enquanto tal for possível" apenas faça do Público um "&lt;em&gt;sitting duck&lt;/em&gt;", à espera que o AO90 se torne uma inevitabilidade. Enquanto leitor, gostaria de ver o "meu" jornal renovar o propósito enunciado há quinze meses. Mas gostaria ainda mais de o ver ir mais longe, proclamando uma recusa simples, mas liminar, inequívoca e sem prazo do AO90. Só assim poderia o Público estabelecer uma verdadeira posição de ruptura com o actual statu quo acordista. Só assim poderia o Público ir ao encontro de milhares de portugueses que decidiram, no seu íntimo, não adoptar o AO90 - ainda que muitos acreditem, na sua inocência, que quem fez este Acordo certamente saberia o que estava a fazer. Mas, acima de tudo, só assim poderia o Público dar um contributo decisivo para a defesa da Língua Portuguesa enquanto património linguístico, histórico e universal. Não resisto a citar uma crónica de Diogo Mainardi a propósito do Acordo Ortográfico: "Eu entendo perfeitamente o empenho dos brasileiros em deslatinizar a língua escrita. De certo modo, o latim representa tudo o que rejeitamos: os valores morais, o rigor poético, o conhecimento científico, o respeito às leis, a simetria das formas, o pensamento filosófico, a harmonia com o passado, o estudo religioso. Ele encarna todos os conceitos da cultura ocidental que conseguimos abandonar. Eliminando o C e o P de certas palavras, Portugal poderá se desgrudar da Europa e ancorar na terra dos tupinambás." Diogo Mainardi estará talvez nos antípodas das minhas opções políticas mas não é possível negar a sua enorme capacidade intelectual e a acutilância do seu espírito crítico (vale a pena ler o artigo na íntegra http://veja.abril.com.br/081008/mainardi.shtml). O Brasil já eliminou há muito o C e o P de certas palavras. Se as eliminarmos também no chamado Português Europeu a Língua Portuguesa, como um todo, perde diversidade, que é talvez a sua maior riqueza, e perde uma parte crucial da sua dimensão histórica. Essa diversidade devia ser preservada, em especial num país como Portugal, cuja oralidade irá sofrer com o enxerto frankensteiniano da ortografia brasileira - que é, grosso modo, o que se preconiza no AO90. E a isto se resume, portanto, o meu desafio ao Público: se a minha Língua não pode ser preservada no meu país, que o seja ao menos num Jornal do meu país.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;15 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Rui Valente&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Coimbra&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas dirigidas à direcção do PÚBLICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; O A direcção considera sustentável manter a prazo a posição de não adoptar o acordo ortográfico, tendo em conta, nomeadamente a prevista adopção das novas regras na escolarização oficial?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Em Outubro do ano passado, numa resposta que transcrevi na minha coluna a propósito de um caso específico, dizia a direcção que, "no espaço noticioso, o jornal mantém como regra não acatar tal acordo enquanto tal for legalmente possível". O que deve entender-se exactamente por isso? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Deve concluir-se que, na ausência de legislação efectiva nesse sentido, o PÚBLICO admitiria a hipótese de não alterar as regras ortográficas que segue, mesmo que a adopção das novas normas se generalizasse nos documentos oficiais, nas escolas, na comunicação social e na edição?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; O PÚBLICO admite a hipótese (sugerida pelo leitor Rui Valente) de assumir abertamente a "causa" da oposição ao acordo, "batendo-se" pela sua eventual revogação (já sugerida no editorial de 04.06.11)?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;5)&lt;/strong&gt; Existe algum conhecimento sobre as preferências dos leitores neste domínio?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Respostas do director adjunto Nuno Pacheco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; Sim. Porque achamos que ainda é possível inviabilizar o acordo. Ainda hoje, por exemplo, muita gente escreve “lobby” ou “dossier” em vez dos já aportuguesados lóbi ou dossiê (inscritos como “lei” nos Dicionários Houaiss e da Academia das Ciências) e ninguém levanta qualquer problema. Mas só é possível mudar alguma coisa desde que a sociedade civil se mobilize e desde que os políticos acolham os argumentos sensatos de quem tem denunciado, há muito, as incongruências e erros manifestos do AO 90. Recordo que foi só em 1915 que a Academia Brasileira de Letras aderiu à primeira reforma ortográfica que Portugal decretou (unilateralmente, em 1911) acabando por, quatro anos passados, em 1919, revogar essa mesma decisão. Ou seja: o Brasil aderiu e depois desligou-se. Nenhum mal veio ao mundo por causa disso. No caso presente, o do AO 90, a pressão para um acordo veio de Portugal, não do Brasil, ao contrário do que alguns pensam e defendem. O Brasil foi arrastado para a “reforma”, achou que era politicamente correcto aderir e cedeu no trema e nalgumas modificações menores (os hífens, por exemplo, que estão a ser interpretados das mais variadas maneiras, uns livros garantindo que se mantêm, outros que afinal deixam de se usar nas mesmíssimas palavras). A forma como tal adesão se fez (contornando o texto inicial do próprio acordo, que obrigava “à ratificação de todos os Estados” para avançar, o que não sucedeu) mostra bem como o processo foi sobretudo político e não linguístico/científico. E os muitos argumentos denunciando as suas incongruências bastarão para reavaliá-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; O “legalmente possível” refere-se à ameaça, velada, de que o AO 90 terá forma de lei dentro de três anos, coisa que não lembrou a ninguém, nunca, em matéria de ortografia, mas que os defensores do AO brandem, à falta de argumentos consistentes. “Está aprovado, é lei, cumpra-se e pronto”. É o argumento da autoridade contra o argumento da razão. Haverá multas? Processos judiciais? Não se sabe. Daí o “legalmente possível”, embora a nossa determinação seja mantê-lo para sempre, porque achamos que só isso faz sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Ao longo dos anos, mesmo no acordo anterior, foi lenta a adopção das novas regras. A ortografia não é o código penal. Ainda hoje há quem escreva Eça de Queirós ou Eça de Queiroz, ou outras palavras em que, por regra, o S foi substituindo o Z. Ninguém se incomoda. E há quem ainda acentue os advérbios de modo, quando os “sábios” resolveram um dia tirar-lhes a acentuação por inteiro. Por isso, não é desadequado nem condenável escrever em português correcto (não “correto”), mesmo que possa ser considerado “antigo”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; O PÚBLICO perderá crédito se, neste campo, se substituir à sociedade civil, assumindo qualquer proselitismo na matéria e tornando-se uma espécie de “jornal de combate” anti-acordo. Mas do ponto de vista editorial bater-se-á por isso, claro, no espaço de opinião, abrindo as suas páginas ao debate necessário. E às iniciativas que forem tendo lugar na sociedade civil, onde o caso deverá resolver-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;5)&lt;/strong&gt; O conhecimento é empírico, nunca foi feito qualquer inquérito. Mas é sintomático que todas as cartas ou mensagens que recebemos sejam contra o AO 90 e não a seu favor. Tal como é sintomático que apenas dois cronistas (Vital Moreira e Rui Tavares) tenham feito questão de escrever segundo as novas regras (o que aceitámos, referindo isso mesmo; podíamos ter recusado, mas não o fizemos porque prezamos acima de tudo a liberdade.). Uma pequena nota: quando editamos textos provenientes do Brasil não mexemos na ortografia nem na construção do texto. Ninguém precisa de artifícios para ler português, seja ele escrito na variante portuguesa europeia, na brasileira ou em qualquer outra. Ora como há tantas, e ainda bem, era desnecessária mais uma, híbrida, contraditória e inconsequente: a “variável” AO 90. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;15 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Nuno Pacheco&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguns protestos de leitores contra erros na edição de 29 de Maio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Voltar à escola&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na página 2 do Público de hoje, dia 29, encontra-se em subtítulo a seguinte "pérola": "Macedo critica Sócrates e Seguro &lt;em&gt;houve e cala&lt;/em&gt;". Para este tipo de erros não há corretor de texto... Talvez seja útil ao jornalista (...) voltar à escola. Porque não as "Novas Oportunidades"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;29 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Fernanda Almeida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Dinheiro de volta?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na terceira página, uma das mais importantes do jornal, escreve-se hoje que "Seguro&lt;em&gt; houve e cala&lt;/em&gt;". Depois disso, esperam que leia a notícia ou devo devolver o jornal e pedir o meu dinheiro de volta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;29 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Rui Monteiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Não há ninguém para corrigir?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Público de hoje, dia 29 de Maio, secção " Destaque - Eleições 2011" página 3 (...), pós-título: "Seguro e Macedo disputam Braga .(...): "&lt;em&gt;Seguro houve e cala&lt;/em&gt;".Pois bem, num jornal sério esta autêntica aberração e confissão de analfabetismo seria motivo para despedimento imediato. Mas no Público...serve apenas para aumentar a lista de disparates que pagamos todos os dias e constatar que o jornal bateu mesmo no fundo...Mas há mais: página 14, secção Portugal, reportagem (...) sobre o "Serralves em Festa". Pós-título: "&lt;em&gt;Entre uma manhã solarenga e um final de tarde chuvoso (...)&lt;/em&gt;". O erro aqui é infelizmente muito comum, mas não tão evidente. A jornalista nunca poderia ter escrito "solarenga" pois tal termo refere-se a uma edificação rústica, um solar (daí a palavra), mas "soalheira", que, esse sim, se poderia referir a uma manhã banhada pelo sol. Este erro, e esta confusão, são, infelizmente frequentes, mas não deixam por isso de ser graves e induzir os leitores em erro (...).E não há por aí ninguém para corrigir os dois disparates que aqui relato? Cada vez me convenço mais que não, infelizmente...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;30 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Alda Nobre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Erros de "cabo de esquadra"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dois erros “de cabo de esquadra” na edição do Público de ontem (...). O primeiro, então, é de bradar aos céus…(Que houve Seguro, lá isso houve… Agora, se ele ouviu e calou, aquele “&lt;em&gt;houve&lt;/em&gt;”, enfim ). Quanto ao ”&lt;em&gt;solarengo&lt;/em&gt;”, um erro generalizado nos media portugueses, convém lembrar que nada tem que ver com "soalheiro". Se nessa manhã radiava o Sol em Serralves, então, era uma manhã soalheira. "Solarengo" é relativo a solar, casa apalaçada. (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;30 de Maio de 2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;José Mário Costa&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-6630260494433090947?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/6630260494433090947/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=6630260494433090947&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/6630260494433090947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/6630260494433090947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/06/esta-ainda-nao-e-aldeia-de-asterix.html' title='Esta ainda não é a aldeia de Astérix'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-5739336443342854342</id><published>2011-06-19T04:40:00.001+01:00</published><updated>2011-06-19T04:41:52.019+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reputação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remissões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobe e Desce'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contraditório'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Informação local'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Confiança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Setas, opiniões e factos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 19 de Junho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coluna &lt;em&gt;Sobe e desce&lt;/em&gt; é um espaço dos mais sensíveis do jornal, pois tende a favorecer ou desfavorecer a imagem pública dos que diariamente escolhe como protagonistas — e neste caso pode falar-se de imagem em sentido próprio, já que os breves textos que a compõem são sempre acompanhados de uma pequena fotografia do rosto da personalidade referida. Acresce que a natureza desses textos oscila entre a descrição objectiva de um episódio (fulano perdeu ou ganhou uma eleição, por exemplo) e a apreciação subjectiva de um facto ou declaração. No segundo caso, essas notas, que não são assinadas, tenderão a ser lidas como representando a opinião editorial do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos sábados, esta coluna é replicada nas páginas de informação local, abrangendo temas noticiosos da semana anterior, o que pode tornar difícil aos leitores confrontar o que nela se escreve com as notícias que estão na origem das apreciações personalizadas — diferentemente do que sucede no &lt;em&gt;Sobe e desce&lt;/em&gt; da última página, em que cada nota valorativa remete o leitor para uma notícia publicada nessa mesma edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam mais ou menos subjectivos, o que tais apontamentos - marcados com setas dirigidas à reputação dos protagonistas -&amp;nbsp;não podem deixar de respeitar são os factos em que se baseiam as apreciações efectuadas. Esta é uma matéria em que se exige especial cuidado para evitar erros, ou o agravamento dos que eventualmente tenham sido cometidos no plano da informação. Que nem sempre esse cuidado existe mostra-o a reclamação que recebi do leitor Hugo Meireles, alvo de uma "seta para baixo" na edição Porto de 28 de Maio passado (Local, pág.25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Classificava-se negativamente, na nota em questão, o facto de estarem a ser exigidos aos funcionários do novo hospital de Braga entre 26 a 40 euros por mês para utilizarem o parque de estacionamento da unidade. E atribuía-se a responsabilidade por essa medida — alvo de críticas na autarquia bracarense, que no entanto aprovou o regulamento que a prevê — à "administração presidida por Hugo Meireles", cujo rosto aparecia sob a seta descendente. Acontece que a sociedade que gere o estacionamento e define o seu preço é uma entidade diferente da que dirige o estabelecimento de saúde. Quem o sublinha é o próprio visado no &lt;em&gt;Sobe e desce&lt;/em&gt;, explicando que "a gestão do Hospital de Braga está entregue a três sociedades diferentes, uma que gere a actividade assistencial, designada por Sociedade Escala Braga" (a que preside), "e outras duas, uma que construiu e gere o edifício e outra que gere os parques de estacionamento". A sublinhar a distinção, Hugo Meireles assina a reclamação que me enviou com a extensa e algo arrevesada fórmula "Presidente da Comissão Executiva Hospital de Braga Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mensagem, diz que "não teria sido difícil (...) esclarecer este facto", e queixa-se de que "não é (...) a primeira vez que nesta mesma coluna o [seu] nome e fotografia aparecem ligados a notícias sobre o Hospital de Braga, notícias sem fundamento quanto à [sua] responsabilidade nos factos noticiados". "É muito desagradável ", comenta, "ver assim exposto o meu nome e fotografia em associação a notícias infundadas e que lesam a minha honra e imagem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro Vieira, editor do Local, reconhece que "o leitor tem razão" e admite que o seu nome possa ter já sido anteriormente associado com menor rigor a outros factos relacionados com o hospital bracarense. Isto porque o erro agora detectado "decorreu do pressuposto de que Hugo Meireles, por ser o presidente da comissão executiva da Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento, era o responsável máximo de toda a instituição, tutelando inclusivamente a gestão dos seus parques de estacionamento". Existindo na redacção do jornal essa "convicção errada", aquele gestor ("que o PÚBLICO já ouviu em várias ocasiões") "tem sido apresentado como tal e ainda não tinha corrigido essa informação". "Só agora", nota o editor, "ficámos a saber que as três entidades de gestão do hospital de Braga estão ao mesmo nível em termos de poder e responsabilidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica explicado o erro, que é compreensível e foi entretanto corrigido na secção &lt;em&gt;O PÚBLICO errou&lt;/em&gt; da edição de 2 de Junho. Limito-me a notar que ele poderia ter sido evitado se tivesse existido a preocupação de confrontar o "presidente da Comissão Executiva Hospital de Braga Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento", na sua pressuposta qualidade de "responsável máximo da de toda a instituição", com as noticiadas críticas da autarquia bracarense à política de preços do estacionamento hospitalar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Sobe e Desce&lt;/em&gt;, escreve Álvaro Vieira, "é um espaço de opinião editorial, ao qual não se impõe nem convém o confronto prévio com os visados. Impõe-se, sim, o conhecimento dos factos e circunstâncias sobre os quais se formulam juízos, e foi a esse nível que errámos". Nada a objectar à doutrina. Mas é precisamente porque os visados não são ouvidos sobre o juízo a que são sujeitos que os leitores têm de poder confiar, sem margem para dúvidas, no "conhecimento dos factos" por parte de quem escreve esses pequenos textos opinativos. Tal como deverão esperar, naturalmente, que a sua redacção seja confiada a quem alie a um desejável espírito crítico e de atenção cívica a maturidade, equilíbrio e bom senso exigíveis a quem têm o poder de influir — sem assinar o que escreve — sobre a reputação dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;O caso do comentador demasiado rápido&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coexistência de edições na Internet e em papel é ainda suficientemente recente para ser causa de alguns equívocos. E nem sempre os responsáveis editoriais têm o cuidado necessário para os evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado dia 4 de Junho, uma notícia saída na página 20 da edição impressa dava conta do estado das negociações entre a TAP e o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, visando a eventual suspensão, entretanto conseguida, da anunciada greve de protesto contra o "emagrecimento" das tripulações nos voos da companhia. Era acompanhada por uma "caixa" em que se revelava que uma empresa concorrente — a Ryanair — enviara um ramo de rosas aos sindicalistas, agradecendo-lhes a anunciada greve na TAP. Uma imagem provavelmente concebida para reforçar essa pouco canónica operação de &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;low cost&lt;/em&gt; irlandesa mostrava dois funcionários segurando, sorridentes, as rosas oferecidas aos potenciais grevistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na página 38 da mesma edição — no espaço intitulado &lt;em&gt;Comentários online&lt;/em&gt;, que passou a ser publicado junto às Cartas à Directora —, um leitor de nome José comentava criticamente a atitude da companhia irlandesa e sugeria que "esses sorridentes modelos ou não trabalham para a Ryanair ou amanhã são despedidos por dá cá aquela palha, precisamente porque não têm sindicato (nem podem, ou não os contratam)". A seguir à palavra "modelos" foi inserida uma indicação editorial, entre parênteses rectos, remetendo para a fotografia publicada na página 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor Hernâni Beltrão manifestou a sua perplexidade pelo facto de tal comentário ter sido "publicado no mesmo dia em que é publicada a notícia a que se refere". "Como pode o senhor José", interroga-se, "ler a notícia, saber o número da página, enviar o &lt;em&gt;e-mail&lt;/em&gt; e conseguir que ele seja publicado nesse mesmo jornal? O senhor José deve ser muito rápido e muito poderoso. Ou será que faz parte dos quadros do PÚBLICO?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os leitores mais familiarizados com as diferentes edições do PÚBLICO já terão compreendido o que se passou. A notícia de 4 de Junho, referindo o que era classificado como "acção de charme" da Ryanair "para se promover junto dos passageiros que têm reservas na TAP", fora já divulgada na véspera no Público Online, vindo a ser recuperada para acompanhar, na edição impressa, o relato sobre o estado das negociações entre a TAP e o sindicato dos tripulantes. Junto a todas as notícias da edição na Internet há um espaço próprio para acolher comentários dos leitores, e foi esse espaço que José utilizou, logo no dia 3 de Junho, para criticar a Ryanair. Diariamente, dois ou três desses comentários &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; são escolhidos por um editor de fecho para figurar na edição em papel do dia seguinte, e foi o que aconteceu neste caso com o texto de José. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que os leitores não têm obrigação de saber tudo isto, nem de reconhecer o código gráfico que lhes permitiria concluir que a remissão para a página 20, colocada entre parênteses rectos, não seria da responsabilidade do comentador. Sérgio Aníbal, editor de Economia, explica que essa referência foi certamente "acrescentada pelo editor de fecho, para que os leitores pudessem compreender melhor o comentário". É claro que se essa remissão para a fotografia dos "sorridentes modelos" tivesse esclarecido que se tratava de uma imagem anteriormente publicada na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; se teria evitado o equívoco: não há comentadores tão rápidos que possam pronunciar-se sobre notícias que ainda não puderam ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;"Sobe e desce"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Hugo Meireles&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acabei de enviar uma reclamação (...) relacionada com a publicação na coluna "Sobe e Desce" da secção Local da edição do Porto [28.05], de uma notícia infundada e em que associam o meu nome e fotografia. (...) A gestão do Hospital de Braga está entregue a três sociedades diferentes, uma que gere a actividade assistencial, designada por Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento, a cuja Comissão Executiva, de facto, presido, e outras duas, uma que construiu e gere o edifício e outra que gere os parques de estacionamento. É a esta última sociedade que cabe a responsabilidade de definir os valores a cobrar pelo estacionamento, seja em regime de avença, como é o caso dos factos relatados na notícia, seja pela utilização temporária, como se de qualquer parque de estacionamento se tratasse. Não teria sido difícil ao, ou à, jornalista que publicou a notícia procurar esclarecer este facto antes de publicar a mesma. E não é esta, infelizmente, a primeira vez que nesta mesma coluna o meu nome e fotografia aparecem ligados a notícias sobre o Hospital de Braga, notícias sem fundamento quanto è minha responsabilidade nos factos noticiados. Como deve compreender, é muito desagradável ver assim exposto o meu nome e fotografia em associação a notícias infundadas e que lesam a minha honra e imagem (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;28 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Hugo Meireles&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(Presidente da Comissão Executiva Hospital de Braga Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas dirigidas aos responsáveis pelo Local (edição Porto)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; O leitor tem razão? A referência do "Sobe e Desce" está ligada a alguma notícia anteriormente publicada, eventualmente inexacta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Por que razão não foi feita, segundo ele refere, uma tentativa de esclarecimento em tempo oportuno?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Se o leitor tem razão, e tendo em conta que já enviou uma reclamação, foi ou vai ser feita uma rectificação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; Tem fundamento a queixa do leitor, de que "não é esta, infelizmente, a primeira vez que nesta mesma coluna o [seu] nome e fotografia aparecem ligados a notícias sobre o Hospital de Braga, notícias sem fundamento quanto à [sua] responsabilidade nos factos noticiados"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;J. Q.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta de Álvaro Vieira, editor do Local&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; O leitor tem razão, mas a referência do Sobe e Desce não decorre de qualquer inexactidão da notícia que a inspirou. Essa notícia nunca se referiu a Hugo Meireles e dizia respeito às críticas da Câmara de Braga aos valores –—por esta considerados elevados — que o novo Hospital de Braga está a cobrar pelo estacionamento. O erro circunscreveu-se ao Sobe e Desce e decorreu do pressuposto de que Hugo Meireles, por ser o presidente da comissão executiva da Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento, era o responsável máximo de toda a instituição, tutelando inclusivamente a gestão dos seus parques de estacionamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Creio que a questão não se coloca aqui. Hugo Meireles não foi referido na notícia em que se escreveu que a Câmara de Braga criticou, embora tivesse aprovado, o regulamento sobre o estacionamento proposto pelo hospital. Neste caso, a posição do hospital era o próprio o regulamento — um documento escrito. Quanto ao Sobe e Desce, é um espaço de opinião editorial ao qual não se impõe nem convém o confronto prévio com os visados. Impõe-se, sim, o conhecimento dos factos e circunstâncias sobre os quais se formulam juízos, e foi a esse nível que errámos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Eduarda Pinto Leite, da assessoria de imprensa do Hospital de Braga, enviou-me um e-mail ao final da tarde de terça-feira [31 de Maio] com a reclamação de Hugo Meireles e ontem telefonou-me para conversar sobre o mesmo assunto. Foi-lhe dito que seria publicada uma rectificação, no PÚBLICO errou (...). No momento em que escrevo estas linhas, dizem-me que essa rectificação já está paginada na edição de quinta-feira [2 de Junho].&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; Francamente, não sei, mas admito que sim. A convicção, errada, de que Hugo Meireles — que o PÚBLICO já ouviu em várias ocasiões — era o responsável executivo máximo da sociedade que gere o hospital de Braga é antiga na redacção. Hugo Meireles tem sido apresentado como tal e ainda não tinha corrigido essa informação. Só agora ficámos a saber que as três entidades de gestão do hospital de Braga estão ao mesmo nível em termos de poder e responsabilidade. De qualquer forma, receio que o presidente da comissão executiva da Sociedade Escala Braga, Entidade Gestora do Estabelecimento, tenha sempre o ónus/vantagem de ser socialmente percepcionado como o rosto do primeiro responsável pela instituição, uma vez que este é o cargo máximo na área da prestação de cuidados de saúde, aquela que justamente confere aos hospitais a relevância pública que lhes é reconhecida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Álvaro Vieira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;"O caso do comentador demasiado rápido"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Hernâni Beltrão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) No dia 4 de Junho p.p. nas Cartas à Directora, sob o título "Ryanair envia rosas a tripulantes da TAP", o sr. José escreve que na foto da página 20 do mesmo jornal os sorridentes modelos da Ryanair oferecem à TAP as rosas que traduzem os lucros que essa companhia vai ter devido à greve dos tripulantes da TAP. Depois diz que se admira por a companhia ter dinheiro para rosas e diz também que por não terem sindicato os modelos amanhã podem ser despedidos por dá cá aquela palha. A mim o que me admira é o e-mail ser publicado no mesmo dia em que é publicada a notícia a que se refere.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Como pode o sr. José ler a notícia, saber o número da página, enviar o e-mail e conseguir que ele seja publicado nesse mesmo jornal? O sr. José deve ser muito rápido e muito poderoso. Ou será que faz parte dos quadros do Público? Eis pois uma estória intrigante! (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;9 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Hernâni Beltrão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esclarecimento de Sérgio Aníbal, editor de Economia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O comentário que é referido não saiu nas Cartas à Directora, mas sim na secção “Comentários online”, em que um editor de fecho escolhe alguns comentários feitos na edição online no próprio dia da produção do jornal. Acontece que a notícia que saiu na página 20 da edição de 4 de Junho tinha sido também publicada na edição online do dia anterior. A referência à página 20, feita entre parêntesis rectos, foi, adivinho eu, acrescentada pelo editor de fecho, para que os leitores pudessem compreender melhor o comentário. Alguns leitores, como Hernâni Beltrão, poderão ter ficado confundidos e intrigados. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;9 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Sérgio Aníbal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-5739336443342854342?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/5739336443342854342/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=5739336443342854342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5739336443342854342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5739336443342854342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/06/setas-opinioes-e-factos.html' title='Setas, opiniões e factos'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-4490105444456982433</id><published>2011-06-17T04:31:00.002+01:00</published><updated>2011-06-17T04:44:33.031+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clareza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='NO BLOGUE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terminologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reclamações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Correspondência'/><title type='text'>"Nonagenários comunistas"</title><content type='html'>Uma peça da autoria de Nuno Sá Lourenço, publicada na edição de 3 de Junho — no âmbito de um balanço da campanha eleitoral para as Legislativas efectuado pelos repórteres que acompanharam as diferentes comitivas partidárias — foi alvo de um protesto veemente do leitor Vítor Dias, que se insurgiu contra a utilização da expressão "nonagenários comunistas" ("...estas semanas deixaram ainda um sinal de alerta aos nonagenários comunistas"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Vítor Dias &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título obviamente pessoal e na minha qualidade de leitor do Público e de cidadão conhecido publicamente como comunista venho chamar a sua atenção para que ontem [03.06] uma peça de jornalistas do Público de balanço da campanha eleitoral incluía umas linhas do jornalista Nuno Sá Lourenço donde constava esta afirmação: "Mas estas semanas deixaram ainda um sinal de alerta aos nonagenários comunistas".&lt;br /&gt;Embora esteja certo que o carácter grotesco e repugnante desta qualificação se imporá naturalmente aos seus olhos, não quero deixar de dizer que se trata de uma qualificação absolutamente inadmissível numa peça jornalística, mesquinha, infundamentada, odienta, rancorosa, insolente e provocatória.&lt;br /&gt;De tal modo que, a meu ver, um cisco de vergonha e sentido de responsabilidade deveria ter levado a directora do jornal a, no dia seguinte, ter pedido publicamente desculpa aos comunistas portugueses e ao PCP (...).&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;4 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Vítor Dias&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Amadora&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adenda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lapso cometido numa operação de &lt;em&gt;copy/paste&lt;/em&gt; conduziu a que não fosse incluído na minha mensagem anterior o seguinte:&lt;br /&gt;"P.S: Conhecendo eu perfeitamente a data de fundação do PCP, quero formular o voto de que a minha inteligência e a dos leitores não venha a ser insultada com uma eventual explicação de Nuno Sá Lourenço de que a sua referência aos 'nonagenários comunistas' tinha a ver com os 90 anos do PCP".&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;5 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Vítor Dias&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Amadora&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comentário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tendo sido possível obter a este respeito um esclarecimento do autor da peça, creio poder presumir que a explicação mais provável para a referência a "nonagenários comunistas" seja precisamente a que o leitor — na adenda à primeira mensagem que me enviou — diz que "insultaria" a sua inteligência. Na verdade, não vejo outra explicação possível para a referência a "nonagenários" do que a que se prende com a data de fundação do PCP — embora tal referência me pareça descontextualizada, talvez incompreensível para muitos leitores, e eventualmente ambígua, por permitir aparentemente outras leituras, como terá acontecido no caso deste leitor. Seria pois preferível que tivesse sido evitada. Mas não me parece que justifique os adjectivos com que foi qualificada, nem vejo motivo para "um pedido de desculpas".&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;José Queirós&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo comunicado o teor do comentário acima ao autor da reclamação, recebi de Vítor Dias uma nova mensagem, datada de 15 de Junho, de que&amp;nbsp;transcrevo o essencial: "(...) Não esperaria que compartilhasse exactamente dos termos em que expressei a minha indignação.Temo porém que o problema seja mais fundo do que&amp;nbsp;(...) visualiza na sua mensagem, porque ou acho pouco provável ou então acharei muito significativo que um jornalista como Nuno Sá Lourenço, trabalhando há tantos anos no Público, não saiba que não se pode confundir a idade de uma instituição com a idade dos seus membros, coisa que certamente na sua carreira de jornalista apenas terá feito agora com o PCP e com os comunistas portugueses. E, se me permite a franqueza, acho mesmo que alguns profissionais passarão a ceder menos a certas tentações filhas de preconceito ou hostilidade política quando forem publicamente criticados por quem no seu jornal tem especial autoridade para isso".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-4490105444456982433?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/4490105444456982433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=4490105444456982433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4490105444456982433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4490105444456982433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/06/nonagenarios-comunistas.html' title='&quot;Nonagenários comunistas&quot;'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-5977098693573338190</id><published>2011-06-12T04:33:00.001+01:00</published><updated>2011-06-12T04:34:30.709+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Direito à imagem'/><title type='text'>Fotografia: boas e más práticas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 12 de Junho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para o PÚBLICO, "a fotografia não é um género menor ou um mero suporte ilustrativo, mas um contraponto informativo e dramático do texto". A citação é do Livro de Estilo do jornal, que enuncia algumas regras a observar na captação e utilização de imagens fotográficas, das quais destaco as seguintes: a sua obtenção não deve invadir a reserva da intimidade ou ignorar situações de constrangimento das pessoas; a procura do "ângulo inesperado" não pode conduzir à "deformação caricatural das situações ou personagens"; o conjunto formado por títulos, textos e imagens num trabalho jornalístico deve ter "unidade, coerência e eficácia informativa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avaliar pela correspondência que recebo, a importância que o jornal dá à fotografia é partilhada por muitos dos seus leitores, que manifestam com alguma frequência o seu agrado ou desagrado face às imagens publicadas. As que são escolhidas para a capa despertam especial atenção e são vistas, com razão, como espelhando opções editoriais. Quando retratam situações e temas que tendem a dividir as diferentes sensibilidades dos leitores — na política, no desporto, nos costumes — são mais escrutinadas e dão por vezes origem a processos de intenção, geralmente injustos, que pressupõem critérios de selecção de imagens que ultrapassariam a lógica jornalística e resultariam de uma parcialidade não assumida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As campanhas eleitorais são um período especialmente propício a equívocos desse tipo. Alguns leitores consideraram tendenciosa a escolha da fotografia publicada na primeira página da edição de 30 de Maio, que ilustrava um comício organizado na véspera pelo Partido Socialista no Palácio de Cristal, no Porto. Luiza Cabral, por exemplo, viu nessa opção uma peça de "uma campanha aberta contra o primeiro-ministro", pois "mostrava Sócrates de olhos fechados". "Não deviam ter outra...", comentou. Outro leitor, José Amorim, manifestou "repulsa" pelo "tratamento editorial que é feito com imagens destas, altamente condicionadas e condicionantes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São, a meu ver, críticas desajustadas. O que nos mostra, afinal, a fotografia escolhida, assinada por Miguel Manso? Em fundo, e apesar de captar apenas uma secção do cenário, sugere um comício de "sala cheia" e com uma audiência empenhada no apoio à campanha socialista — em coerência com o relato das jornalistas Maria José Oliveira e Rita Siza, que falam de um "cenário confortável" e da presença de "cerca de cinco mil pessoas". Em primeiro plano, um friso de dirigentes socialistas cujas expressões parecem variar entre a atenção, a satisfação e a preocupação, passando pelo aparente alheamento momentâneo de Mário Soares. Ligeiramente destacado, José Sócrates, de cabeça inclinada e olhos aparentemente fechados, surge-nos com uma expressão facial que sugere cansaço, preocupação, talvez crispação ou desencanto. Parece-me natural ver nela o retrato oportuno do acabrunhamento de quem por essa altura reconheceria que o entusiasmo dos seus apoiantes já não traduzia a realidade eleitoral do país, embora lhe coubesse contrariar essa realidade, até ao fim, pela palavra e pela atitude, nos palcos da campanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa lógica oposta à de uma imagem encenada para efeitos de propaganda, este é, se assim se pode dizer, um instantâneo que procura a verdade. É coerente com a situação então vivida pelo protagonista — alvo da hostilidade dos mais diversos quadrantes, identificado por todos os adversários como primeiro responsável pela crise, e a ver, por esses dias, o partido rival a distanciar-se significativamente nas sondagens. É coerente com o relato que o PÚBLICO fez desse dia de campanha, com as jornalistas que acompanharam a candidatura socialista a referirem a forte mobilização de apoiantes conseguida no Porto, mas sem deixarem de salientar que Sócrates vivia então "horas difíceis": Siza Vieira e Souto de Moura tinham feito questão de desmentir publicamente o seu apoio ao então ainda líder do PS, Almeida Santos previra dias antes o seu afastamento em caso de derrota, Manuel Alegre sugerira que nesse cenário conduzisse a oposição, e Mário Soares, no próprio comício, terá evitado o elogio pessoal do ainda primeiro-ministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opção por esta fotografia na capa da edição de 30 de Maio parece-me pois adequada no plano jornalístico. Não vejo nela qualquer quebra de isenção editorial, como sugerem os leitores referidos, nem essa avaliação poderia ser feita a partir de uma única imagem. Recordando as orientações acima referidas, considero que a fotografia em questão é informativa, capta algum dramatismo do momento, nada tem de caricatural e é coerente com o conjunto do trabalho em que se integra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes não é assim. Recordo o caso recente de um leitor que se insurgiu, e a meu ver com razão, contra a publicação de uma fotografia do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, na edição de 20 de Abril passado. A imagem, sem qualquer relação directa com a notícia que acompanhava, mostrava o autarca numa posição e gesto (aparentemente a compor o traje) que, nada tendo de menos digno, seriam evitados por qualquer figura pública consciente de estar frente a uma câmara e, para mais, numa cerimónia solene, como era o caso. O leitor José Domingos Neves escreveu à directora do PÚBLICO uma carta (publicada a 23.04) em que considerava que se pretendera "ridicularizar" Rio. Tenha ou não existido essa tentação, e conhecendo-se vários episódios de um relacionamento difícil entre o autarca e a imprensa, a sua interpretação só pode ser considerada legítima. Nesse caso, a tal busca do "ângulo inesperado" traduzia-se de facto numa "deformação caricatural" abusiva, infringia um dever de reserva, não tinha valor informativo nem relação de coerência com títulos e texto. E não devia, portanto, ter sido publicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos dias antes, a 12 de Abril, fora publicada uma fotografia da cerimónia em que o presidente Cavaco Silva deu posse aos novos representantes da República para os Açores e a Madeira. O leitor Hernâni Beltrão viu nela também um propósito de "ridicularizar", desta vez o Presidente da República, que teria sido "deixado de mão estendida numa imagem finamente escolhida ou recortada de modo a eliminar criteriosamente o personagem a quem o cumprimento se dirigia". Julgo que viu mal. Nesse caso, o ângulo será inesperado, mas a imagem nada tem de ridicularizante nem permite supor que Cavaco foi "deixado de mão estendida". A directora do PÚBLICO, Bárbara Reis, reviu a fotografia, que "não foi reenquadrada, foi mesmo tirada assim", e explica: "Numa cerimónia de tomada de posse, o gesto de cumprimentar o empossado é o símbolo mais forte desse ritual. É isso que vemos nesta fotografia (...). Neste tipo de cerimónias, as fotografias tendem a ser muito monótonas. O objectivo (...) é dar ao leitor uma imagem que surpreenda e conte uma história, respeitando, naturalmente, a imagem pública dos fotografados". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, parece-me totalmente justificada e útil a queixa que recebi acerca de uma fotografia publicada a 16 de Maio na edição on line, a ilustrar a peça "Sara entrega pedido de mudança de nome e género no registo civil", que relata um caso pioneiro de alteração da identificação pessoal ao abrigo da nova legislação sobre identidade de género. Diz um leitor (que assina simplesmente Fernando) que o texto em questão, da autoria de Andrea Cunha Freitas, "merece muitas estrelinhas de qualidade", enquanto a imagem que o acompanha "deixa muito a desejar". Considera que, "para além de ser de muito baixo e mau gosto apresentar uma fotografia que mostra a bunda da senhora composta com a sua lingerie de fio dental, a fotografia não se coíbe de leituras muito alternativas ao conteúdo do artigo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o mínimo que se pode dizer, para além de esclarecer que a imagem nada tem a ver com o caso relatado (e constitui por isso uma agressão gratuita à protagonista da notícia) e se limita a reproduzir um preconceito estúpido. Integra-se na mesma linha indigente, a que o PÚBLICO nem sempre escapou, que costuma levar a imprensa sensacionalista a ilustrar com imagens de arquivo tidas por "picantes" (género strip-teaser enrolada num varão) qualquer notícia que possa ter, por remota que seja, alguma relação com sexo. Bárbara Reis considera que o leitor "tem toda a razão": "A fotografia foi mal escolhida (...) porque aquele pessoa não é Sara (é uma mulher anónima na sala de espera de uma ONG) e porque transmite de facto um preconceito". "A fotografia correcta saiu na edição impressa", no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-5977098693573338190?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/5977098693573338190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=5977098693573338190&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5977098693573338190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5977098693573338190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/06/fotografia-boas-e-mas-praticas.html' title='Fotografia: boas e más práticas'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-4170924709650553281</id><published>2011-06-05T04:55:00.000+01:00</published><updated>2011-06-05T04:55:27.040+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Independência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imparcialidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contextualização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Convites'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iniciativa editorial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Distanciamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contraditório'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Credibilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ética'/><title type='text'>"O PÚBLICO viajou a convite de ...". Porquê?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 5 de Junho de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PÚBLICO aceita com frequência convites para viagens em que as despesas de deslocação ou alojamento ficam a cargo das instituições ou empresas que fazem o convite. A publicação dos trabalhos jornalísticos resultantes dessas viagens é acompanhada de uma nota final, em que se assinala que o jornal "viajou a convite de...", seguindo-se a identificação da entidade em causa. É uma norma prevista no Livro de Estilo, que também determina que os jornalistas do PÚBLICO não aceitam convites que "possam condicionar a sua independência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A regra é justificada pela transparência na relação com os leitores, mas não basta para evitar efeitos perversos. Qualquer convite é, por definição, o convite de uma parte interessada, o que conduz facilmente a questão das viagens pagas por entidades externas ao jornal para um terreno escorregadio, em que cada decisão concreta deve ser ancorada no interesse dos leitores, na salvaguarda da independência e nos valores da ética profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abordo hoje este tema na sequência das queixas que recebi de vários leitores a propósito da reportagem intitulada "&lt;em&gt;A vida dos que trocaram Tindouf por Marrocos&lt;/em&gt;", publicada na edição de 22 de Maio. Os jornalistas Sofia Lorena (texto) e Nelson Garrido (fotos) deslocaram-se a à cidade de Dakhla, no território do Sara Ocidental sob ocupação marroquina, numa viagem "a convite da embaixada de Marrocos" em Lisboa. Ali, a repórter do PÚBLICO recolheu, em encontros organizados pelas autoridades de Rabat, declarações do governador da cidade e de sarauís regressados dos campos de refugiados na Argélia, coincidentes na defesa das posições oficiais marroquinas e na crítica à Frente Polisário, que luta pela independência da antiga colónia espanhola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira reclamação chegou do leitor Eduardo Costa Dias: " (...) Escrevo para, por um lado, protestar contra a unilateralidade do texto, e, por outro, perguntar se acha eticamente correcto um jornalista aceitar, ou alguém o mandar aceitar, viajar 'a convite da embaixada de Marrocos' para fazer uma reportagem acerca de um assunto tão politicamente complexo e delicado como é o conflito do Sara Ocidental". No mesmo tom, Raul Curvelo sustenta que a reportagem reproduz "as posições que têm sido reiteradas por Marrocos", pergunta se "quando o leitor abre o PÚBLICO não tem o direito ao contraditório" e, "sobre a questão ética", diz não saber se a referência ao convite a atenua ou agrava. Um outro leitor, A.G. Lourenço, comenta que à jornalista "deram a ver umas coisas sobre as quais queriam que escrevesse" e critica o texto em causa no plano da "isenção" e da "credibilidade", classificando-o como ''publi-reportagem'' ou "encomenda paga".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqui duas questões diferentes: a crítica ao conteúdo da reportagem e a censura das condições em que ela foi efectuada. Considero que a primeira é, no essencial, injusta e que a segunda levanta um problema real, que exige reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma leitura atenta do texto assinado por Sofia Lorena mostra que não estamos perante uma peça tendenciosa. A jornalista enquadra correctamente a reportagem no contexto da disputa sobre o Sara Ocidental, e fá-lo sob um antetítulo claro: "O conflito visto do lado marroquino". A peça começa por explicar as perspectivas opostas do governo de Rabat e dos independentistas. Dá conta das perguntas — formuladas a partir das críticas da comunidade internacional à política do Estado ocupante — a que os seus anfitriões se recusaram a responder. Salienta que as declarações do governador de Dakhla representam "a defesa da estratégia de Rabat". Refere os presos políticos no território e a repressão dos protestos independentistas. Um sarauí "regressado" dos campos de refugiados, que se destaca nas críticas à Polisário, é identificado como um "funcionário público" (da potência ocupante), cujas declarações foram "traduzidas" por um representante do governo marroquino. Foi assegurado, em suma, o indispensável distanciamento profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na explicação que me enviou, Sofia Lorena defende que "nem sempre é possível – e muitas vezes nem sequer faz sentido – que o contraditório seja dado [em discurso directo] a propósito de uma situação de disputa ou conflito". E ilustra essa afirmação recordando, entre outras, as peças que escreveu acerca da greve da fome da activista sarauí Aminatu Haidar, em Dezembro de 2009, ou a recente entrevista que fez, para o PÚBLICO, a um dirigente da Polisário — situações em que "não tinha ninguém ali presente que defendesse a posição do Estado marroquino". Tem razão: é de contextualização que se deve falar nestes casos, com a evocação das posições contraditórias a ser assegurada pela própria jornalista. Cumprido esse dever, o tratamento equilibrado de um determinado tema não pode ser avaliado por uma peça isolada, e sem atenção ao género jornalístico que integra. Por isso considero que Sofia Lorena volta a ter razão quando escreve: "Estas pessoas [as que foram ouvidas para esta reportagem] integram a realidade deste conflito – são uma das suas expressões – e considerei pertinente dar conta da sua existência, das suas histórias e opiniões, algo que nunca tinha sido feito nem por mim nem pelo PÚBLICO".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, é verdade que todas as declarações citadas nesta reportagem em concreto se identificam com o conteúdo da propaganda oficial marroquina sobre a questão do Sara Ocidental. E que foram obtidas numa viagem paga e organizada pelo governo de Marrocos. O que significa que foi, para todos os efeitos, um trabalho efectuado em condições restritivas da liberdade e independência dos jornalistas, dando azo às dúvidas dos leitores sobre a sua credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitando que essas dúvidas "são legítimas", a directora do PÚBLICO, Bárbara Reis, assegura que "aceitar um convite não significa que o jornalista deixe de ser jornalista, ou seja, que não faça perguntas incómodas, não procure diferentes respostas para uma mesma pergunta, ou não tente ver para além do que lhe é mostrado". Cita o exemplo dos jornalistas "que viajam nos aviões fretados pela presidência da República ou por São Bento", sem que isso lhes retire "independência" — situação que não me parece comparável à aceitação do convite da embaixada de um país envolvido num conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bárbara Reis reconhece que a aceitação de convites "não é o ideal": "Com outros meios gostaríamos de poder definir uma regra semelhante à do &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt;: 'A nossa empresa paga [sempre] as despesas'”. Sendo as coisas como são, resume a doutrina aplicada no PÚBLICO: "Quando recebemos um convite, e definido que não há quaisquer condições ou contrapartidas, avaliamos sobretudo se tem ou não relevância jornalística, se o resultado do trabalho pode ou não ser relevante para o leitor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que, não sendo o único, esse é um ponto essencial a ter em conta numa questão que não é consensual no universo da imprensa de qualidade e sobre a qual gostaria de deixar aqui algumas observações que possam contribuir para um debate mais aprofundado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A reportagem, e nomeadamente a grande reportagem sobre os temas fortes da actualidade internacional, deve ser uma das marcas distintivas de um jornal de referência. Um bom exemplo recente foi o da excelente cobertura no terreno, pelos repórteres do PÚBLICO, das revoltas no Norte de África. Sofia Lorena foi um desses repórteres, na Tunísia. O seu trabalho, como o de Paulo Moura no Egipto e na Líbia, deu aos leitores deste jornal um conhecimento da situação que não lhes seria proporcionado — em português — por outros meios. Sabe-se como os actuais constrangimentos financeiros da imprensa dificultam o desejável alargamento da aposta neste género nobre do jornalismo. É compreensível e louvável que a direcção do PÚBLICO procure, como já foi noticiado, patrocinadores externos para viabilizar essa aposta. E é necessário, em nome da independência e da credibilidade, que tais apoios permaneçam desligados da escolha e da natureza dos trabalhos jornalísticos que venham a tornar possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Reportagens "a convite" são outra coisa. Mesmo com todas as garantias de que não são aceites se puderem "condicionar a independência", tais propostas só deveriam ser consideradas numa lógica de autonomia da iniciativa editorial, determinada por critérios de relevância, oportunidade e agenda própria. Essa autonomia e a própria gestão criteriosa de recursos aconselharão que o jornal só aceite convites para viagens pagas por terceiros quando se trate de deslocações que se enquadrem naturalmente nas suas prioridades de agenda, mas para as quais não haja disponibilidade orçamental. Nem sempre será assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quem convida move-se por interesse próprio. Seja a empresa que paga uma viagem para a apresentação de um produto, seja o eurodeputado que chama um redactor a Bruxelas para publicitar um projecto, seja a embaixada que quer dar novo fôlego à propaganda do governo que representa. Poderia multiplicar os exemplos. Sendo o espaço noticioso dos jornais um bem escasso, as viagens "a convite" que não cumpram critérios claros de relevância e oportunidade, ou não representem uma mais-valia clara do ponto de vista informativo, deveriam ser rejeitadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— As aparências contam. Viagens pagas a um jornalista por instituições ou empresas com que este lida habitualmente enquanto fontes ou partes em qualquer tipo de controvérsia dão azo a suspeições legítimas. Também a recente banalização do pagamento, por entidades promotoras, de deslocações para a cobertura crítica de espectáculos, poderá afectar — ainda que de forma injusta para os jornalistas envolvidos — a credibilidade do que se escreve e a confiança na selecção isenta dos acontecimentos que o jornal escolhe noticiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Eduardo Costa Dias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;" (...) Escrevo-lhe para por um lado protestar contra unilateralidade do texto 'A vida dos que trocaram Tindouf por Marrocos' (Público, 22 de Maio 2011) e, por outro, perguntar-lhe se acha eticamente correcto um jornalista aceitar, ou alguém o mandar aceitar, viajar 'a convite da embaixada de Marrocos' para fazer uma reportagem acerca de um assunto tão politicamente complexo e delicado como é o conflito do Sara ocidental. A nota de rodapé ““O PÚBLICO viajou a convite da embaixada de Marrocos » não só não dá garantias de nada, como ainda dá, depois de lido o texto, lugar a todas as interrogações".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;22 de Maio de 2011 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Eduardo Costa Dias&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor Raul Curvelo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Poucas palavras para repudiar o teor da reportagem sobre Marrocos, assinada pela jornalista Sofia Lorena, que saiu na edição dominical do Público [22/5]. De facto, todas as posições que têm sido reiteradas por Marrocos, desde 1956,estão ali. Deixe-me perguntar-lhe: quando o leitor abre o Público não tem o direito ao contraditório? Por exemplo, a ideia de 'pátria' é uma ideia construída pelos nacionalistas do Istiqlal. Por outras palavras, tratar-se-á do sonho do 'Grande Marrocos', que ocuparia a totalidade do Sara Ocidental, bem como da Mauritânia, e parte do Mali e da Argélia. (...) E nada se diz sobre esse sonho expansionista quando se fala nas 'províncias do sul'? Nem se vinca que ali a descolonização nunca foi efectivada à luz da Carta da ONU e não há maneira de o deixar de ser? É função do Público e do jornalismo a sério fazer coro com o facto consumado? Por fim, uma palavra sobre a questão ética. Que toca tanto na [jornalista] Sofia Lorena como no Público. Não sei se a nota de rodapé, que diz que o Público viajou a convite da embaixada de Marrocos, o/a absolve de alguma forma ou o/a condena ainda mais".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;23 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Raúl F.Curvêlo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carta do leitor A. G. Lourenço&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Enquanto comprador/cliente/leitor diário do jornal apenas peço o seguinte: credibilidade, qualidade, inovação e isenção. Sei que não é fácil cumprir isto mas apesar de tudo o Público continua a merecer a minha escolha diária, em papel mas também na Net. Mas ultimamente confesso o meu desapontamento quanto aos pontos que acima referi, sobretudo no que diz respeito à credibilidade e à isenção, coisa que não sentia já desde os últimos tempos do anterior director, que apesar de tudo me conseguiu manter fiel ao jornal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ultimamente o jornal tem tomado, a meu ver, e isto é obviamente subjectivo, deliberadamente partido na política nacional. Não é problemático desde que o assuma. Também nos artigos de opinião as opiniões são cada vez mais restritas e caminham praticamente todas no mesmo sentido, o que é uma pena. Nas notícias peço apenas isenção, seriedade e qualidade, nos artigos de opinião qualidade, seriedade e pluralismo na escolha de quem escreve. O contraditório é essencial, para lermos sempre a mesma opinião compramos um jornal dum partido político.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas o que me levou a escrever foi o artigo 'A vida dos que trocaram Tindouf por Marrocos', que deveria ter escrito, em letras bem grandes, que se tratava de uma 'publi-reportagem', feita por uma 'jornalista' que foi passear e a quem deram a ver umas coisas sobre as quais queriam que escrevesse, a quem apresentaram umas pessoas feitas com o sistema, que não investigou nada e que escreveu um artigo sem qualquer rigor ou isenção (...). Costuma dizer-se que os jornais estão em crise por causa da Net. Não é por causa da Net, mas sim devido a este tipo de jornalismo e de encomendas pagas, que se passam por jornalismo. Estão em crise por falta de credibilidade (...)".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;23 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;A.G. Lourenço&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas dirigidas à autora do texto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; Quer comentar as alegações de que o texto intitulado "A vida dos que trocaram Tindouf por Marrocos" seria "unilateral" e "sem contraditório"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;. Independentemente da questão anterior, que pensa da alegação de que uma viagem a convite da embaixada de um país envolvido num conflito afectará a credibilidade do trabalho jornalístico decorrente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Pode esclarecer melhor em que consistiu esse trabalho jornalístico, tendo em conta que a generalidade das declarações que cita terão sido, como explica no texto, prestadas na presença (e, não sei se em todos os casos, com tradução) de um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Marrocos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;24 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Respostas da jornalista Sofia Lorena&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; Nem sempre é possível – e muitas vezes nem sequer faz sentido – que o contraditório seja dado na primeira pessoa a propósito de uma situação de disputa ou conflito. Julgo que quem ler o texto com boa fé não pode afirmar que o contraditório não está lá, dado por mim, sempre que as pessoas que ouvi fazem afirmações que são alvo de disputa ou mesmo quando são parciais nos factos que enumeram ou nas opiniões que expressam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A título de exemplo, cito o parágrafo em que dou conta das questões que coloquei ao director da Agência para a Promoção e o Desenvolvimento das Províncias do Sul e que ficaram sem resposta: “questões sobre o referendo de autodeterminação, o acordo de pescas entre Marrocos e a UE que, segundo um parecer jurídico do Parlamento Europeu, não respeita o direito internacional (os lucros da exploração dos recursos de um Território Não Autónomo têm de ser usados em benefício da sua população) ou o acampamento de protesto erguido em Outubro do ano passado em Gdeim Izik (perto de El Aiún) e desmantelado à força”; a frase em que sublinho que, com as suas afirmações, o governador de Daklha está a “assumir a defesa da estratégia de Marrocos”; ou ainda quando, depois de citar o mesmo governador atribuindo a “infiltrados da Argélia” todos os protestos que regularmente acontecem em El Aiún contra a governação/ocupação marroquina, escrevo que “há activistas pró-independência presos em El Aiún e em Marrocos e os seus protestos são reprimidos”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E para melhor explicar a minha afirmação inicial, sobre o contraditório, apresento alguns exemplos: quando acompanhei a greve de fome da activista Aminatu Haidar no aeroporto de Lanzarote, naturalmente não tinha ninguém ali presente que defendesse a posição do Estado marroquino (“Ela resiste num parque de estacionamento”, Público, 09-12-2009; “Aminatu Haidar – A luta é dela, mas ela não está sozinha”, P2, 10-12-2009; “Eurodeputados portugueses desembarcam em Lanzarote”, Público, 10-12-2009; “Hoje é um bom dia para a esperança!”, Público, 11-12-2009; “A biologia não entende questões diplomáticas, alerta o médico de Haidar”, Público, 12-12-2009; “Libertar o Sara vai obrigar Marrocos a democratizar-se”, Público, 13-12-2009; “Marrocos prefere que me aconteça uma tragédia”, Público, 14-12-2009, só para citar os textos publicados na edição impressa). O mesmo aconteceu quando estive na manifestação que se seguiu ao seu regresso ao Sara Ocidental, em Madrid (dos meus dias em Lanzarote e da ida a essa manifestação resultou a reportagem “O Sara é deles todos”, capa da revista Pública de 03-01-2010). Ou quando entrevistei Haidar o ano passado em Lisboa, no dia em que o Exército marroquino desmantelou à força o acampamento de protesto de Gdem Izik (Se Espanha e França “esperavam por mortos, já há mortos”), Público, 9-11-2009). Ou quando entrevistei, já em Abril deste ano, o representante da Frente Polisário para as relações com a Minurso, Mohammed Khadad (“Só queremos a protecção das palavras, mas precisamos de palavras fortes”, 17-04-2001, Pág 16 Público). Ou mesmo quando, ainda o ano passado, escrevi sobre activistas espanhóis detidos e espancados em El Aíun (“O meu rosto é o reflexo do que vivem todos os sarauís”, Público, 31-08-2010).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acrescento que quando em causa estão violações de direitos humanos considero existir um compromisso dos jornalistas a favor das vítimas. A maioria dos meus textos sobre o Sara Ocidental tem reflectido isso mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt; O Público aceita, com algumas excepções, viagens a convite. Quando o jornalista decide escrever com base no trabalho que faz nessas viagens, informa sempre o leitor do contexto em que elas aconteceram. No meu caso, o que tento em cada viagem a convite é fazer os meus próprios contactos, acrescentando-os aos que me forem proporcionados pela organização da viagem. Foi o que fiz no conjunto da minha viagem a Marrocos, a propósito da qual já foram publicados textos no Público e serão ainda publicados outros. No caso da visita a Dakhla, esta durou apenas 24 horas, limitando assim o meu trabalho. Dakhla, aliás, é uma pequena cidade, a 550 quilómetros da principal cidade do Sara Ocidental, El Aíun, como escrevo no próprio artigo. A opção foi assim a de dar conscientemente o lado dos sarauís que escolhem viver no Sara governado por Marrocos, “os que trocaram a Polisário por Marrocos”, como o título anuncia, que acaba por coincidir com o lado marroquino do conflito, algo que nunca tinha feito, partilhando isso mesmo com o leitor no próprio texto. Julgo que a forma como o fiz fica clara com os exemplos que enumerei acima, mas explico uma vez mais que o fiz apontando sempre que as posições manifestadas pelas pessoas citadas são as posições de Marrocos e acrescentando a informação necessária para o leitor ficar a conhecer as posições divergentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Como está explicado no próprio artigo, as conversas com todas as pessoas citadas decorreram na presença de um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Marrocos. Como também fica claro no artigo, a conversa com os dois “regressados” foi traduzida pelo mesmo responsável, enquanto a conversa com o governador de Daklha decorreu em espanhol, sem necessidade de tradução. A conversa com o director da Agência para o Desenvolvimento das Províncias do Sara, com o qual os jornalistas portugueses convidados para esta viagem se encontraram em Rabat, decorreu em francês, sem necessidade de tradução. A viagem a Dakhla era parte de um programa mais vasto sobre o qual não vale a pena alongar-me por não estar em causa no artigo alvo das críticas dos leitores. Durou 24 horas, no decorrer das quais a própria organização (neste caso, a embaixada, o MNE e a própria região de Dakhla) nos convidou a conversar com um grupo de “regressados” e membros de associações da região e ainda com um grupo de eleitos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Estas pessoas integram a realidade deste conflito – são uma das suas expressões – e considerei pertinente dar conta da sua existência, das suas histórias e opiniões, algo que nunca tinha sido feito nem por mim nem pelo Público.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;25 de Maio de 2011 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Sofia Lorena&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas à direcção editorial&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não é legítimo que uma reportagem decorrente de uma viagem feita a convite da embaixada de um país envolvido num conflito levante dúvidas aos leitores quanto à sua credibilidade e isenção? É possível explicar aos leitores a "política" do jornal no domínio das deslocações "a convite de", e quais os seus limites?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;24 de Maio de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta da directora do PÚBLICO&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;As dúvidas são legítimas, com certeza. Mas aceitar um convite não significa que o jornalista deixe de ser jornalista. Ou seja, que o jornalista não faça perguntas incómodas, não procure diferentes respostas para uma mesma pergunta, ou não tente ver para além do que lhe é mostrado. Os jornalistas que cobrem a Casa Branca em exclusivo, ou seja, que viajam com os Presidentes americanos para todo o lado, no seu avião, que o seguem todos os dias a todas a horas, não fazem jornalismo de qualidade? Estão mais próximos e envolvidos, é certo, e haverá histórias que, provavelmente, não terão distância para fazer. Mas isso tornou os correspondentes da Casa Branca dóceis em relação a George Bush, para dar um exemplo clássico? O mesmo se passa com os jornalistas portugueses que viajam nos aviões fretados pela presidência da República ou por São Bento nas viagens oficiais (que já foi uma prática comum). Não têm independência porque viajam com o poder? A prática mostra o contrário, com alguns casos recentes bem conhecidos. Os jornalistas não podem aceitar – e no PÚBLICO isso nunca aconteceu – convites com reservas ou condições, sejam elas quais forem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não é o ideal, naturalmente, e com outros meios gostaríamos de poder definir uma regra semelhante à do NYT: “A nossa empresa paga [sempre] as despesas”. O facto é que mesmo os jornais de referência “ricos” aceitam convites, de países, empresas ou grandes museus. Não somos o New York Times, que define no seu livro de estilo que os jornalistas “podem aceitar uma bebida quando oferecida como rotina em conferências de imprensa” e, praticamente, nada mais. O nosso livro de estilo define que os jornalistas do PÚBLICO não podem aceitar viagens que “condicionem a independência editorial”. E é isso que tentamos sempre fazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando recebemos um convite, e definido que não há quaisquer condições ou contrapartidas, avaliamos sobretudo se tem ou não relevância jornalística, se o resultado do trabalho pode ou não ser relevante para o leitor. Muitas destas viagens são aliás úteis na formação dos jornalistas e incluem briefings de background com pessoas que, de outra maneira, não são habitualmente acessíveis, e por vezes nem escrevemos nada finda a viagem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Neste caso concreto, basta ler o texto da Sofia Lorena para se ver como a jornalista, que conhece bem Marrocos de viagens anteriores, foi visitar “um lado do problema” e fala constantemente sobre as perspectivas “do outro lado do problema”, sobre a visão de instituições internacionais independentes e expõe até as perguntas às quais não teve resposta. Por fim, não sejamos inocentes. Objectividade absoluta é algo que não existe, esteja o jornalista num país longínquo a convite de alguém ou sentado na sua secretária na redacção. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3 de Junho de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Bárbara Reis&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-4170924709650553281?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/4170924709650553281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=4170924709650553281&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4170924709650553281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4170924709650553281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/06/o-publico-viajou-convite-de-porque.html' title='&quot;O PÚBLICO viajou a convite de ...&quot;. Porquê?'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-4061891860887611596</id><published>2011-05-29T04:57:00.000+01:00</published><updated>2011-05-29T04:57:05.549+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Validação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imparcialidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Factos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Correcções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contextualização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Títulos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isenção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enquadramento'/><title type='text'>Quando a notícia desautoriza o título</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 29 de Maio de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na passada quarta-feira foi publicada neste jornal uma notícia exclusiva, intitulada, a toda a largura de uma página, "&lt;em&gt;Ministério do Ambiente enviou à PGR denúncia contra empresa ligada a Catroga&lt;/em&gt;". O interesse público do que nela é relatado não suscita dúvidas. Trata-se de um caso de alegada subfacturação numa empresa de tratamento de resíduos licenciada pelo Estado, que teria resultado numa operação de evasão fiscal de grande dimensão. No essencial, é uma notícia bem documentada e redigida de forma competente e equilibrada. É certo que os leitores não ficam a saber se as ilegalidades apontadas ocorreram ou não, mas o facto de um departamento governamental ter remetido essa denúncia às autoridades judiciais justifica a publicação e o seu relevo, esperando-se agora que o jornal se mantenha atento aos desenvolvimentos do caso e procure investigar os fundamentos da acusação lançada contra a empresa em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a publicação desta notícia suscitou críticas — que considero inteiramente justificadas — de vários leitores. Em causa está sobretudo o título escolhido, que envolve directamente o ex-ministro do PSD Eduardo Catroga no que o antetítulo define como um caso de "suspeitas de subfacturação". E o problema agrava-se com o título da chamada de capa ("&lt;em&gt;Queixa contra empresa de Catroga na PGR&lt;/em&gt;"), que só pode ser considerado enganador e abusivo face ao que se relata na notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que se compreenda porquê, bastará recordar os factos mais relevantes que dão corpo à peça publicada. Uma denúncia anónima, apontando ilegalidades à gestão da empresa Sisav, detentora de uma licença para a exploração de um centro de tratamento de resíduos perigosos, terá sido recebida na Agência Portuguesa de Ambiente. Este organismo oficial decidiu, no início deste mês, remeter ao Ministério Público a documentação a que teve acesso sobre as práticas denunciadas: subfacturação no valor de cerca de dois milhões, e consequente simulação de um prejuízo de cerca de 800 mil euros referente ao ano de 2009. A Sisav tinha nessa altura dois accionistas principais: o grupo Egeo, em posição maioritária, e a empresa Sapec, presidida por Eduardo Catroga (que nunca integrou a administração da Sisav). Documentos internos consultados pelo PÚBLICO dão notícia de um conflito entre as duas partes, em Outubro passado, com a Sapec a acusar a Egeo das irregularidades agora denunciadas e a exigir uma auditoria às contas. O conflito terá sido resolvido com a recente venda da participação accionista da Sapec à Egeo, um acordo que terá incluído a não realização da auditoria. A presidir à administração da Sisav está, desde Dezembro, Júlio Castro Caldas (outro ex-ministro, mas do PS), que nega as acusações de subfacturação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo isto se pode concluir que, venham ou não a provar-se as acusações à anterior gestão da Sisav, quem as terá formulado em primeiro lugar terá sido precisamente a Sapec, essa sim uma empresa que poderá ser legitimamente referida como "empresa de Catroga". Os factos revelados justificam que o ex-ministro de Cavaco Silva seja inquirido sobre as razões ou interesses que terão levado a empresa a que preside a abandonar a exigência de uma auditoria a práticas consideradas ilegais e lesivas do erário público. Espera-se que esse e outros aspectos venham a ser esclarecidos pelo PÚBLICO, numa investigação que os leitores têm direito a esperar que prossiga em busca da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os mesmos factos não autorizam de modo algum os títulos escolhidos, que não podem deixar de ser lidos como envolvendo Catroga (e só ele, no plano individual) nas suspeitas sobre actos ilegais que o próprio, afinal, terá condenado. Têm toda a razão os leitores que criticaram esses títulos, e é compreensível que os tenham classificado como "facciosos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor da notícia, José António Cerejo, assume a responsabilidade pelos títulos publicados, embora afirme que "hesitou muito" a esse respeito. Numa explicação que me enviou (e que pode ser consultada no meu blogue, acessível a partir da página de abertura do Público Online), argumenta que "não sendo plausível que a Sapec e o seu presidente, Eduardo Catroga, não soubessem das irregularidades cuja existência a empresa veio a alegar, dispondo de vários administradores na Sisav, não fazia sentido secundarizar o seu papel no caso". Por isso, explica, "pareceu-me justificado, admito que mal, o destaque dado ao nome" do ex-ministro, "porque se trata de um gestor que, enquanto político, tem agora altas responsabilidades no futuro dos portugueses ".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com isto que não posso estar de acordo. O que estaria sempre errado face aos elementos de informação disponíveis — destacar o nome de Catroga como alvo de uma denúncia de práticas que ele próprio terá criticado — torna-se francamente inaceitável quando, em plena campanha eleitoral, a opção é explicada pela sua actual notoriedade, para a qual concorre, além de tudo o mais, o facto de ter sido o coordenador do actual programa eleitoral do PSD. Este é um caso em que títulos desajustados, que muitos leitores terão motivo para considerar tendenciosos, mancham uma notícia e põem em causa a reputação de independência e isenção de um jornal. Penso que o PÚBLICO deve reconhecê-lo e sentir-se obrigado a esclarecer até ao fundo tudo o que neste caso se pode considerar obscuro: desde os contornos da alegada fraude empresarial à reclamação de uma auditoria que depois se esquece, passando naturalmente pela oportunidade da denúncia e da sua divulgação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;"Se venho ao vosso site, por alguma razão é"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 08h28 do passado dia 20 o Público Online anunciava em título: "&lt;em&gt;Procuradora que conduzia alcoolizada foi detida pela polícia e libertada por colega&lt;/em&gt;". Seguiam-se seis parágrafos com "informações" retiradas na totalidade, e sem qualquer procedimento de verificação, das páginas da edição desse dia do &lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;, onde o tema fizera a manchete sensacionalista (e no mínimo inexacta) "Procuradora com álcool perdoada". Apesar de assinado "Por PÚBLICO", o texto denunciava a ausência de autonomia editorial e de confirmação independente dos factos e do seu enquadramento, ao terminar com esta surpreendente frase: "Nenhum dos envolvidos quis comentar o caso ao &lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta peça acriticamente "importada" estava marcada por diversas imprecisões e faltas de rigor — nem a procuradora foi "libertada" pelo seu colega, nem o caso deixou de seguir como inquérito criminal para o tribunal competente —, que só viriam a ser corrigidas oito horas depois, na edição&lt;em&gt; on line&lt;/em&gt;, e no dia seguinte na edição impressa, em textos assinados pela jornalista Paula Torres de Carvalho, que esclareciam os factos e o seu enquadramento jurídico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, e a meu ver mal, a segunda notícia na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; omitia qualquer referência aos erros da anterior, que era um exemplo típico da exploração sensacionalista que faz tábua rasa da verdade, do contexto e do contraditório para "vender" a indignação fácil contra "os poderosos" que se protegeriam uns aos outros. Efeito rapidamente conseguido, a avaliar por muitos dos comentários que suscitou, enquanto vários leitores protestavam, por seu lado, contra o que consideravam ser um desvio à linha editorial do PÚBLICO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das várias mensagens que recebi, assinada pelo leitor Eduardo Santos, diz o essencial do que há a dizer: " (...) Deveriam ter investigado o porquê de a senhora ter sido solta, antes de publicarem esta notícia de tablóide (...). Se não são obrigados a conhecer todas as leis, deveriam ser obrigados a investigar. (...) O facto de a notícia vir do &lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt; não vos desculpa. Eu encontrei-a aqui, logo passou pelos vossos filtros editoriais. Se eu quisesse ler o&lt;em&gt; Correio da Manhã&lt;/em&gt;, ia ao &lt;em&gt;site &lt;/em&gt;deles. Se venho ao vosso, por alguma razão é".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho defendido neste espaço que a pressa em dar notícias sem cumprir procedimentos indispensáveis à sua validação, resultante de uma lógica de concorrência que sacrifica a qualidade, produz mais estragos que benefícios, e contribui para apagar as diferenças que levam os leitores deste jornal a preferi-lo. Hoje, porém, posso concluir com uma nota de optimismo. A directora do jornal, que considera que o texto criticado não deveria ter sido colocado em linha, explicou-me que as práticas seguidas no Público Online vão ser alteradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreve Bárbara Reis: "Sendo quase impossível contactar fontes às 7h da manhã, hora a que a nossa redacção começa a trabalhar, tínhamos por hábito ler os jornais e fazer breves notícias sobre alguns dos temas citando apenas os jornais onde essas notícias tinham sido publicadas. Acabámos, porém, de criar uma nova regra: só se publicam informações de outros jornais no site depois de verificadas, em particular informações de jornais tablóides, portugueses ou estrangeiros. Claro que há excepções e o bom senso terá que prevalecer. Entrevistas e notícias com fontes fidedignas e identificadas podem, à partida, ser citadas pelo site do PÚBLICO sem necessidade de verificação anterior".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma boa regra, que só posso aplaudir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;"O caso da 'empresa ligada a Catroga'"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunta ao jornalista José António Cerejo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A leitura da peça "Ministério do Ambiente enviou à PGR denúncia contra empresa ligada a Catroga", na edição de 25 de Maio, coloca na minha opinião (e de um ou outro leitor que entretanto a comentou) uma questão relevante sobre a pertinência do título escolhido. [Segundo se lê na própria notícia], as alegadas práticas de subfacturação na Sisav, que justificarão a substância da notícia, terão sido criticadas pela accionista Sapec (a empresa presidida por Catroga), que terá mesmo chegado a exigir uma auditoria às contas da Sisav. Se é assim — e tendo ainda em conta que, como é explicado, Catroga nunca pertenceu à gestão da Sisav —, o que justifica um título que tenderá a ser lido como envolvendo-o nas actividades alegadamente ilegais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;25.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta de José António Cerejo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Confesso que hesitei muito nos dois títulos, pelos quais sou o único responsável. Na minha cabeça pesaram os argumentos todos e conclui que, não sendo plausível que a Sapec e o seu presidente, Eduardo Catroga, não soubessem das irregularidades cuja existência a empresa veio a alegar, dispondo de vários administradores na Sisav, não fazia sentido secundarizar o seu papel no caso. Tinha aliás informações, que não pude testar devido à indisponibilidade de Catroga e da Sapec para falarem comigo, que esta empresa se preparava para adquirir a posição do parceiro maioritário na Sisav e que só teria exigido a auditoria para reforçar a sua posição negocial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Parecendo-me que, a haver ilegalidades, coisa que eu não escrevi que houve ou deixou de haver porque não sei – disse foi que houve uma denúncia e documentos internos que o afirmam –, elas envolveriam de igual para igual as duas partes, entendi , repito, não secundarizar a Sapec. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Estando eu perante uma situação em que uma empresa na qual a Sapec partilhava em pé de igualdade as responsabilidades da gestão (segundo afirmou o seu actual presidente, Júlio Castro Caldas) era questionada quanto aos seus métodos e ao cumprimento das suas obrigações, pareceu-me justificado, admito que mal, o destaque dado ao nome de Eduardo Catroga. Isto porque se trata de um gestor que, enquanto político, tem agora altas responsabilidades no futuro dos portugueses, sendo certo que a sua imagem pública é a de um gestor rigoroso e altamente profissional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uma coisa fiz eu: foi esforçar-me por nada omitir quanto aos envolvimentos políticos dos dois administradores (Caldas e Catroga) referindo-o nos mesmos termos e com igual destaque e deixar claro, embora não fosse obrigatório fazê-lo, que Catroga nunca tinha sido administrador da Sisav (podia referir apenas que ele era presidente de uma das empresas accionistas). Note-se, porém, que eu não podia pôr Castro Caldas e Catroga em posições semelhantes, optando por exemplo por destacar o ex-ministro do PS, visto que este só se tornou presidente da Sisav em Dezembro do ano passado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Acrescento ainda que não excluo a possibilidade de, inconscientemente, ter sido contaminado pela barragem de fogo que as mais altas figuras do PS dirigem contra mim há vários anos, com o pretexto, falso, de que só me interesso profissionalmente pelos “casos” que envolvem dirigentes socialistas (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;25.05.11&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;José António Cerejo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;"O caso da procuradora alcoolizada"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem do leitor Sérgio Cardoso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Título absolutamente falso: a procuradora já havia sido libertada pela polícia. Por isso é que foi notificada para comparecer no Tribunal no dia seguinte. A acção do "colega" foi declarar a nulidade da detenção. O que, concorde-se ou não, nada retira quanto à responsabilidade criminal da colega. A única diferença é que, em vez do processo seguir na forma sumária (depende de detenção), seguia a forma comum. Mas o resultado será sempre o mesmo. Enfim, mais um episódio da profunda lavagem cerebral feita pelos jornalistas relativamente à justiça...".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;20.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Sérgio Cardoso&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem do leitor Eduardo Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"33985 leitores, 120 comentários, 192 likes e 303 comentários no Facebook. Por enquanto, claro. Uma data de gente indignada, uma data de gente que cada vez acredita menos nas instituições, e um bota-abaixismo deprimente. Parabéns. Isto porque apresentaram a notícia como se se tivesse tratado de um favor especial entre magistrados, furtando-se ao cumprimento da lei, por serem magistrados. Claro que é coisa para o comum cidadão ficar indignado. Não sei se isso vos dá jeito para terem mais visitas, ou para haver mais agitação política, não sei mesmo... Esta notícia está vergonhosa, e é de facto um exemplo de uma não notícia. Só é notícia, porque souberam dar-lhe a volta e transformá-la em algo. Mas furtando-se ao que é jornalisticamente terá alertado que os magistrados estão sujeitos a um estatuto próprio, que poderá ter justificado que a senhora tenha sido libertada. Repare, eu digo "poderá ter justificado", porque não sei se assim o foi, tal como vocês. Mas tentando eu ser imparcial, não posso omitir este facto crucial. O desconhecimento do estatuto dos magistrados não vos serve de desculpa. Se não sabem, contratem juristas para as redacções. Eles até andam baratos. Deveriam ter investigado o porquê da senhora ter sido solta, antes de publicarem esta notícia de tablóide, dando a entender que foi um favor pessoal entre colegas. Deveriam ter investigado. Se não são obrigados a conhecer todas as leis, deveriam ser obrigados a investigar. Também o facto de a notícia vir do Correio da Manhã não vos desculpa. Eu encontrei-a aqui, logo passou pelos vossos filtros editoriais. Se eu quisesse ler o Correio da Manhã, ia ao site deles. Se venho ao vosso, por alguma razão é. Mas se calhar, eu é que estou errado...".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;21.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Eduardo Santos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comentário do leitor António Conceição&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Este é o tipo de notícia que um jornal de referência como o Público não devia divulgar sem tratamento jornalístico sério. A procuradora em causa não foi libertada por um colega, como se diz. O colega fez o que a lei lhe impunha que fizesse e não cumpria o seu dever se fizesse o contrário. Obviamente que este tipo de notícia sensacionalista concita as reacções caninas da ignorância e isso rende audiência (e publicidade) ao Correio da Manhã. Mas um jornal como o Público não devia embarcar na mesma conduta(...)".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;20.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;António Conceição&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem do leitor Tiago Fazenda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[Sobre a peça intitulada "Procuradora que conduzia alcoolizada foi detida pela polícia e libertada por colega":] "Notícia maliciosa e que afasta gente séria deste jornal".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;21.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Tiago Fazenda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas à autora da segunda notícia sobre o caso... &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[Como autora da notícia "&lt;em&gt;Tribunal da Relação vai apreciar processo de magistrada alcoolizada&lt;/em&gt;" (Público Online, 20.05, 16h29), que corrige a notícia "&lt;em&gt;Procuradora que conduzia alcoolizada foi detida pela polícia e libertada por colega&lt;/em&gt;", assinada "Por PÚBLICO" e publicada cerca de oito horas antes], tem alguma informação que possa contribuir para esclarecer o caso? (...) Foi feita alguma confirmação da notícia do Correio da Manhã? (...) É prática habitual colocar em linha notícias de outros jornais, sem procedimentos de verificação? (...) Os novos elementos recolhidos [para a segunda notícia] não obrigavam a uma referência/correcção à notícia anterior?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;24.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...e resposta da jornalista Paula Torres de Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Apesar dos esforços em contrário, o que continua a acontecer no online é que a “urgência” em dar notícias muitas vezes leva apenas a reproduzi-las citando a sua proveniência. Não está enraizada a atitude de, esperando o tempo que for necessário, averiguar o que se passa e escrever uma notícia com os elementos que nós recolhemos. Pelo contrário, há a ansiedade (“A Lusa já deu, a SIC está a dar”) e mais vale escrever já com o que se diz, mesmo sem saber se é verdade, do que noticiar algo, que está a ser divulgado às 9 da manhã, só às 8 da noite. É por isso que este tipo de coisas acontece. E, diz-me a experiência, um grande número de notícias é lançado cá para fora ou sem confirmar, ou sem respeitar o contraditório, ou apenas com uma parte dos factos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No que respeita à magistrada, como os envolvidos não prestaram declarações, pedi esclarecimentos à PGR, que depois emitiu uma nota com os factos e com as explicações sobre as competências e as leis. Já com a notícia de que seria a Relação a apreciar o caso, escrevi-a para o online e para o papel e tentei explicar da forma mais rigorosa o que estava em causa. Provavelmente poderia ter corrigido a notícia do Correio da Manhã, mas também há aquela atitude moralista e corporativista de que não devemos “desmentir” os outros. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;24.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Paula Torres de Carvalho &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perguntas à direcção editorial do PÚBLICO...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1. Foi feita alguma confirmação da notícia do Correio da Manhã, para confirmar a sua veracidade ou obter explicações suplementares?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2. É prática habitual colocar em linha notícias de outros jornais, sem procedimentos de verificação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3. A assinatura "por PÚBLICO" deve ser lida como uma validação da notícia pela redacção do PÚBLICO? E essa validação mantém-se?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4. Os novos elementos recolhidos para a notícia de 21/05 (no papel) não obrigavam a uma referência/correcção à notícia anterior?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;24.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;... e as respostas da directora, Bárbara Reis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;1. Publicámos duas notícias sobre este tema no online. A primeira às 8h28 da manhã, a segunda às 16h29. A primeira citava apenas o Correio da Manhã. A segunda resultou de trabalho nosso, trabalho de verificação e contextualização. A primeira não deveria ter sido publicada. Apenas a segunda.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;2. De madrugada sim, tem sido verdade. Sendo quase impossível contactar fontes às 7h da manhã, hora a que a nossa redacção começa a trabalhar, tínhamos por hábito ler os jornais e fazer breves notícias sobre alguns dos temas citando apenas os jornais onde essas notícias tinham sido publicadas. Acabámos, porém, de criar uma nova regra: só se publicam informações de outros jornais no site depois de verificadas, em particular informações de jornais tablóides, portugueses ou estrangeiros. Claro que há excepções e o bom senso terá que prevalecer. Entrevistas e notícias com fontes fidedignas e identificadas podem, à partida, ser citadas pelo site do PÚBLICO sem necessidade de verificação anterior.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;3. Assinar “PÚBLICO” significa apenas que não houve investimento do jornalista (na qualidade ou quantidade da informação) que justifique identificar o seu autor. É o caso, por exemplo, de notícias de agências noticiosos às quais se acrescentaram alguns dados, mas não se alterou a informação original de forma substantiva.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;4. No papel corrigimos os erros do papel e no site corrigimos os erros do site, como é prática internacional. Aqui colocar-se-ia a questão de corrigir uma notícia de outro jornal que nós, citando, reproduzimos.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;26.05.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Bárbara Reis&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-4061891860887611596?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/4061891860887611596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=4061891860887611596&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4061891860887611596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4061891860887611596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/05/quando-noticia-desautoriza-o-titulo.html' title='Quando a notícia desautoriza o título'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-2695590893934467795</id><published>2011-05-22T03:58:00.009+01:00</published><updated>2011-05-29T02:17:12.340+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sondagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Números'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rigor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Interpretação'/><title type='text'>Cuidado com os números</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;(Crónica da edição de 22 de Maio de 2011)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. A desvalorização das sondagens sobre intenções de voto é comum, por razões compreensíveis, no discurso político oficial. Mas isso não as torna menos úteis como instrumentos de conhecimento e reflexão para o conjunto dos eleitores nos períodos que precedem a chamada às urnas. Ponto é que as suas limitações sejam claramente assumidas pelos órgãos de comunicação que as divulgam, e que estes garantam o máximo rigor na análise e interpretação dos resultados fornecidos pelos inquéritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série de oito sondagens que o PÚBLICO começou a divulgar a cerca de um mês de distância das próximas legislativas (falta ainda conhecer três) segue uma metodologia diferente da habitual. Uma das técnicas usadas nestes inquéritos, conhecidos por &lt;i&gt;tracking polls&lt;/i&gt;, e que neste caso estão a ser divulgados com uma periodicidade bissemanal, é a de reaproveitar uma parte das respostas (as mais recentes) à sondagem anterior, eliminando-se outra parte (as mais antigas) e completando-se a nova amostra com um número de novos inquiridos equivalente ao dos que não transitaram da amostra antecedente. O objectivo é o de focar a atenção na evolução das preferências eleitorais ao longo de todo o período de campanha (e pré-campanha) e, eventualmente, no peso que determinados episódios do combate eleitoral possam ter nessa evolução. Mais do que dar a ver uma série de instantâneos sobre as intenções de voto, como os que são captados pelas sondagens tradicionais, este tipo de metodologia projecta o filme da evolução das preferências do eleitorado, à medida que se desenvolve a campanha e se aproxima a data da eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me tendo sido possível obter, em tempo útil, uma explicação da direcção do PÚBLICO sobre as razões da adopção desta metodologia, que contribuísse para uma ponderação das suas vantagens e desvantagens, julgo que vale a pena citar a chamada de atenção de um leitor. Reconhecendo que "o valor acrescentado que [as &lt;i&gt;tracking polls&lt;/i&gt;] trazem sobre outros métodos é o de se concentrarem, não na determinação do nível de votação previsto, mas na evolução do sentido de voto entre dois momentos", procurando "avaliar (...) quem sobe, quem desce, que temas ganham importância, quais os que a perdem, etc.", o leitor Rui Feijó considera que não estarão a ser aproveitadas da melhor maneira as potencialidades desta metodologia."Apesar de [o jornal] ter optado por este tipo específico de sondagem," — escreve — "os textos de comentário que tem publicado a acompanhar os seus resultados detêm-se com grande ênfase no nível de votação previsto para cada um dos partidos — o que não é o elemento que estas sondagens melhor medem. É pena que se faça um esforço de sofisticação e não se acompanhe esse mesmo esforço com o rigor que a análise dos resultados destas sondagens exige, resvalando para comentários mais adequados a resultados obtidos por outro tipo de métodos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma opinião que valerá a pena ponderar em futuras iniciativas. Poderia pensar-se, por exemplo, em incluir nos inquéritos questões temáticas ou referentes a episódios significativos da campanha, que permitissem dar maior sustentabilidade ao esforço interpretativo que o PÚBLICO tem já vindo a fazer, associando acontecimentos ou declarações políticas específicas às evoluções positivas ou negativas das intenções de voto em cada partido, patentes nos gráficos que ilustram o "histórico" dos resultados desde a publicação da primeira sondagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, as características próprias destes inquéritos, ainda pouco comuns entre nós, deveriam, na minha opinião, ser claramente descritas nas fichas técnicas que acompanham as sondagens, tal como é feito com outros dados relevantes para a sua leitura, como a dimensão da amostra ou os factores que possam condicionar a sua representatividade, como, neste caso, o facto de o inquérito se limitar a possuidores de telefone fixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2&lt;/b&gt;. Passando ao rigor que deve ser exigido aos textos de comentário aos resultados das sondagens, o mesmo leitor adverte, com razão, que "o PÚBLICO tem vindo a assumir com alguma ligeireza que a maioria absoluta se obtém com 45% dos votos". É, de facto, o que se lê em pelo menos dois desses textos, publicados, respectivamente, nas edições dos passados dias 14 e 17. Conhecida a importância que os cenários aritméticos sobre futuras maiorias parlamentares podem ter na determinação do voto individual — e em especial nas legislativas que se aproximam —, não é aceitável que se faça uma afirmação taxativa como esta, que se encontrava na edição da passada terça-feira: "Tendo em conta que uma maioria absoluta se consegue com 45 por cento dos votos, PSD e CDS não precisariam de mais nenhum partido para fazer passar os seus diplomas no Parlamento".Como nota Rui Feijó, "é possível que até com 44% possa haver uma maioria absoluta de um só partido, mas as contas não se podem fazer da mesma maneira quando se está perante mais do que um partido". Num sistema como o que vigora entre nós, em que a proporcionalidade global é afectada por haver apuramento de eleitos em 22 círculos de dimensão muito variável (dos 47 de Lisboa aos 2 de Portalegre), o que leva ao "desperdício" de muitos votos nos partidos de menor dimensão nos círculos mais pequenos, "não se pode somar a votação de dois partidos (sobretudo quando um deles não consegue converter votos em mandatos em muitos círculos eleitorais) como se dessa soma resultasse um aproveitamento completo desses votos". É por isso, aliás, que "uma maioria absoluta, para ser obtida por dois partidos que não concorram coligados, exige mais votos do que se concorressem coligados". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo claro que uma maioria absoluta de deputados PSD+CDS, que foi o exemplo citado na peça do PÚBLICO, pode ser alcançada sem uma maioria absoluta de votos nesses dois partidos, o leitor acrescenta que a determinação de uma fasquia mínima (na votação nacional) para esse efeito é ainda prejudicada pela "imprevisibilidade derivada da distribuição do voto" entre essas duas forças políticas ("por exemplo, uma situação de PSD com 44% e CDS com 1% daria certamente mais deputados do que PSD com 35% mais CDS com 10%"). Tudo dependerá sempre da configuração dos resultados distritais, pelo que "um crescimento do CDS tanto pode ser benéfico [para a formação de uma tal maioria], se passar a eleger deputados em mais distritos, como nefasto, se o seu nível de votação não abrir novas portas e 'roubar' votos ao PSD na distribuição de mandatos". Por isso, conclui Rui Feijó, "seria útil que o PÚBLICO fosse mais cuidadoso nas afirmações que profere sobre o nível de votação que 'garante' maioria absoluta — tema que é escaldante nas actuais eleições".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor das peças em causa, Nuno Sá Lourenço, explica ter usado a referência aos 45% "como indicador", por ter formado a ideia de que "esse valor é suficiente para se atingir uma maioria absoluta". Confrontado com a crítica deste e de outros leitores, reafirma essa convicção após ter consultado "alguns especialistas". Reconhece, no entanto, que "para tal é necessária uma conjunção de factores", entre os quais o de "PSD e CDS conseguirem boas votações" em alguns dos maiores círculos. Ora, é precisamente essa "conjunção de factores", que as sondagens nacionais aliás não contemplam, e ainda o facto de os dois partidos não concorrerem coligados, que concorre para uma imprevisibilidade que não autoriza a fixação rigorosa do limiar percentual de uma maioria absoluta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3&lt;/b&gt;. Por trás desta falha está, naturalmente, uma confusão persistente acerca do processo de conversão de votos em mandatos. Como se a uma determinada percentagem nacional da votação popular correspondesse linearmente uma igual percentagem de eleitos no futuro Parlamento. E a verdade é que essa confusão não conduz apenas a exemplos de menor rigor informativo, como o que tenho vindo a referir. Pode mesmo levar a afirmações totalmente disparatadas.O leitor Carlos Queirós, que também fez notar que " [não é] a mesma coisa um partido ou coligação terem 45% dos votos ou dois partidos somarem 45% e formarem uma coligação pós-eleitoral", mostra como: "Afirmar desta forma peremptória que com 45% dos votos se garante a maioria absoluta permite que se tirem conclusões absurdas, o que o próprio artigo [PÚBLICO, 17.05] não deixa de fazer ao afirmar primeiro que, com estes resultados [da sondagem], uma coligação PSD-CDS teria maioria absoluta, e referindo mais adiante que também teria maioria absoluta uma coligação PS-CDU-BE". Não fosse a impossibilidade aritmética, e esse seria de facto um cenário de crise inultrapassável, que ainda ninguém se atrevera a antever e que nenhum dispositivo constitucional poderia prevenir: o de um Parlamento em que coexistissem duas maiorias absolutas rivais... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rigor informativo é sempre exigível, mas o que se escreve num período eleitoral obriga a uma atenção redobrada. E obriga à correcção rápida dos erros. Não só de atentados à lógica como o que acabei de citar, mas também de falhas de edição como a que levou a repetir, na secção "Distrito a distrito" da edição de 16.04, no quadro referente ao círculo de Aveiro, vários elementos respeitantes à peça da véspera sobre o círculo dos Açores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;José Queirós&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: blue;"&gt;&lt;b&gt;Documentação complementar&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carta do leitor João Alvim&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No Público de 14 de Maio, na primeira página e em destaque, mais uma sondagem. Do lado direito, como convém, os gráficos, do esquerdo um texto introdutório e dados sobre a mesma.Nesse mesmo texto, alguns dados da ficha técnica: foram contactadas 1029 pessoas, das quais 48% se recusaram a responder, o que, em contas redondas, dá 536 que não recusaram responder mas, destas, 21,2% “não responderam ou não souberam dizer «em que partido votariam»”, no que resulta, arredondando, 424 respostas. Consultando os detalhes da ficha técnica já no corpo do jornal lê-se:”A informação foi recolhida através de entrevista telefónica(…) A selecção de lares com telefone fixo foi efectuada de forma aleatória”. Ninguém pode negar que esta foi uma sondagem. Agora o que se questiona é o reduzidíssimo número de pessoas ouvidas e, ainda por cima, com telefone fixo, que é o que mais abunda actualmente nos lares portugueses… O que dá para pensar é se uma sondagem mirrada como esta, merece o destaque de primeira página. O que se conclui é que há objectivos políticos, e não de jornalismo isento, com estes simulacros, já que não é por acaso que os comentadores (os do costume, que enxameiam a comunicação social), comentam as mesmas e fazem juízes e sentenciam “tendências do eleitorado” a partir destas amostras (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;14 de Maio de 2011&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;João Alvim &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;São João das Lampas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carta do leitor Carlos Queirós&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Detectei, estes últimos dias, vários casos em que há números que não batem certo. Nalguns casos, os erros são fruto da precipitação ou falta de atenção e da ausência de revisão e verificação, como é o caso do gráfico sobre Aveiro onde se mantinham alguns dados dos Açores (...). Mas há hoje [17.05] um caso que me parece mais interessante. (...) Trata-se da análise feita à sondagem sobre intenções de voto, onde a dado passo, para confirmar que as intenções de voto somadas no PSD e no CDS (acima dos 48%) garantem a maioria absoluta mesmo descontando a margem de erro da sondagem, se afirma que bastam 45% para garantir a maioria absoluta, como se o limiar da maioria absoluta não dependesse de uma série de factores ou como se fosse a mesma coisa um partido ou coligação terem 45% dos votos ou dois partidos somarem 45% e formarem uma coligação pós-eleitoral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Afirmar desta forma peremptória que com 45% dos votos se garante a maioria absoluta permite que se tirem conclusões absurdas, o que o próprio artigo não deixa de fazer ao afirmar primeiro que, com estes resultados, uma coligação PSD-CDS teria maioria absoluta, e referindo mais tarde que também teria maioria absoluta uma coligação PS-CDU-BE.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;17 de Maio de 2011&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Carlos Queirós&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Porto&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carta do leitor Rui Feijó&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sondagens são exercícios sérios de avaliação da opinião dos potenciais eleitores. O PÚBLICO deu recentemente um passo significativo ao aderir a uma nova metodologia, pouco (ou nada) usada entre nós (pelo menos na imprensa escrita): as "tracking polls", Não vou discutir em detalhe o que diferencia este tipo de sondagens, mas claramente pode ser afirmado que o valor acrescentado que trazem sobre outros métodos é o de se concentrarem não na determinação do nível de votação previsto, mas na evolução do sentido de voto entre dois momentos. De forma simples: são um método que se destina a avaliar a evolução do eleitorado (quem sobe, quem desce, que temas ganham importância, quais os que perdem, etc.). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Ora, apesar de ter optado por este tipo específico de sondagem, os textos de comentário que o PUBLICO tem publicado a acompanhar os seus resultados detêm-se com grande ênfase no nível de votação previsto para cada um dos partidos - o que não é o elemento que estas sondagens melhor medem. É pena que se faça um esforço de sofisticação e não se acompanhe esse mesmo esforço com o rigor que a análise dos resultados destas sondagens exige, resvalando para comentários mais adequados a resultados obtidos por outro tipo de métodos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No que se refere a "especulação fundamentada", há um outro dado que o PÚBLICO tem vindo a assumir com alguma ligeireza: que a maioria absoluta se obtém com 45% dos votos. É possível que até com 44% possa haver uma maioria absoluta de um só partido - mas as contas não se podem fazer da mesma maneira quando se está perante mais do que um partido. O que justifica que, num sistema teoricamente proporcional como o nosso, se obtenha uma maioria absoluta com 45% dos votos é a circunstância de não termos uma mas 20 eleições distritais, cada uma com o seu nível de "desproporcionalidade". Se em Lisboa se elegem 47 deputados, uma votação na casa dos 2% nesse distrito garante um deputado (pode até dar 2...); mas em Portalegre, onde apenas se elegem 2, a percentagem necessária para eleger um deputado é muitíssimo superior e depende muito da distribuição entre os partidos: pode dar-se o caso de um partido com menos de 50% eleger os dois se os restantes votos forem distribuidos de modo regular por mais de 2 partidos (45 + 20 + 20 + 15).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Assim, é importante saber que alguns partidos "desperdiçam" votos que não convertem em mandatos. Veja-se o caso do CDS-PP, que em 2009 obteve mais de 70 mil votos (1,25% do total nacional) em distritos em que não elegeu um único deputado (Vila Real, Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja e Açores). Por isso cada deputado eleito do CDS-PP "custou" em termos nacionais 28.238 votos, enquanto ao PS cada deputado "custou" 21.420 votos e ao PSD 20.430 (menos que ao PS!...). O que se disse sobre o CDS poderia aplicar-se ao PCP e ao BE, que desperdiçam votos em distritos onde não elegem deputados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Esta situação explica porque é que não se pode somar a votação de dois partidos (sobretudo quando um deles não consegue converter votos em mandatos em muitos círculos eleitorais), como se dessa soma resultasse um aproveitamento completo desses votos - e porque é que uma maioria absoluta para ser obtida por dois partidos que não concorram coligados exige mais votos do que se concorressem coligados. Ou seja: acima de 45% se este for o nível para a maioria monopartidária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É evidente que se pode dar o caso de a esquerda obter mais votos mas, por via da distribuição espacial desses votos, a direita conseguir mais deputados (e vice-versa - embora nas condições portuguesas de PSD + 1 à direita e PS+2 à esquerda, ser mais fácil a direita ganhar a maioria parlamentar mesmo com a esquerda maioritária no voto nacional).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ou seja: há uma grande dose de imprevisibilidade derivada da distribuição do voto entre os vários partidos (p. ex: uma situação de PSD: 44% + CDS 1% daria certamente mais mais deputados do que PSD 35% + CDS 10%). O crescimento do CDS tanto pode ser benéfico para a direita (se passar a eleger deputados em mais distritos) como nefasto (se o seu nível de votação não abrir novas portas e "roubar" votos ao PSD na distribuição de mandatos): depende do nível que atingir! Daí que o crescimento do voto CDS não seja garantia de "soma positiva" com o do PSD.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Seria útil que o PUBLICO fosse mais cuidadoso nas afirmações que profere sobre o nível de votação que "garante" maioria absoluta - tema que é escaldante nas actuais eleições. Os excelentes contactos que o PÚBLICO tem com vários politólogos reputados deveria permitir maior rigor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;18 de Maio de 2011&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Rui Feijó&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Porto&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Explicação do jornalista Nuno Sá Lourenço&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uso esse valor [45%] como indicador. A ideia que formei, ao longo dos anos, é que por princípio esse valor é suficiente para se atingir uma maioria absoluta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Consultei alguns especialistas que me confirmam a minha posição. A partir dos 45 por cento torna-se possível uma maioria absoluta na AR. È certo que para tal é necessária uma conjunção de factores. Que têm que ver com os distritos em que CDS e PSD conseguiriam maior número de votos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A saber, nos distritos com mais candidaturas em disputa, como por exemplo Lisboa Braga, Porto. No caso de PSD e CDS conseguirem boas votações nestes círculos, e por conseguinte, elevado número de deputados eleitos, não necessitariam de atingir os 50 por cento na votação nacional para conseguir o número de depurados na AR para assegurar maioria no Parlamento.E nesta situação é apontado como possível que tal se possa concretizar a partir dos 45 por cento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Além disso, nos meus textos tenho tido o cuidado de, ao mesmo tempo que refiro a barreira dos 45 por cento, assinalar a prudência com que se devem ler os resultados. Desconto sempre, por exemplo, a margem de erro da sondagem. E quando admiti como possível essa maioria absoluta foi com valores acima dos 45 por cento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Seria preferível, porventura, que estas questões em relação à barreira dos 45 por cento fossem mais exaustivamente descritas no texto da sondagem. Mas isso significaria que teria de usar o escasso espaço que já tenho, e assim deixar de fora outros dados da sondagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;20 de Maio de 2011&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Nuno Sá Lourenço&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-2695590893934467795?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/2695590893934467795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=2695590893934467795&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/2695590893934467795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/2695590893934467795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/05/cronica-da-edicao-de-22-de-maio-de-2011.html' title='Cuidado com os números'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-5038977009990466982</id><published>2011-05-15T04:23:00.000+01:00</published><updated>2011-05-15T04:23:14.896+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Correcções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Honestidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assinaturas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relevância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Batota informativa</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 15 de Maio de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma história pouco edificante, que levou vários leitores a manifestarem a sua perplexidade ou indignação face ao que consideraram ser um desvio desprestigiante à linha editorial do PÚBLICO. Os factos, tanto quanto me foi possível apurá-los, podem resumir-se assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Às 16h48 do passado dia 1 de Maio, apareceu na página de abertura da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; deste jornal uma notícia não assinada (ou melhor, genericamente assinada "por PÚBLICO"), intitulada "&lt;em&gt;Hino de campanha do PSD diz que 'está na hora de mudar... o Passos Coelho'&lt;/em&gt;". Num português duvidoso, afirmava-se nesse texto que "o hino de campanha do PSD para as legislativas comete uma gafe", assim ilustrada: "No refrão principal, diz que 'está na hora de mudar... o Passos Coelho'". O anónimo autor da peça reconhecia que "a intenção" não seria a de passar tal mensagem, mas não se coibia de comentar, eventualmente com o propósito de ter graça: "Todo o 'jingle' assenta na ideia de mudança. E a vontade de mudar é tanta que até pede a mudança do líder". A terminar, uma ligação para o sítio oficial do PSD permitia aos interessados escutar o dito "jingle".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Enquanto esta "notícia" do PÚBLICO (a partir de agora usarei aspas para a referir) se ia propagando pela rede, começavam a cair as primeiras reacções na caixa de comentários da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;. Houve quem, seguindo a lógica da peça, aproveitasse para gozar com o que seria mais uma prova de "amadorismo" dos responsáveis do PSD. Houve quem se indignasse com a "notícia", considerando-a "ridícula", "fútil" e própria de "uma campanha negativa". E houve, também, quem afirmasse que ela simplesmente não era verdadeira e afectava a credibilidade de quem a divulgara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A partir das 18h26 do mesmo dia, quem acedesse ao Público Online encontrava uma nova peça informativa sobre o assunto, igualmente assinada "por PÚBLICO", mas agora com o título "&lt;em&gt;Letra oficial do hino do PSD diz que 'está na hora de mudar! /Com Passos Coelho'&lt;/em&gt;". Nela se transcrevia na íntegra o texto do hino social-democrata, entretanto enviado ao jornal pelo partido. E afirmava-se, a abrir, de novo num português deficiente, que "a letra do hino do PSD para as eleições legislativas diz que no refrão principal 'Está na hora de mudar!.. Com Passos Coelho' e não está na 'está na hora de mudar... o Passos Coelho' "(sic). Não era feita qualquer referência à notícia anterior, como se ela não tivesse existido. No entanto, a anterior afirmação taxativa sobre o que constaria do hino laranja era agora relativizada, sem explicações suplementares, passando a referir-se que "mudar... o Passos Coelho" seria afinal o que "parece ouvir-se na versão cantada colocada no site do PSD".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Para os responsáveis editoriais do jornal, a história parece ter acabado aqui. A "notícia" não surgiu, no dia seguinte, como poderia esperar-se, na edição em papel. Nenhum reconhecimento de erro, nesta ou na edição&lt;em&gt; on line&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Entretanto, em momento que não pude apurar com exactidão, o PSD terá decidido alterar a tal versão cantada. Quem quiser conhecê-la, acedendo à página oficial do partido ou recorrendo à maior parte das reproduções que circulam pela Internet (um exercício que pessoalmente não aconselho a quem possa incomodar-se com a indigência literária deste tipo de rimas partidárias), ouvirá agora distintamente o que já se lia na versão escrita: "Está na hora de mudar! / Com Passos Coelho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vários leitores que me fizeram chegar mensagens de protesto, o caso não deve ficar esquecido nas profundezas do espaço virtual. O "artigo" do PÚBLICO "é uma vergonha e tem segundas intenções", acusa Hugo Rosado."Manipulação grosseira", diz Licínio Castelo, acrescentando que este jornal "habituou todos os que o lêem a outro tipo de jornalismo". A referência a "uma gaffe" (...) merece no mínimo um pedido de desculpas (...). Quem autoriza este tipo de notícias deverá ter a certeza da veracidade das mesmas", escreve Julieta Lima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei ouvir o famigerado "jingle". Com alguma dificuldade, encontrei na rede a versão a que se referiam as peças de 1 de Maio no Público Online, isto é, a versão anterior à modificação que alguém no PSD terá decidido introduzir para o partido não ser acusado, como já estava a ocorrer, de estar a difundir uma cantilena que apelaria ao derrube do seu líder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ouvi convenceu-me de que por trás da "notícia" inicial do PÚBLICO está o que só posso classificar de batota informativa. Ouvi um coro a cantar um refrão que termina com a frase "Está na hora de mudar!". A seguir, após o que o redactor da "notícia" descrevera como "uma ligeiríssima pausa", um conjunto de vozes (presumo que o mesmo grupo coral) grita "Passos Coelho!". Grita, não canta. Para quem não tenha ouvido, explico melhor (e perdoe-se a comparação): é como se um qualquer coro patriótico, após cantar a frase "Contra os canhões marchar, marchar", resolvesse gritar "Portugal", não em registo musical, mas como quem martela uma palavra de ordem. Acresce, embora seja um aspecto secundário, que o que ouvi — e vários leitores dizem ter também ouvido — na gravação original, a seguir à palavra "mudar", foi "Passos Coelho!" e não "o Passos Coelho", como no Público Online se afirmou, primeiro, que se ouvia, e, depois, que "parece ouvir-se".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face à ausência de qualquer correcção à "notícia" inicial, quis saber se a direcção do jornal a tinha por verdadeira, se a considerava relevante no plano informativo e se tinha sido feita alguma diligência para a confirmar junto do PSD. Perguntei ainda por que é que a segunda peça não fazia qualquer referência à primeira, apesar de poder ser entendida como um desmentido, e por que é que nenhuma delas era assinada por um elemento da redacção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A directora, Bárbara Reis, explica que, no passado dia 1, "vários colegas na redacção ouviram a música" e "nenhum teve dúvidas" de que "o que se ouvia no refrão era: 'está na hora de mudar... [ligeira pausa] o Passos Coelho'". Acrescenta que "a mesma leitura" foi "feita por outros jornais", e defende a referência a uma "gafe". Sendo esta uma “inabilidade”, uma coisa “desastrada”, entende que "foi isso que aconteceu, pois "de um orçamento de mais de meio milhão de euros para acções de propaganda, saiu um hino imperfeito". Defende também a relevância do caso — "Era o hino oficial da campanha (...). Seria ouvido (...) por todo o país, vezes sem conta" —, que não terá sido noticiado na edição impressa porque nesta "não há áudio". Concorda que "foi um erro" a segunda peça não referir a anterior, "embora [esta] estivesse sempre publicada no site", e aceita que "o PSD poderia ter sido ouvido" antes da sua divulgação. Refere, finalmente, que "acontece com frequência, sobretudo em pequenas notícias como esta", as peças serem assinadas "por PÚBLICO".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são, a meu ver, explicações aceitáveis. Ignoram o que atrás referi, de que só um olhar (no caso, um ouvido) tendencioso poderá "ler" o grito tribal "Passos Coelho" — entretanto substituído no "jingle" por uma voz serena a dizer "Com Passos Coelho" — como um complemento directo do verbo "mudar", com que termina o último verso cantado do refrão. Se tal "leitura" foi retomada por outros jornais, este é um caso em que se esperaria que o PÚBLICO se distinguisse da lógica associada à imprensa menos séria. A "notícia" das 16h48, com o seu título provocatório, simplesmente não é verdadeira nem corresponde às práticas de um jornalismo honesto. Mais: ainda que a "leitura" feita pelo PÚBLICO tivesse algum fundamento sério (e não tem), não estaríamos perante mais que uma laracha, e não creio que os leitores apreciem ver larachas a passar por notícias. Mesmo os que possam ter achado graça à facécia sabem — e houve quem o lembrasse — que o jornal tem espaço próprio e bem demarcado para brincar com a actualidade ou inventar "factos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não é aceitável que se divulguem — no espaço de menos de duas horas — informações de teor diferente sobre o mesmo assunto, sem que a peça posterior refira o que não estava certo na anterior. Pior ainda se esta continua disponível, sem qualquer modificação, no Público Online. A ausência de sinalização de alterações ou correcções na edição para a Internet é condenável no plano ético e confunde os leitores. Neste caso, funciona objectivamente como uma ocultação do que se escrevera na "notícia" inicial. A somar à ocultação da sua autoria, com a fórmula "por PÚBLICO" a envolver na responsabilidade pelo texto o conjunto da redacção ou, pelo menos, os responsáveis editoriais. Por fim, se o papel não tem "áudio", continua a servir para transcrever o que se ouve, se for verdadeiro e relevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A futilidade essencial deste caso não lhe retira gravidade, e mais ainda em período de pré-campanha eleitoral. Deve ser reconhecido o esforço que o PÚBLICO tem vindo a fazer para dar aos leitores informação correcta e útil sobre as questões que dominam a actualidade política, com uma agenda editorial que evita resumir-se ao pingue-pongue das declarações partidárias ou aos "faits-divers" próprios da época. Saúdo em especial — por ser um exemplo que é desejável ver repetido e alargado — iniciativas como a que marcou a edição da última terça-feira ("A prova dos factos", pág. 6), em que são desmontadas de forma clara e competente a opacidade e as piruetas do discurso de diversas lideranças políticas sobre um tema tão relevante como o da redução da taxa social única no âmbito do acordo celebrado com o FMI e as instituições europeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprofundamento dos temas, clareza nas prioridades, descodificação jornalística do discurso político, verificação independente de factos — é o que legitimamente esperarão do seu jornal leitores como os que, a propósito da historieta do hino laranja, comentaram que "do PÚBLICO se exige mais do que isto", e sobretudo neste período. Afastando do espaço informativo, ou remetendo para lugares mais adequados, as graçolas de bom ou mau gosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-5038977009990466982?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/5038977009990466982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=5038977009990466982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5038977009990466982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5038977009990466982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/05/batota-informativa.html' title='Batota informativa'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-4625673110330668525</id><published>2011-05-08T03:47:00.000+01:00</published><updated>2011-05-08T03:47:18.042+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Correcções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Interactividade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Moderação de comentários: um primeiro balanço</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 8 de Maio de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois meses após a entrada em vigor do novo sistema de gestão dos comentários às notícias da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; do PÚBLICO — que deixaram de ser automaticamente publicados, e são agora moderados por uma equipa de editores —, é já possível fazer um primeiro balanço dos resultados da mudança. Considero que são positivos, e essa é também a avaliação transmitida por muitos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria de esperar, chegam-me agora algumas queixas sobre a aplicação prática dos critérios de publicação, que merecem ser ponderadas e poderão contribuir para a afinação futura desses critérios. Mas são incomparavelmente menos do que os protestos anteriores contra a divulgação de textos grosseiros ou ofensivos que seria impensável ver publicados no jornal impresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone Duarte e Sérgio Gomes, respectivamente directora executiva e coordenador da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, acham também que "o balanço é positivo", e que alguns erros entretanto cometidos na aceitação ou rejeição de comentários "decorrem essencialmente de alguma disparidade de critérios ainda existente" na equipa de moderadores. Mesmo "a queda no número de comentários era expectável e não é preocupante", já que, afirmam, "a nossa preocupação é com a qualidade e não com a quantidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, a média diária de textos enviados para as caixas de comentários do Público Online desde que terminou a publicação automática foi de 1121 em Março e 1135 em Abril, contra cerca de dois mil contabilizados quando o problema foi pela primeira vez debatido neste espaço. Parece-me um preço razoável a pagar pela decisão de oferecer aos leitores uma edição electrónica aberta ao debate público, mas livre dos insultos e do lixo retórico que suscitavam a indignação de muitos dos que a consultavam com regularidade. São números que indicam que está aberto o caminho para as caixas de comentários do PÚBLICO serem crescentemente procuradas por quem queira participar na discussão útil e qualificada dos temas da actualidade informativa e do modo como são noticiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as novas reclamações que tenho recebido destacam-se as dos leitores que consideram que um determinado comentário não deveria ter sido publicado e as daqueles que dizem não entender as razões da rejeição de um outro. Pondo em causa, em ambos os casos, não tanto os critérios de publicação (que podem ser consultados junto de cada notícia), mas a sua interpretação pelos moderadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando pelo primeiro tipo de queixas, a leitura da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; mostra que, de facto, os textos de natureza insultuosa ou que infringem as regras anunciadas ainda não foram completamente banidos das caixas de comentários, embora estejam a tornar-se mais raros. O que explica reacções como a do leitor Nuno Boavida, que me enviou seis exemplos de intervenções marcadas por linguagem ofensiva e incitações xenófobas ao ódio e à violência, publicadas entre 25 de Março e 11 de Abril (quase todas, curiosamente, na área do noticiário internacional). O leitor tem razão em todos os casos que citou. A meu pedido, os responsáveis pelo Público Online analisaram os textos em causa e concluíram que cinco desses seis comentários tinham sido aprovados para publicação pelo mesmo moderador (um em cerca de duas dezenas). "Já conversámos" — informam — "com esse profissional, para perceber o que o fez aprová-los apesar de claramente não respeitarem os critérios de publicação em vigor. (...) Consideramos que agora a questão está esclarecida e pedimos desculpas aos leitores pelo ocorrido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone Duarte e Sérgio Gomes acrescentam: "Não houve ainda uma reunião de balanço com os moderadores, mas pelas conversas mantidas com eles sobre o que deve ou não ser publicado, não encontramos grandes diferenças na interpretação dos critérios. Nesta fase inicial, vai havendo ainda muitas dúvidas, o que é natural". Ressalvam que "nunca será possível uniformizar totalmente juízos", mas asseguram que é feito um "esforço diário" para "evitar critérios díspares ou demasiado díspares". Explicam ainda que, quando são alertados, interna ou externamente, para comentários erradamente aprovados, estes são reavaliados e eliminados. Neste domínio, porém, nem tudo estará a funcionar da melhor maneira: dos seis textos cuja publicação foi justificadamente criticada pelo leitor acima referido, metade continuava, nos últimos dias, a figurar junto às respectivas notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às queixas sobre comentários rejeitados que alegadamente respeitariam as regras de publicação, não posso apreciá-las sem conhecer os textos em causa, mas foi-me garantido que, até à data, isso ficou a dever-se quase sempre a "linguagem grosseira e insultos". Entre os raros casos em que me foi dado a conhecer o conteúdo de textos rejeitados, encontrei apenas um que, na opinião dos responsáveis pela edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; (com a qual concordei) deveria ter sido publicado. Face ao alerta para um possível erro de moderação, a reavaliação é sempre possível e "quase todos os dias há casos desses".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo isto parece poder concluir-se que o processo de edição adoptado no PÚBLICO, não sendo certamente perfeito, tem procurado o equilíbrio desejável entre o estímulo à participação dos leitores e a sua regulação através de normas razoáveis. O guião que orienta os moderadores poderá ser aperfeiçoado, mas não poderá evitar, como escrevem os coordenadores da equipa, que surjam, "pontualmente, situações novas que requerem critérios &lt;em&gt;ad hoc&lt;/em&gt;". A qualidade da selecção deverá melhorar com a experiência e com a atenção prestada aos argumentos dos leitores contra decisões de que discordem. Erros e diferenças de interpretação serão sempre possíveis, mas tendo o jornal assumido, e bem, a responsabilidade pelo que é ou não publicado nas caixas de comentários, e divulgado os critérios com que o faz, caber-lhe-á explicar de forma transparente as opções que se revelem controversas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ainda referir outras dúvidas, críticas ou sugestões dos leitores sobre a moderação de comentários. Aos que se queixaram de alguma demora na publicação dos seus textos, transmito a explicação que recebi: "As mensagens podem ficar bloqueadas para edição algum tempo, que varia consoante o número de pessoas que a cada momento está a aprová-las. Principalmente nos fins-de-semana (temos menos pessoas a trabalhar) e durante a madrugada". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que protestam contra a publicação de textos com erros ortográficos, deixo também a explicação dos responsáveis editoriais, de que neste ponto discordo: "Não temos essa capacidade. Tentamos, mas nem sempre é possível (...). Se formos corrigir a ortografia atrasaremos ainda mais a sua publicação". Como princípio geral, não me parece aceitável sacrificar a qualidade — neste caso, uma escrita sem erros — à velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que reclamam contra a publicação dos chamados comentários "fora do tópico", como o leitor Filipe dos Santos ("Não considero nada interessante que numa notícia interessantíssima sobre arqueologia haja comentários sobre política. O PÚBLICO deveria (...) excluir comentários que manifestamente nada têm que ver com o assunto do artigo"), respondem os responsáveis pela edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; que a hipótese não foi considerada, por se acreditar que "esses casos são esporádicos". Por mim, creio que são mais frequentes do que seria desejável e julgo que a sugestão do leitor — que corresponde ao que é praticado em alguns jornais de referência estrangeiros — mereceria ser ponderada e contribuiria para aumentar e qualificar a participação nos debates provocados por notícias de temática mais especializada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, e em resposta aos que criticam, com razão, o facto de não serem assinaladas as correcções de erros nas notícias colocadas em linha, resultantes de chamadas de atenção feitas pelos leitores através das caixas de comentários, Simone Duarte e Sérgio Gomes garantem que "os moderadores têm instruções para [as] transmitirem (...) aos autores da notícia ou aos editores de secção", e que, uma vez "verificada a validade da correcção", são feitas "as alterações necessárias". Estas intervenções correctivas dos leitores representam para o jornal um dos maiores benefícios, nem sempre devidamente reconhecido, da interactividade proporcionada pela edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o facto de as correcções muitas vezes não serem assinaladas provoca anomalias que devem ser evitadas, a bem do rigor informativo. Veja-se por exemplo o caso de uma notícia sobre o recente acidente numa central nuclear japonesa, colocada em linha às 10h06 do passado dia 4 de Abril, com o título"Fukushima vai lançar mais de onze toneladas de água radioactiva para o Pacífico". Não eram onze (o que equivaleria "a um pequeno jacuzzi", na expressão do leitor Nuno Santos), mas onze mil. O erro foi detectado e corrigido algum tempo depois, mas a correcção não foi assinalada e a hora de publicação da notícia permaneceu (e permanece) inalterada. Tornando incompreensível o comentário de um leitor que alertava para esse erro, em mensagem posterior às 11h00 desse dia, que continua a poder ser lida junto à peça corrigida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os responsáveis pelo Público Online reconhecem a anomalia: "Já informamos sobre o conteúdo das correcções feitas em muitas notícias, mas não em todas, como idealmente deveria ser feito. Estamos a estudar uma solução de &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; onde o conteúdo das correcções aparecerá por regra". Penso que é urgente fazê-lo e que valerá a pena regressar ao tema da visibilidade das alterações ao noticiário &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, que constitui em si mesmo um novo e importante problema deontológico do jornalismo na era da Internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questionário enviado aos responsáveis pelo Público Online&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Alguns leitores têm vindo a criticar a publicação de certos comentários, que entendem não respeitar os critérios em vigor. Transcrevo [a transcrição é aqui eliminada] um conjunto de exemplos enviado por um único leitor, que os considera "insultuosos" ou "contra as regras de publicação". Consideram que o leitor tem razão, no todo ou em parte? Se assim for, como se explica a sua publicação?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) As reclamações que cheguem ao grupo de editores dão origem a uma reavaliação, que pode traduzir-se na eliminação do comentário? Se assim for, são frequentes essas reavaliações?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) O resultado da moderação de cada comentário traduz-se necessariamente em publicação na íntegra ou em não publicação? Ou pode haver lugar a publicação editada (p.ex. corte parcial) do texto? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) Lendo-se nos "Critérios para publicação de comentários dos leitores" que o PÚBLICO se reserva "o direito de editar os comentários recebidos, garantindo, no entanto, não desvirtuar o seu conteúdo", por que é que, ao que tudo indica, isso não está a ser feito no sentido de adequar o texto a normas de escrita (p.ex. ortografia)?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5) Nos referidos "Critérios" não é abordada a possibilidade de serem rejeitados os chamados "comentários fora do tópico". Não deveria esse ser também um motivo de exclusão?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6)&amp;nbsp;Alguns leitores protestaram contra a não publicação dos seus comentários, alegando que estes respeitam os critérios anunciados. Transcrevo [a transcrição é aqui eliminada] três exemplos de casos em que me comunicaram o conteúdo dos comentários rejeitados. Consideram que estes leitores têm razão?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) O que devem os leitores entender exactamente por "linguagem difamatória"?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) Alguns leitores queixam-se da demora na publicação de comentários. O que pode ser explicado a este respeito?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) Queixa-se um leitor de que existirão critérios diferentes de moderação consoante as horas do dia (ou seja, consoante as equipas de moderadores em funções). Isso poderá estar a acontecer? E, se acontece, quem lê e aprova um comentário antes rejeitado não tem forma de saber que ele foi rejeitado?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;10) Quando os moderadores lêem comentários que apontam falhas ou possíveis erros de facto numa notícia, isso dá lugar a procedimentos de verificação e eventual correcção? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;11) Cito em seguida uma mensagem do leitor Nuno Santos, enviada às 11h18 de 4 de Abril: "(...) O título da notícia 'Fukushima-vai-lançar-mais-de-onze-toneladas-de-água-radioactiva-para-o-Pacífico' está incorrecto e inconsistente com o próprio texto. (...) 11 toneladas de água são 11 metros cúbicos de água, o que equivale a um pequeno jacuzzi, nem sequer a uma piscina. (...) ".Verifiquei que o título original errado foi alterado no próprio dia para " Fukushima vai lançar mais de onze mil toneladas de água radioactiva para o Pacífico". Mas nada na notícia indica que tenha havido uma alteração. Aliás, ela está, depois de corrigida, marcada como sendo das 10h06, e na caixa de comentários há duas mensagens a alertar para o erro, posteriores às 11h00. As correcções nas notícias &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; não devem ser assinaladas? Faz sentido manter em linha comentários a chamar a atenção para um erro entretanto desaparecido?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) Ao fim destas primeiras semanas, que balanço fazem do novo sistema de moderação? Consideram que tem sido publicado o que deve ser publicado, e rejeitado o que deve ser rejeitado? Consideram que a queda, observável, do número de comentários, é preocupante?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Surgiram muitos casos em que a decisão de publicar (ou de rejeitar) teve de ser reavaliada?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) É possível conhecer-se a percentagem de comentários rejeitados? E o número de comentários recebidos (média diária)?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;15) É possível saber quais as principais razões que tem levado a rejeitar comentários?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;16) Os moderadores decidem apenas tendo em conta os "Critérios" anunciados, ou podem existir outras indicações?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;17) Têm surgido muitas dúvidas ou diferenças (entre os moderadores) na interpretação dos "Critérios"? Em caso afirmativo, como se resolvem? Tem sido sentida a necessidade de os afinar ou alterar?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;14 de Abril de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Respostas dos responsáveis pelo Público Online&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Dos seis comentários referidos, identificamos que 5 foram aprovados pelo mesmo profissional (no total 20 participam da moderação dos comentários). Já conversámos com o profissional para perceber o que o fez aprová-los apesar de claramente não respeitarem os critérios de publicação em rigor. Entendemos que no início de implementação de novas regras possam surgir dúvidas. Consideramos que agora a questão está esclarecida e pedimos desculpas aos leitores pelo ocorrido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Sim, se por acaso um comentário foi aprovado, e se ele não respeita as regras de publicação do PÚBLICO, é apagado. Não conseguimos quantificar neste momento se são frequentes ou não as reavaliações. O que podemos dizer é que se houve uma aprovação equivocada e se somos alertados (...), voltamos a avaliá-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) Não necessariamente. Pode sim haver corte parcial, sem nunca mudar o sentido do comentário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) Não temos essa capacidade. Tentamos mas nem sempre é possível corrigi-los. (...) Infelizmente, se formos corrigir a ortografia atrasaremos ainda mais a sua publicação. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5) Não contemplamos essa hipótese, pois acreditamos que esses casos são esporádicos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6) [No primeiro caso, existe uma] expressão insultuosa e ofensiva. Mas o comentário poderia ter sido editado e publicado sem a primeira frase. [No segundo caso] o leitor não transcreve o comentário, logo não é possível avaliar se houve excesso de zelo na sua não publicação. [No terceiro caso, de uma mensagem enviada a 3 de Abril pelo leitor Artur Pessoa] não existem razões para o comentário não ter sido publicado. A sua não publicação é, obviamente, um erro de avaliação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) Consideramos difamatórias as afirmações contra a boa fama ou reputação de alguém. As mensagens que atentem contra a honra e que tentem desacreditar, caluniar ou infamar alguém são também consideradas difamatórias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) Como assumimos no dia em se fecharam os comentários, as mensagens podem ficar bloqueadas para edição algum tempo (que varia consoante o número de pessoas que a cada momento está a aprovar mensagens). Principalmente nos fins-de-semana (temos menos pessoas a trabalhar) e durante a madrugada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) Por mais critérios que se estabeleçam (escrita ou oralmente) nunca será possível uniformizar totalmente juízos, sobretudo porque o processo de selecção envolve mais do que uma pessoa. No entanto, o nosso esforço diário passa por tentar esclarecer os editores sobre as regras escritas (elas próprias passíveis de várias interpretações…). de maneira a evitar critérios díspares ou demasiado díspares. O actual método de trabalho pede aos editores que aprovem apenas os comentários em espera. Se entenderem e se houver dúvidas sobre a aprovação de um comentário, os editores podem ler comentários já reprovados para verificarem se a mesma mensagem já foi alvo de juízo de outro editor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;10) Sim, os moderadores têm instruções para transmitirem os erros, correcções ou quaisquer outras informações relevantes para a notícia aos autores da mesma ou aos editores de secção. Depois de verificada a validade da correcção, procede-se às alterações necessárias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;11) Já informamos sobre o conteúdo das correcções feitas em muitas notícias, mas não em todas, como idealmente deveria ser feito. Estamos a estudar uma solução de &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; onde o conteúdo das correcções aparecerá por regra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) O balanço é positivo. Salvo excepções (decorrentes essencialmente de alguma disparidade de critérios ainda existente). A queda no número de comentários era expectável e não é preocupante. Além disso, a nossa preocupação é com a qualidade e não com a quantidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Sim, quase todos os dias há casos desses. Sobretudo em que a decisão de publicar teve de ser reavaliada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) [Quanto aos comentários rejeitados], não. A média diária [de comentários recebidos] em Março foi de 1121. [E, em Abril, de 1135].&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;15) Não houve ainda uma reunião de balanço com os moderadores, mas é possível dizer que, genericamente, a maior parte dos comentários é rejeitada por causa de linguagem grosseira e insultos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;16) Podem existir outras indicações que não estão previstas nos critérios estipulados, que funcionam como guião da moderação. Passados vários anos de publicação de comentários online, continuamos a encontrar, pontualmente, situações novas que requerem critérios ad hoc. Regra geral, quando confrontados com essas situações, os moderadores pedem indicações ao editor de comunidades ou editores do Online.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;17) Como já se dissemos, não houve ainda uma reunião de balanço com os moderadores, mas pelas conversas mantidas com eles sobre o que deve ou não ser publicado, não encontramos grandes diferenças na interpretação dos critérios. Nesta fase inicial, vai havendo ainda muitas dúvidas, o que é natural. As diferenças na interpretação dos critérios são resolvidas com conversas com os moderadores. Para já não foi sentida necessidade de afinar ou alterar os critérios estipulados, mas não encaramos essas regras como um documento fechado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;28 de Abril de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Simone Duarte (directora executiva da edição on line)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Sérgio Gomes (coordenador da edição on line)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-4625673110330668525?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/4625673110330668525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=4625673110330668525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4625673110330668525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4625673110330668525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/05/moderacao-de-comentarios-um-primeiro.html' title='Moderação de comentários: um primeiro balanço'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-2953794188805235617</id><published>2011-05-01T05:25:00.001+01:00</published><updated>2011-05-01T05:29:41.053+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fecho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copy Desk'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrita'/><title type='text'>A importância do trabalho invisível</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 1 de Maio de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência dos últimos textos publicados neste espaço, em que procurei ilustrar — com os contributos de muitos leitores — a frequência inaceitável com que os erros de escrita e outras falhas no controlo da qualidade editorial têm vindo a multiplicar-se nas páginas do jornal, gostaria hoje de partilhar com os que me lêem o que pude apurar, junto da direcção editorial e da equipa de &lt;em&gt;copy desk&lt;/em&gt;, sobre os procedimentos de revisão em vigor no PÚBLICO. Penso que os leitores têm direito a conhecê-los, para poderem fazer a sua própria avaliação das causas de um problema que, se não for enfrentado com a eficácia exigível, poderá afectar decisivamente os padrões de qualidade que os levaram a fazer deste o seu diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As equipas profissionais de revisão são indispensáveis num bom jornal. Se é certo que de qualquer redactor de um jornal de referência se deve esperar que saiba exprimir-se correctamente em português (o que, infelizmente, nem sempre acontece), não é menos verdade que a ocorrência de erros de redacção é, até certo ponto, inevitável. O ritmo de escrita de um diário, o crescimento das solicitações profissionais em equipas redactoriais emagrecidas, as pressões da hora de fecho, a simples distracção que está na origem de uma "gralha" — a que devem somar-se as insuficiências culturais ou de domínio da língua a que não escapam muitos jornalistas talentosos — explicam que assim seja. O que não é inevitável, nem aceitável, é que esses erros não sejam corrigidos e sobrevivam nos textos que irão ser lidos pelos compradores do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para os corrigir que existem os revisores. É do seu trabalho invisível e anónimo que depende em boa parte a qualidade do produto final. No caso do PÚBLICO, a criação de uma equipa de &lt;em&gt;copy desk&lt;/em&gt; representou uma ambição superior ao que tradicionalmente se exigia às secções de revisão. Para além de garantirem a correcção ortográfica e gramatical dos textos produzidos na redacção, estes profissionais funcionam como &lt;em&gt;copy editors&lt;/em&gt; (os "&lt;em&gt;desks&lt;/em&gt;", na gíria interna), habilitados a corrigir ou melhorar as peças noticiosas em vários outros planos (factual, técnico, deontológico) e a adequá-las às regras de estilo do jornal. Na enumeração de Rita Pimenta, responsável pela edição de textos da revista Pública, isto implica intervir tanto no plano do conteúdo (nomeadamente para assegurar a audição das partes envolvidas numa notícia, detectar e eliminar contradições, garantir o respeito pela distinção entre informação e opinião e, em geral, zelar pelo cumprimento das regras éticas e deontológicas), como no plano da forma (assegurando, entre outros pontos, o respeito pelas regras jornalísticas de construção dos textos, a harmonização de grafias, a correcção ortográfica e linguística, a concisão e clareza na redacção de notícias, a ausência de repetições ou a adequação dos títulos às frases de arranque das peças). As tarefas destes "editores de texto" incluem ainda a verificação de certos aspectos gráficos. E deve acrescentar-se que integram também, actualmente, a equipa responsável pela moderação das muitas centenas de comentários diariamente enviados pelos leitores da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o conjunto destas funções de controlo de qualidade, abarcando idealmente, sete dias por semana, todos os cadernos e suplementos do jornal, o PÚBLICO dispôs originalmente de 16 profissionais. Após sucessivas reduções da dimensão da equipa, restam actualmente cinco pessoas, mais uma em exclusivo para a revista dos domingos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas condições, e também devido a alterações no processo de produção editorial, a intervenção destes profissionais foi-se tornando menos exaustiva. Segundo escrevem os "&lt;em&gt;desks&lt;/em&gt;" da redacção do Porto, "de um tempo em que havia seis intervenções em cada texto (revisão pelo autor, revisão pelo editor da secção, edição por um &lt;em&gt;copy editor&lt;/em&gt;, revisão na página electrónica por um &lt;em&gt;copy editor&lt;/em&gt;, exame da sua impressão em papel ainda por um &lt;em&gt;copy editor&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;ok&lt;/em&gt; final do director de fecho) passámos para o procedimento actual, que mantém todas as outras, mas retira aos &lt;em&gt;copy editors&lt;/em&gt; duas das três intervenções anteriores". O que faz aumentar, naturalmente, a possibilidade de os erros não serem detectados, sobretudo quando, por desleixo ou falta de tempo, não são devidamente garantidas as releituras a cargo dos autores e da hierarquia editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o próprio âmbito do controlo de qualidade de textos e páginas foi sendo reduzido. Os textos do caderno P2, do suplemento Cidades e da Pública são em regra "revistos na totalidade", o que já não acontece com os suplementos Ípsilon e Fugas e com matérias para a edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;. Quanto ao caderno principal do jornal diário, a revisão é feita em página, acontecendo nem todas passarem por este crivo, "por razões de tempo". Em princípio, deve ser assegurada a leitura integral da primeira e última páginas, do destaque do dia, das aberturas de secção e das páginas de opinião (editorial incluído) e dada prioridade, nas restantes, a títulos e legendas, bem como à entrada e remate dos textos. Na prática, a pressão do fecho leva com alguma frequência os responsáveis editoriais a dispensarem a passagem pelos "&lt;em&gt;desks&lt;/em&gt;" de algumas das páginas de fecho mais tardio, que contêm muitas vezes as notícias mais importantes e que por isso serão as mais lidas — o que poderá explicar a sensação de que é nelas que se concentram os erros que dão origem a mais protestos dos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quatro anos, a direcção do jornal procurou enfrentar as deficiências na revisão das páginas, em boa parte resultantes da crónica dificuldade organizativa em "conseguir fechar o jornal de forma gradual", para evitar o congestionamento das tarefas de controlo de qualidade na ponta final de cada jornada de trabalho. A directora, Bárbara Reis, explica que foi então criada "a figura do editor de fecho, um editor experiente que é responsável pelo fecho do jornal com um membro da direcção", e que deve garantir precisamente a revisão das páginas já "fechadas pelos respectivos editores". Esse filtro permitiu, segundo afirma, "diminuir muitos erros óbvios". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que está longe de os eliminar, como se verificou com a capa da edição da última quinta-feira, em que nenhuma experiência terá sido suficiente para evitar o erro (só ontem assinalado na secção &lt;em&gt;O PÚBLICO errou&lt;/em&gt;) de ilustrar o justo destaque dado ao falecimento do historiador Vitorino Magalhães Godinho com uma fotografia do seu irmão José, também já desaparecido. Ou com novos absurdos numéricos, como o que indignou o leitor Manuel Pipa na página 10 da edição de anteontem, em que se podia ler, numa notícia sobre a operação Censos 2011, que já estão recenseadas mais de dez milhões de pessoas, "em 5639 alojamentos". Ou com os recorrentes erros de português, que há algum tempo levaram o leitor José Laranjo — estupefacto com o título "Mais de 1200 bolsistas fora da Universidade", estampado na capa do jornal a encimar uma notícia sobre bolseiros — a pedir: "Por favor, não contribuam para destruir a língua portuguesa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último plano, os responsáveis editoriais do PÚBLICO reconhecem que o problema tem vindo a agravar-se e preparam uma iniciativa para o enfrentar. "Há um mês" — informa Bárbara Reis —, "a direcção discutiu e acordou com o Conselho de Redacção fazer uma lista, com a ajuda dos &lt;em&gt;copy-desks&lt;/em&gt;, dos erros mais comuns, os que são eliminados antes da publicação e os que, infelizmente, saem no jornal. Essa lista servirá, precisamente, para alertar a redacção e tentar reduzir a sua frequência e, idealmente, eliminá-los". É uma boa medida, sobretudo se for acompanhada de outras formas de envolver periodicamente os jornalistas no reconhecimento e na crítica interna desses erros mais frequentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não compete aos jornais resolver os desastres sofridos pelo ensino do português no sistema educativo, nem essa anomalia académica que permite que escolas de jornalismo habilitem para o exercício da profissão quem não domina correctamente a língua. Mas compete a um jornal como o PÚBLICO garantir processos de selecção, enquadramento e, se necessário, formação dos seus redactores que correspondam aos padrões de qualidade a que os leitores têm direito. No jornal impresso como na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, na qual as agressões à língua são bem mais frequentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, e sem fazer da falta de meios uma desculpa (os leitores não são responsáveis pela gestão de pessoal das empresas de comunicação social), cumpre notar que nenhum jornal de qualidade pode dispensar uma boa equipa de revisão, e que nenhuma inovação tecnológica substitui a sua intervenção qualificada. Ao longo de mais de uma década, os processos de reestruturação destinados a assegurar o equilíbrio financeiro das empresas do sector têm feito dos revisores e editores de texto vítimas preferenciais, encarando-os erradamente como dispensáveis. No caso do PÚBLICO, uma diminuição de efectivos em cerca de dois terços não poderia deixar de ter, como teve, consequências negativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem esquecer as crescentes dificuldades financeiras que ameaçam os jornais de qualidade, e que obrigam a muita imaginação, empenho e escolhas difíceis para encontrar soluções capazes de satisfazer as expectativas dos seus compradores, considero que o drástico enfraquecimento da equipa de &lt;em&gt;copy desk&lt;/em&gt; do PÚBLICO foi uma péssima decisão, que deveria ser repensada. Quem quer vender um produto no segmento da "qualidade" deveria saber que não pode dispensar os meios necessários ao controlo dessa qualidade, sob pena de insucesso a prazo. Creio que também isto deve ser dito aos leitores que protestam, com toda a razão, contra os erros que afectam a imagem do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questionário enviado à equipa de copy desk do PÚBLICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Concordam com os leitores que consideram que a quantidade de erros (gramaticais, ortográficos, semânticos e outros erros de escrita) nas páginas do PÚBLICO é um problema sério para a sua imagem de jornal de referência? Concordam com a percepção de muitos deles, de que esse problema se tem vindo a agravar nos últimos anos? Pensam que existe uma percepção adequada desta questão na redacção do jornal?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Independentemente do que pensem sobre o grau de gravidade do problema, o que pensam sobre as suas causas, e sobre medidas que possam resolvê-lo ou atenuá-lo?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) Quais são, neste domínio, as responsabilidades atribuídas à equipa que integram?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) O que distingue essas responsabilidades das tarefas das tradicionais equipas de revisão dos jornais? O que significa, exactamente, ser "copy-desk" no PÚBLICO?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5) No plano da revisão e correcção de erros, a vossa equipa é responsável por rever todos os textos, ou apenas uma parte (e, nesse caso, que textos e porquê)?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6) A vossa equipa assegura a revisão das páginas finalizadas, de uma parte delas ou de nenhuma?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) Existem objectivos prioritários definidos que devam ser assegurados na revisão — por exemplo certas páginas (como a capa, destaques, aberturas de secção), títulos, legendas, infografias, e outros elementos de maior visibilidade?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) Quantas pessoas efectuam o trabalho de revisão? Quantos textos e/ou páginas cabem a cada uma num dia de trabalho? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) Qual é o vosso grau de autonomia para alterar os textos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;10) Têm alguma intervenção nos textos publicados na edição on line?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;11) É feito algum acompanhamento reforçado das peças cujos autores eventualmente apresentem um "histórico" mais negativo no uso correcto da língua?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) Existe algum procedimento de chamada de atenção para erros detectados que envolva os seus autores?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Na vossa opinião, quais são os principais problemas (ou os mais recorrentes) que afectam a qualidade de escrita do jornal?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) Qual é o vosso papel na definição e cumprimento de normas de harmonização na grafia de nomes?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;15) Querem comentar qualquer outro aspecto relacionado com a qualidade de escrita do jornal que considerem importante ser abordado, ou sobre o qual tenham sugestões a fazer?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;12 .04.2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta de Rita Pimenta &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Concordo com os leitores quando afirmam que os erros são um problema sério para a imagem e credibilidade do PÚBLICO. Sem dúvida. E (sim) têm vindo a agravar-se nos últimos anos. Não me parece que a percepção deste problema na redacção seja generalizada. De outra forma, creio que haveria um maior investimento e um outro cuidado na escrita dos textos. No entanto, há muitos jornalistas e editores bastante cuidadosos e atentos a estas questões. O que tem evitado desaires maiores…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Uma das causas será certamente o peso do factor tempo. Se os condicionalismos dessa dimensão sempre pesaram na produção de um jornal, agora agravam-se com a pressão de se “pôr em linha” a notícia o mais rapidamente possível. A difícil gestão da quantidade de informação que invade as redacções (e, cada vez mais, através de múltiplos meios) também conduz a que no momento da escrita o jornalista já esteja exausto. A urgência/emergência da publicação online propicia a desatenção. Eventualmente, essa prática pode ir ferindo também a edição em papel. A regra de dar sempre a ler um texto a um colega antes de ser publicado (a um jornalista sénior, a um editor, a um copydesk, ao colega do lado…) provavelmente deixou de ser cumprida em muitas circunstâncias. Nada disto desculpa os erros, apenas os explica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) Quando exercia funções de coordenação da secção de Lisboa, semanalmente elegíamos dois ou três "erros da semana" e fazíamos uns cartazes divertidos, com imagens do Calvin &amp;amp; Hobbes, que afixávamos à sexta-feira junto das máquinas de café (nos vários pisos do edifício). Exemplo: “Dispêndio, mas despender.” Eram assinados assim: “Palavra de desk.” E a verdade é que resultavam. Os erros tornavam-se motivo de conversa entre muitos de nós. Nessa altura, íamos às reuniões da manhã (onde se faz a planificação da edição do dia) e tentávamos antecipar as particularidades de escrita relativamente aos temas que seriam destaque (por exemplo, definir a grafia das regiões em conflito ou os cenários de catástrofes). Também assinalava os erros detectados na edição desse dia e alertava a equipa para o que tínhamos “deixado passar” (...). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) O trabalho de copydesk no PÚBLICO pode ser entendido como o de “editor de texto” (sem preocupações de agenda, mas “apenas” de edição de textos) e tem duas vertentes principais: conteúdo e forma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Conteúdo&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;— Assegurar que foram ouvidas todas as partes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;— Evitar que se incorra em processos de difamação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;— Garantir que foram respeitadas as particularidades dos vários géneros jornalísticos (ex: uma notícia não é uma opinião)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;— Detectar e eliminar contradições &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;— Zelar pelo cumprimento dos princípios éticos e deontológicos adoptados no Livro de Estilo do PÚBLICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Forma &lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Respeito pelas regras jornalísticas de construção (estrutura) das notícias, reportagens, etc. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Normalização de grafias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Correcção ortográfica e linguística&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Assegurar que os textos são claros e concisos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Evitar palavras repetidas nos títulos da mesma página ou de um plano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Alterar títulos com formulações idênticas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Verificar se os títulos estão sustentados no lead da notícia e se os nomes dos protagonistas e dos territórios estão correctamente grafados (sobretudo internacionais)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aspectos gráficos&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Verificar se o espaço previsto para publicidade está contemplado nas páginas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Aferir se os tipos e corpos de letra respeitam as normas gráficas do PÚBLICO e se estão correctamente hierarquizados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;– Alertar o director de fecho para soluções de paginação que se nos afigurem “menos felizes” (formato final da página confuso ou deselegante)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) No caso da Pública, por norma, todos os textos são corrigidos por mim. Depois de a página estar completa (com destaques, subtítulos, legendas e créditos fotográficos), volto a revê-la. Ainda assim, por vezes há falhas que só detecto no domingo seguinte… Quando já nada há a fazer. E ninguém fica mais zangado e infeliz com os erros do que quem faz este trabalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) O grau de autonomia é total dentro do que o bom senso dita. “Se não está mal, está bem”, como diz um dos nossos colegas mais competentes e experientes na tarefa de revisão/edição (André Lopes). Havendo necessidade de confirmação de dados ou clarificação de pormenores, contacta-se o autor e esclarece-se o que houver a esclarecer. Nunca se deve alterar um texto assinado seguindo critérios de gosto pessoal de quem revê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) Não há um procedimento formal. Mas por vezes acerco-me de um ou outro colega e, diplomaticamente, digo-lhe qualquer coisa como: “Andas enganado há algum tempo. ‘Tal e tal’ não é assim, mas assim.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Além da pressão do factor tempo (já descrita), penso que o afastamento da redacção de pessoas mais velhas, mais experientes e com maior cultura literária provocou um empobrecimento no vocabulário dos textos produzidos. Escrever correctamente tornou-se algo que parece preocupar apenas “meia dúzia de exóticos”. O hábito crescente de se comunicar depressa, sem vogais, com abreviaturas ou por siglas, que os novos meios tecnológicos estimulam, vai sub-repticiamente contaminando a comunicação tradicional, digamos assim. Escreve-se um texto e “envia-se” sem ser revisto, muitas vezes nem pelo próprio autor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) Na minha opinião, fomos perdendo autoridade para impor algumas das regras. Por outro lado, também a diminuição do número de elementos da equipa não permite em todas as circunstâncias assegurar o cumprimento das normas de harmonização.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;15) Sugiro que nas reuniões diárias da manhã, onde estão presentes as chefias com maior responsabilidade do jornal (directores e editores), se leia com atenção a edição do dia, se aponte os erros e se sensibilize todos os intervenientes para que se preocupem tanto com o rigor e a clareza da escrita como se preocupam com a preservação e o tratamento das fontes. Motivar os jornalistas mais jovens para outros tipos de leitura, que não apenas a de jornais e revistas. Eventualmente, convidá-los a escrever uma recensão sobre um livro de três em três meses, por exemplo. Com a possibilidade de ser publicada no Ípsilon (ou não, caso não tenha qualidade). Periodicamente, poder-se-ia também patrocinar a frequência cursos de formação sobre escrita, jornalística ou outra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;19.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Rita Pimenta &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;(Copy Desk- Redacção de Lisboa)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta de Manuela Barreto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Quando leio o jornal por interesse pelos assuntos ou pelos jornalistas de que gosto particularmente, dou com erros e gralhas, mas não me parece que abundem assim de forma tão avassaladora. Alguns amigos leitores queixam-se por vezes de que nos últimos anos, genericamente, há mais erros e a qualidade/estilo da escrita se degradou. Não creio que haja uma preocupação particular no jornal em relação à questão linguística. A pressão do fecho, entre outras razões que as minhas respostas irão esclarecendo, atenuou-a comparativamente há anos (20, 10 anos).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Tem havido, como é natural, uma renovação da redacção do Público. Perdeu-se um bocado a coesão estilística dos primeiros anos e os seniores, que ensinavam, também se têm ido. Além disso, a redacção também foi reduzida. Muito trabalho, menos gente, pressão para mais rapidez, parece-me que não há tempo para formar/ensinar/pensar. A equipa dos desks (que começou com 13 elementos em Lisboa + 3 no Porto) também foi sendo alvo de cortes. A que existe hoje mantém porém toda a disponibilidade para responder às questões da redacção e esta aproveita o “serviço”. O pior é quando a dúvida não se chega a colocar ou mais ninguém lê. Deve insistir-se na velha regra de pelo menos dar a ler ao colega do lado. E as pessoas podem e devem perguntar, casuisticamente, se há disponibilidade para ler um dado texto. Duvido que levassem uma resposta negativa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3), 4), 5), 6) e 7) O Público nunca foi revisto na íntegra. Mas era mais lido (em número de textos) tanto no diário, como nos suplementos. Actualmente, a Pública tem um desk próprio e é lida na totalidade. O ípsilon, a Fugas e o online não são revistos, salvo esporadicamente. O P2 e o Cidades, em regra, são revistos na totalidade, em versão texto. No diário revêem-se páginas e são de leitura integral obrigatória o destaque, as aberturas de secção, a primeira e a última páginas, as páginas de opinião (incluindo cartas de leitores e editorial). Nas restantes páginas devem ler-se título, antetítulo, pós-título, entrada, começo e final da notícia, destaques, legendas, assinatura das fotos, verificar se a sequência da notícia faz sentido coluna a coluna. Acontece que em dias de atraso (em cima da 23h30-24h) há páginas que a direcção decide que não são lidas, sejam elas quais forem, exceptuando, até à data, a primeira e a última. (...). Os desks corrigem aspectos linguísticos, mas também factuais, deontológicos, técnicos, da construção da notícia, embora estes últimos aspectos menos do que há anos. Podem refazer leads, sugerir alterações de títulos, fazer legendas, subtítulos, entradas, destaques, cortar texto. São o primeiro leitor. Tem de ser claro para eles, independentemente do assunto. As intervenções mais profundas implicam consultar autor/editor/director.Também revêem infografias (em regra em print).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) A equipa actual de desks que lê diário e P2 comporta 2 desk em Lisboa e 3 no Porto. Para assegurar o mínimo de 3 pessoas das 16h ao fecho - excepto ao fim-de-semana e feriados, em que só trabalham dois desks -, por baixa ou férias, recorre-se a “desks externos”, pessoas com experiência em revisão e que nós formámos. Em fases normais pode haver 1 desk logo a partir das 14h. (...). Os “desks residentes” também participam na equipa que edita os comentários online dos leitores. O fluxo de trabalho é variável, dependendo do número de desks a trabalhar, do dia da semana e do número de páginas do jornal. Haverá um mínimo de 8 páginas e 6 textos e um máximo (à sexta, em que se fecha o P2 e o Cidades) de 14 páginas e 12 textos, números aproximados, por cada desk.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) Questões de português são corrigidas sem mais. Questões de estilo, de estrutura de texto, títulos, decisões que vão perdurar (topónimos, gentílicos, traduções de palavras) são vistas com autores/direcção e comunicadas aos mais directamente envolvidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;10) Não há intervenção no online, a equipa não chega para isso. Quando abro o online e vejo um erro, tento corrigi-lo ou alertar para que seja corrigido. Mas é preciso ter tempo para isso. E para ler o jornal (por interesse e para apanhar “background” para o noticiário da edição a fechar). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;11) Sim, pelos editores. Há autores que conheço há anos e esses, apesar de muita e boa evolução, procuro lê-los na íntegra. Actualmente tendo a fazer isso com textos da Lusa (que segue o novo acordo ortográfico), se percebo que ninguém da redacção os leu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) É uma questão delicada, mas sobretudo quando há discrepância de critérios ou um erro mais clamoroso, abordo o assunto o mais diplomaticamente possível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Más traduções, sem tempo para a reflexão. Erros de gramática. Algum economês. Diria que são recorrentes “chamado de”, mau uso dos infinitivos (“o facto do ter escolhido”), acentuação errada nos compostos de pôr; “vêm” quando querem escrever “vêem”, reunir-se e estrear-se não surgem conjugados reflexamente, tal como aparece “as acções negociaram em alta”, “alavancagem” (ainda não sei o que é), “elencar”; discurso indirecto errado na sua transformação do discurso directo e na pontuação (o ministro disse que “a minha ideia é...”)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) Os desks são consultados. E, por vezes, têm de ser combativos, para impor o seu ponto de vista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;15) Tentei apurar a que se deveram as falhas a que o José Queirós se referiu no seu texto editado a 10/4. A falta do “que” na capa da edição de 7/4 foi falha minha, tal como a confusão entre Ernâni Lopes e Silva Lopes no texto e na pequena caixa em destaque (era Silva Lopes). Nem a p.2 dessa edição, nem a p.2 da edição da véspera foram objecto de revisão (a tal decisão da direcção que pode ser tomada de não enviar páginas a desks). Também não veio a desks a p. 6 de 7/4. “É possível que leilão de dívida de ontem seja o último do ano” foi revisto e o que é areia na engrenagem é o lugar do ontem na frase, não os tempos verbais, diria. Quanto à p. 12 da mesma edição de 7/4 creio que não veio a desks, embora não tenha, neste caso, certeza absoluta. Fico bastante aborrecida quando falho, mas falho, importa dizer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) Decidimos, desks de Lisboa e desks do Porto, enviar respostas em separado por termos experiências “históricas” diferentes, já que a secção apenas se tornou uma só, à semelhança de outros sectores do jornal, após a remodelação gráfica ocorrida em 2006. Não há coordenador de secção desde essa altura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;19.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;Manuela Barreto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;(Copy Desk - Redacção de Lisboa)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta da equipa de Copy Desk da Redacção do Porto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Concordamos que a ocorrência de erros num jornal que é visto como “de referência” é mais grave do que se o jornal não tivesse essa imagem: os leitores estão menos predispostos a relevar esses erros. Quanto à percepção dos leitores, é difícil comentar, uma vez que basta um erro para “sujar” uma edição ou pelo menos um caderno. E mesmo que a edição estivesse “limpa”, incidiria sobre a imagem do jornal a ocorrência de erros imaginários, aqueles que cada leitor imagina que existem, mas que não são fundados. Neste campo, o leitor não tem sempre razão. Mas restringindo a presente análise aos que a têm ou, ciclicamente, a vão tendo, é possível que os lapsos se tenham agravado nos últimos anos. Pensamos que existe a percepção, por parte da actual direcção, desta questão e da sua importância para os leitores. Quanto à percepção da redacção do Porto sobre esta questão (é-nos mais difícil avaliar a redacção de Lisboa), pensamos que ela existe (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Entre as causas pensamos estarem a exiguidade de meios humanos para corresponder às expectativas dos leitores e às mudanças introduzidas ao longo dos anos nos processos de redacção e edição do jornal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3)Revisão de textos e páginas e edição de textos, ou seja, revisão editorial dos conteúdos, de modo a adequá-los ao disposto no “Livro de Estilo do PÚBLICO”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) Numa secção de revisão, os revisores fazem a correcção ortográfica, gramatical e sintáctica dos textos; na secção de Copy Desk do PÚBLICO, os copy editors (jornalistas), além daquela revisão, cumprem e fazem cumprir as regras dispostas no “Livro de Estilo do PÚBLICO”, examinando e reescrevendo os textos tanto quanto seja necessário, de modo a adequá-los a essas regras, que se aplicam quer a formas, quer a conteúdos. Há, contudo, dependência prática de dois elementos: tempo e meios disponíveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5) A equipa é responsável, diariamente, pela revisão editorial, no todo ou em parte decidida pela editoria, dos textos do caderno P2 e de todas as páginas do caderno P1 (as excepções são ditadas pela direcção de fecho, de acordo com o tempo disponível). Semanalmente, é responsável pelo caderno Cidades e, mensalmente, pelo caderno PÚBLICO na Escola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6) A equipa assegura a revisão de todas as páginas do P1, excepto as que, por razões de tempo de fecho, a direcção decide não enviar ao Copy Desk.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) As prioridades – que podem ser alteradas em edições especiais como eleições, etc. – são a primeira página, a última, a do editorial e as de opinião. Em cada página dá-se particular importância aos títulos, entradas, legendas e fotolegendas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) O Copy Desk é actualmente constituído por cinco pessoas – duas em Lisboa e três no Porto –, após a saída de um elemento que passou a ter a seu cargo a revisão da revista de domingo, Pública. Esta vaga deixada na secção não foi preenchida. Na sua dimensão máxima, a secção chegou a ser constituída por 13 pessoas em Lisboa e três no Porto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) O grau de autonomia é aquele consagrado no “Livro de Estilo do PÚBLICO”. O Copy Desk reporta directamente à direcção editorial e trabalha em cooperação com os editores das secções e com os redactores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;10) Actualmente, essa intervenção é escassa, nomeadamente pela falta de meios humanos para ser viável acumular esse trabalho com o da edição em papel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;11) Além de um trabalho que nesse sentido poderá ser feito, em primeira mão, pelo editor da respectiva secção, o conhecimento das características próprias dos colegas redactores poderá justificar um ou outro cuidado especial na revisão, em especial em casos de edições em que não haverá tempo para rever todos os textos na íntegra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) Penso que, oficialmente, essa chamada de atenção cabe aos editores das secções e à direcção editorial, o que não impede que informalmente um copy editor converse sobre o assunto com um colega redactor. A pedido do Conselho de Redacção, está a preparar-se uma sessão de sensibilização no Porto (a que deverá seguir-se outra em Lisboa) com a intenção de se contrariar a ocorrência de erros identificados como mais comuns. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Pensamos que os erros mais comuns se devem a imperativos de tempo e a alterações no processo editorial do jornal que encurtaram ou suprimiram fases de controlo de qualidade anteriormente existentes. De um tempo em que havia seis intervenções em cada texto (revisão pelo autor, revisão pelo editor da secção, edição por um copy editor, revisão na página electrónica por um copy editor, exame da sua impressão em papel ainda por um copy editor e OK final do director de fecho) passámos para o procedimento actual, que mantém todas as outras, mas retira aos copy editors duas das três intervenções anteriores. Ou seja, na maior parte dos casos, há apenas um momento de revisão para cada texto no Copy Desk. Se falhar nesse momento, o lapso poderá não ser detectado em tempo útil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) Cumpre-nos o papel de uniformização, mas nem sempre somos chamados a dar parecer na sua definição. Noutros casos, há vontades antagónicas que é praticamente impossível harmonizar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;15) Pensamos ser desejável fazer essa reflexão directamente com a direcção editorial, em futuras oportunidades, ou mesmo requerer uma oportunidade específica para esse efeito&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;19.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Aurélio Moreira, Ricardo Neves e José Luís Baptista&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Copy Desk - Porto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questionário enviado à direcção editorial&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Consideram que, como sustentam muitos leitores, a quantidade de erros (e nomeadamente de erros de português) no jornal é um problema sério para a sua imagem de qualidade? Concordam com a percepção de muitos leitores, de que esse problema se tem vindo a agravar nos últimos anos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Independentemente do que pensem sobre a gravidade do problema, existe, por parte da direcção, alguma reflexão sobre as suas causas? E sobre medidas que possam resolvê-lo ou atenuá-lo?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) Quais são os procedimentos de revisão de textos e de páginas? Que passos envolvem? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) Os textos publicados passam sempre pelo crivo dos editores?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5) Quais são os procedimentos específicos, se existem, de revisão e fecho de páginas e textos de maior visibilidade, como a capa, os destaques, as aberturas de secção, os títulos e legendas em geral?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6) Como é assegurada a revisão das informações (em forma gráfica ou de texto) contidas nas infografias? Passa pelos autores das peças com que se relacionam e/ou pelos editores de secção?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) Existem procedimentos específicos de revisão para as zonas de informação "utlitária", como roteiros de espectáculos, farmácias de serviço, resultados dos jogos da Santa Casa, etc.?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) Existem procedimentos específicos de controlo de qualidade na edição on line, em que a ocorrência de erros e gralhas parece ser maior? São utilizados, como por vezes parece, sistemas automáticos de tradução de textos de agências e publicações estrangeiras?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;9) São usados correctores ortográficos informáticos? Em caso afirmativo, como se explica a frequente ocorrência de erros ortográficos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;10) Por que é que continuam a aparecer de vez em quando, no jornal impresso, fragmentos de "texto virtual" (não recordo o termo técnico), que servem para contar espaços ou para transmitir indicações de ou para os gráficos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;11) Como se explicam os casos de descoordenação entre o que se diz num texto e no seu título, ou numa chamada de capa a esse texto?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) É feito algum acompanhamento reforçado das peças de jornalistas que eventualmente apresentem um "histórico" mais negativo no uso correcto da língua?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;13) Existe algum procedimento para expor e fazer circular internamente informação sobre os erros detectados no jornal impresso? Ou outras formas de sensibilizar os autores de erros de escrita, para que os compreendam e não voltem a cometê-los?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;14) Sendo óbvio que nem todas as correcções de erros caberiam na secção "O PÚBLICO errou", quais os critérios para a escolha do que ali se corrige?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;12.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resposta da directora do PÚBLICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) Sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Há um mês acordámos com o Conselho de Redacção fazer uma lista, com a ajuda dos copy-desks, dos erros mais comuns, os que são eliminados antes da publicação e os que, infelizmente, saem no jornal. Essa lista servirá, precisamente, para alertar a redacção e tentar reduzir a sua frequência e, idealmente, eliminá-la.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) Há critérios – e portanto passos – diferentes para as diferentes plataformas. Não são os mesmos para o primeiro caderno do jornal, a revista de domingo ou o online, por exemplo. Todos estão longe de ser ideias. A redução de copy-desks ao longo dos anos é uma de muitas razões para esta fragilidade. Outra é o facto de a redacção fazer hoje mais coisas – e mais complexas e diversificadas – do que uma redacção, esta ou outra, fazia há uns anos. Temos consciência da gravidade destas fragilidades e nada nos incomoda mais do que a falta de rigor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) Nem sempre. No online, por exemplo, a urgência em publicar e a quantidade de textos publicados por dia (mais de 100) nem sempre permite a leitura de um editor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;5) No Público há a figura de editor de fecho, um editor experiente que é responsável pelo fecho do jornal com um membro da direcção. Ao fim-de-semana, há uma pool de jornalistas seniores que exercem essa função. Uma das principais tarefas do editor de fecho é, precisamente, a revisão de páginas, uma vez dadas por fechadas pelos respectivos editores. Este filtro, criado há 4 anos, permitiu diminuir muitos erros óbvios, como repetição de palavras em títulos que surgiam em páginas seguidas; repetição de notícias (a mesma notícia publicada em duas secções diferentes), ou uma legenda cujo campo, por esquecimento, o jornalista e o editor deixaram em branco. Mas permitiu também encontrar e corrigir outro tipo de erros menos óbvios como “leads” que repetem “entradas”, títulos demasiado distantes do conteúdo inicial do texto; erros ortográficos, etc. (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;6) As regras são a infografia ser construída e acompanhada e revista pelo jornalista e editor envolvidos na notícia que a acompanha. No entanto, a revisão falha por vezes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;7) Os dados das farmácias são fornecidos pela Associação Nacional de Farmácias e gerados automaticamente; não temos por isso controlo sobre o seu conteúdo (se os horários estão errados, não temos forma de o confirmar; há pouco tempo aconteceu até publicarmos os dados de uma farmácia cujo edifício já não existe e foi a própria farmácia a ligar para nos dar a sua nova morada). Os roteiros são feitos a partir da informação enviada pelos teatros, cinemas, produtoras de espectáculos em geral e, em caso de dúvida (perante contradições, omissões, etc) confirmados por telefone pela nossa equipa do Guia do Lazer. Santa Casa: consultamos o site oficial e a própria Santa Casa envia dados por mail. São publicados no site com a ressalva de que pode ocorrer um erro na transcrição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;8) Não há tradutores automáticos. Além dos editores, que lêem o maior número de noticias possível, há um mecanismo muito útil que é o reporte directo de erros pelos leitores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;12) Há um mês a direcção discutiu e acordou com o Conselho de Redacção fazer uma lista, com a ajuda dos copy-desks, dos erros mais comuns, os que são eliminados antes da publicação e os que, infelizmente, saem no jornal. Essa lista servirá, precisamente, para alertar a redacção e tentar reduzir a sua frequência e, idealmente, eliminá-los. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(...) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;28.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Bárbara Reis&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem de um leitor sobre a crónica anterior&lt;/strong&gt; &lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;("Erros vistos de fora e de dentro")&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Felicito-o por voltar a este tema, que é recorrente a todos os provedores do leitor do Público, e que, como em mais “outros temas”, não vai ter emenda, enquanto não houver verdadeira força e vontade para emendar. E tal ainda mais espantoso se torna - a não mudança - estando a falar-se do Público, jornal de qualidade, e que se (quando) perder totalmente a qualidade, acaba. E ainda não entenderam “dentro” este problema! O mais fácil, sempre, é continuar a dizer que existem poucos recursos humanos – desculpa que vem desde o primeiro provedor – e o problema fica por aí. E todos pensam no dia em que o quadro do pessoal do Público aumentar, tudo se resolve, qual milagre.Talvez, ou talvez não! Mas se em vez de culpar os outros e esperar por mais, muito mais, ou só mais 1….pessoal que nunca virá, cada pessoa que escreve o que quer que possa ser – estamos a falar de profissionais que são pagos para escrever ou para ler, ou para rever e não de amadores – tiver muito, muito mais cuidado e autocorrigir-se, (...).tudo ficará de imediato diferente (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;26.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Augusto Küttner de Magalhães &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem de um leitor sobre "bolsistas" e "bolseiros"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sou leitor assíduo do PUBLICO desde a primeira edição, até ao dia de hoje.Tenho visto, ao longo destes 21 anos, mas mais nos últimos, fazer algumas atrocidades à língua em que todos nos entendemos. Começo a ficar sem paciência para continuar a fazê-lo, sem me manifestar. Na primeira página [edição de 31.01.11], vem a seguinte notícia:"Mais de 1200 bolsistas fora da Universidade". Um profissional da escrita deve ter à mão um dicionário, para verificar a palavra que está a usar é apropriada. É que, não basta que ela exista, e que o corrector ortográfico a aceite como correcta, é necessário que ela exprima o que se deseja transmitir. (...) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- bolsista (adj. 2 gén.)1. Econ. Que é relativo à bolsa ou aos movimento comerciais nela realizados; 2. Econ. Profissional que opera na bolsa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- bolseiro (s. m.)1. O que faz bolsas; 2. Alforgeiro;3. Bolsa, tesoureiro; 4. Aquele a quem foi concedida bolsa (subsídio).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por favor, não contribuam para destruir a língua portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;José Laranjo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-2953794188805235617?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/2953794188805235617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=2953794188805235617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/2953794188805235617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/2953794188805235617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/05/importancia-do-trabalho-invisivel.html' title='A importância do trabalho invisível'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-6298823777168894357</id><published>2011-04-24T04:23:00.002+01:00</published><updated>2011-04-25T21:59:07.316+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Profissionalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Títulos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copy Desk'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nomes estrangeiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrita'/><title type='text'>Erros vistos de fora e de dentro</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 24 de Abril de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluí uma das minhas últimas crónicas considerando que têm razão os leitores que vêem na proliferação dos erros de escrita no PÚBLICO um sinal de menosprezo pelo seu direito a um produto jornalístico de qualidade. E manifestei a intenção de regressar ao tema, abordando também outras falhas de revisão e edição que têm vindo a afectar a imagem do jornal. Como então escrevi, gostaria de o fazer com a informação que julgo necessária para a análise das causas e o exame das possíveis soluções de um problema que está na origem de queixas constantes dos leitores. Aguardo ainda, com esse objectivo, explicações pedidas à direcção editorial do PÚBLICO. Até lá, valerá a pena avançar um pouco mais no diagnóstico da situação e nas questões que ele suscita, a partir das reclamações que me chegam e dos esclarecimentos que já recebi dos mais directos responsáveis pelo controlo de qualidade da escrita do jornal (a equipa de &lt;em&gt;copy desk&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parto de algumas premissas: a qualidade da escrita é um valor inscrito no projecto editorial do PÚBLICO; os leitores que escolheram o jornal esperam encontrar nas suas páginas informações e opiniões redigidas em bom português; à imprensa de referência cabe um papel importante na defesa da língua contra o seu abastardamento no espaço público. Neste quadro, a frequência de erros de redacção e edição no jornal impresso, e a sua ainda maior abundância na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, devem ser entendidas como faltas de profissionalismo e de respeito por um contrato implícito com os leitores. A exigirem medidas de restabelecimento de uma confiança em alguns casos já perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parto também de um diagnóstico pessoal, que resulta da leitura diária do jornal, mas que vejo confirmado, na sua relevância para um número significativo de leitores, pelo elevado número de protestos que recebo. Suponho que serão ainda muitos mais os compradores do PÚBLICO que se sentem defraudados por exemplos de escrita descuidada, mas não se dão ao trabalho de protestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um diagnóstico negativo. A quantidade de erros de redacção e revisão parece-me superior à tolerável num jornal de qualidade. Os leitores que têm dado a conhecer o seu descontentamento dispensar-me-ão de multiplicar aqui os exemplos. São erros de ortografia, erros gramaticais (com destaque para as falhas de concordância, o desrespeito por regências verbais, as vírgulas a separar sujeito e predicado). Alguns surgem com frequência patológica, e imitam o mau português que cada vez mais se ouve, por exemplo, nas televisões (o facto &lt;em&gt;dos &lt;/em&gt;sindicatos terem apelado à greve...; &lt;em&gt;tratam-se&lt;/em&gt; de novas condições colocadas na mesa da negociação...; o deputado&lt;em&gt; interviu&lt;/em&gt; na discussão...; &lt;em&gt;desde&lt;/em&gt; Madrid chega a informação...), sem falar já das tropelias clássicas com o verbo haver ou com a distinção entre "por que" e "porque".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São ainda os erros que mostram desconhecimento do significado de palavras, portuguesas ou estrangeiras. São os erros de tradução, termos estrangeiros mal grafados, estrangeirismos desnecessários e aportuguesamentos errados. São, muitas vezes, simples "gralhas" não corrigidas, fruto de distracção e de erros de digitação. São os textos em que sobrevivem palavras que se pretendeu alterar ou anular. São os abusos de linguagem especializada (o "economês" é apenas o exemplo mais conhecido), que atentam contra a clareza e inteligibilidade das notícias. São erros ocorridos na paginação, como é o caso frequente das peças a que faltam as últimas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São, num outro plano, os erros de edição. As fotografias com identificação errada, as infografias mal revistas, os textos para uso interno (que servem para contar espaços ou dar indicações gráficas) que alguém se esquece de substituir na página que vai ser impressa. São os títulos que não correspondem ao que se lê nos textos ou os que são redigidos de modo a que se adaptem ao espaço disponível, numa operação em que a preocupação com o equilíbrio gráfico sacrifica demasiadas vezes, e de forma especialmente visível, o uso correcto da língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os erros factuais, fruto de ignorância, às vezes atrevida, em matéria de geografia, história, cultura geral, que não deveriam sobreviver ao exame de editores competentes. São os erros que podem provocar prejuízos concretos e a irritação legítima de leitores, como os que por vezes mancham as áreas da chamada "informação útil" (horários de espectáculos, farmácias de serviço, chaves de resultados de jogos sociais, soluções de passatempos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São, na verdade, erros a mais. Antes de analisar causas e discutir remédios, interessará compreender até que ponto os responsáveis editoriais e a redacção do PÚBLICO subscrevem o diagnóstico severo que a este respeito está patente nas mensagens de muitos leitores. E saber se partilham a percepção, comum a muitas dessas mensagens, de que o problema se tem vindo a agravar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponho, para já, das opiniões, especialmente relevantes neste domínio, dos profissionais mais directamente envolvidos no controlo da qualidade do que se escreve no jornal. Aurélio Moreira, José Luís Baptista e Ricardo Neves, que integram a equipa de &lt;em&gt;copy desk&lt;/em&gt; na redacção do Porto, observam que "a ocorrência de erros num jornal que é visto como 'de referência' é mais grave do que se o jornal não tivesse essa imagem". E, embora salientem que "neste campo, o leitor não tem sempre razão", admitem que, "restringindo a análise aos que a têm", "é possível que os lapsos se tenham agravado nos últimos anos". Consideram que os jornalistas com quem trabalham estão conscientes da importância do problema, dando como exemplo uma iniciativa recente do Conselho de Redacção para o debate colectivo dos "erros mais correntes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Barreto, da mesma secção em Lisboa, não acha que os erros e gralhas "abundem assim de forma tão avassaladora". Mas diz conhecer queixas segundo as quais "a qualidade/estilo da escrita se degradou", e não crê "que haja uma preocupação particular no jornal em relação à questão linguística". Já Rita Pimenta, que actualmente garante a revisão dos textos da revista Pública e anteriormente coordenou a secção na redacção de Lisboa, acha que têm razão os leitores "quando afirmam que os erros são um problema sério para a imagem e credibilidade do PÚBLICO", e concorda que estes "têm vindo a agravar-se nos últimos anos". "Não me parece" — acrescenta — "que a percepção deste problema na redacção seja generalizada. De outra forma, creio que haveria um maior investimento e um outro cuidado na escrita dos textos. No entanto, há muitos jornalistas e editores bastante cuidadosos e atentos a estas questões. O que tem evitado desaires maiores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exiguidade de meios humanos, alterações introduzidas nos processos de edição, a exigência crescente de rapidez (actualmente agravada com a maior pressão nesse sentido própria da edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;), o menor peso de jornalistas seniores na redacção, o progressivo esquecimento da boa e velha regra de o jornalista dar o seu texto a ler a um colega, são algumas das explicações — "nada disto desculpa os erros, apenas os explica", ressalva Rita Pimenta — que estes profissionais encontram para as deficiências de escrita e o eventual agravamento do problema. A elas voltarei, bem como às informações e sugestões que me fizeram chegar, e que serão úteis para esclarecer os leitores sobre os processos de controlo de qualidade existentes, as suas lacunas e os meios para os aperfeiçoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Último esforço, antes da boda&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão parecerá menor, e já me referi a ela mais de uma vez para ilustrar a aparente indiferença dos responsáveis editoriais do PÚBLICO pela aplicação de regras de coerência na grafia de nomes próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tem sido exaustivamente anunciado nestas páginas, está marcado para o próximo dia 29 o casamento do neto mais velho da rainha de Inglaterra, esse mesmo que no PÚBLICO tanto é designado por príncipe Guilherme como por príncipe William, segundo o critério aparentemente aleatório e claramente variável de quem escreve ou edita (nomeadamente na página Pessoas do caderno P2). Seria, já o sugeri, uma boa altura para decidir finalmente essa coisa simples que é adoptar uma forma única para grafar o nome de alguém que nos próximos dias será certamente protagonista de várias notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Livro de Estilo do jornal consta a regra de "respeitar a grafia original do nome de personagens vivas ou de um passado recente, mas adoptar a forma aportuguesada para figuras históricas". Penso que da excepção à regra devem fazer parte, de acordo com uma tradição consolidada, os nomes daqueles que — como os membros de várias famílias reais europeias ou os papas — integram (ou poderão vir a integrar) listas históricas em que os nomes se repetem e são numerados. O jovem príncipe, por exemplo, poderá ser um dia o rei Guilherme V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não&amp;nbsp;é a&amp;nbsp;minha opinião que está em causa. O que não é aceitável, e neste caso está a tornar-se francamente ridículo — aconselhando uma decisão rápida e fundada em argumentos claros —, é que se permita a opção por uma grafia diferente conforme os dias da semana ou os humores dos jornalistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-6298823777168894357?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/6298823777168894357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=6298823777168894357&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/6298823777168894357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/6298823777168894357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/04/erros-vistos-de-fora-e-de-dentro.html' title='Erros vistos de fora e de dentro'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-5570319530828194624</id><published>2011-04-17T02:17:00.002+01:00</published><updated>2011-04-17T02:19:06.415+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tradução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Negligência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fecho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Infografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrita'/><title type='text'>Do eclipse de Guterres à troca das irmãs Medeiros</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 17 de Abril de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aguardo por algumas explicações pedidas aos responsáveis editoriais do PÚBLICO, que me permitam — como referi na crónica anterior — abordar com maior conhecimento de causa o problema dos erros de escrita que têm vindo a proliferar nas páginas do jornal, julgo importante alertar para o facto de as falhas de revisão e edição estarem longe de se confinar a certas debilidades patentes no domínio da língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns protestos mais recentes que me chegaram dos leitores mostram isso mesmo, e parece-me útil focar desde já outros domínios em que o controlo de qualidade apresenta falhas relevantes. Um deles é o da infografia. O PÚBLICO recorre com frequência à apresentação gráfica de informações sobre as grandes questões da actualidade, o que é um modo sugestivo e útil de contribuir para uma apreensão mais fácil e rápida dos dados a ter em conta sobre os temas noticiados. Mas alguma coisa não está a funcionar bem quando se sucedem os casos de barras trocadas, números que não batem certo, legendas baralhadas, dados informativos por vezes em contradição com o que se lê nos textos envolventes. Perde-se a utilidade da infografia e perde-se a qualidade da informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias o caso mais notório terá sido o do eclipse total do governo de António Guterres num quadro cronológico da nossa história política recente — publicado nas páginas de destaque da edição do dia 9 —, que pretendia ilustrar a evolução do peso da dívida pública no produto interno bruto nacional ao longo das duas últimas décadas. Andam a "reescrever a história", reclamou o leitor Arie Somsen. "É penoso constatar que, segundo o PÚBLICO, Guterres nunca foi primeiro-ministro", escreveu Ricardo Ruas. "Erro monumental", concluiu Manuel Villaverde Cabral", ao verificar que o jornal não só omitira a governação socialista entre 1995 e 2002, como "pôs Durão Barroso a governar durante aquele período, quando só chegou ao poder em 2002". E, acrescento eu, "prolongou" para um total de três anos o breve consulado de Santana Lopes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O erro é tanto mais lamentável quanto o texto conexo sobre o crescimento da dívida pública, assinado por Sérgio Aníbal, sublinha que foi "apenas entre 1995 e 2000" (durante a governação de Guterres, portanto) que "se verificou uma diminuição do valor da dívida pública em percentagem do produto". O jornalista explicava que tal sucedeu "quando a economia estava a crescer a um ritmo bastante elevado com a ajuda do endividamento do sector privado e se realizaram operações de privatização de grande dimensão". Pense-se o que se pensar a esse respeito (Villaverde Cabral comenta que "é fundamental corrigir o erro para melhor se apreciar o papel dos governos de cada partido, PS e PSD, no fomento da dívida e/ou da utilização das privatizações para esconder o défice, como fez o despesista Guterres"), o certo é que não há reflexão produtiva a partir de dados errados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, a revisão da infografia por quem redigiu ou editou a notícia, ou por quem teve a responsabilidade de fechar a página, teria sido bastante para evitar uma falha tão visível. Garante-me a direcção do jornal que essa é a rotina prevista para a validação editorial das infografias, o que só pode significar que, na sequência do erro já pouco compreensível na elaboração do gráfico, a rotina prevista não foi cumprida ou algum responsável (e nunca deveria ser só um) se mostrou desconcentrado à hora da famigerada "pressão do fecho". Qualquer das hipóteses é má e redunda em mau serviço aos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso, o erro foi assinalado (embora só dois dias depois) na secção "O PÚBLICO errou", o que está longe de acontecer em todas as situações semelhantes. Veja-se por exemplo o caso de uma infografia de grandes dimensões publicada na página de abertura do Local Porto na mesma edição em que Guterres foi rasurado da história. Para ilustrar uma notícia sobre projectos de "áreas de acolhimento empresarial" inovadoras no norte do país, mais de metade da página foi reservada para um trabalho gráfico cuidado e informativo sobre a localização prevista para esses equipamentos (oito no total) e as características de cada um. Uma iniciativa útil, mas totalmente estragada por ausência (ou deficiência) de revisão do gráfico, no qual um mapa com as oito localizações devidamente numeradas é acompanhado de legendas respeitantes a cada número, com a particularidade de todas (!) as referências estarem erradas. Entre as causas possíveis para o erro, poderá excluir-se, à partida, a ignorância. Não é crível que quem trabalha na informação local do norte do país possa pensar que — como decorre do gráfico publicado — Santa Maria da Feira se situa em Trás-os-Montes, Monção na bacia do Tâmega ou Chaves ao sul do Douro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só nas notícias ou nas infografias que os leitores detectam a negligência no controlo de qualidade das páginas. No PÚBLICO, como acontece hoje na generalidade dos jornais, redactores e gráficos trabalham com base em matrizes virtuais das páginas, nas quais estão previamente desenhados e dimensionados os elementos constitutivos da página "real" que virá a ser impressa. Um desses elementos pode ser, por exemplo, uma caixa para uma pequena fotografia a meia coluna (geralmente um rosto), à qual se associa o espaço para uma legenda (geralmente para identificar a pessoa retratada). Nas referidas matrizes pode encontrar-se nesse espaço um pequeno texto, para indicar qual a informação que deve ser aí colocada. Só a negligência, e provavelmente no plural, pode explicar que essa indicação para uso interno não seja substituída pela legenda "real". Mas é o que acontece com alguma frequência, levando a situações ridículas como aquela com que a leitora Alda Nobre deparou, no passado dia 1, nas páginas do Local Lisboa: numa notícia intitulada "Turismo do Algarve com dois presidentes em simultâneo", que tratava do conflito entre dois quadros do PS em disputa pelo mesmo cargo público, torna-se impossível perceber qual dos dois (ou eventualmente um terceiro protagonista) é retratado na fotografia inserida na peça, pois o que se lê, a letras vermelhas, no lugar da legenda que o deveria esclarecer, é o seguinte: "Pequeno destaque em caixa com fundo que também pode servir de legenda para a fotografia do lado esquerdo". Uma indicação útil, certamente, mas não para os leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às patologias da escrita a que me referi no último domingo, as reclamações dos leitores voltaram a incidir, nos últimos dias, na praga das faltas de concordância. Registo, entre muitos, dois exemplos mais visíveis, citados pela mesma (e atenta) leitora atrás citada: "&lt;em&gt;A ministra da Cultura acredita que a adaptação das instalações cedidas pela PSP estarão concluídas até ao final de 2011&lt;/em&gt;" (legenda no Local Lisboa a 8/4); "&lt;em&gt;O ruído entre Governo, PR e oposição tornam muito mais curta a margem de manobra negocial do país&lt;/em&gt;" (pós-título bem destacado na abertura do editorial de 10/4). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não ficam por aí os motivos de desagrado dos leitores. Ricardo Ferreira considera — e eu concordo — que a expressão "em barda" (na frase "A música consegue seguidores em barda [no Twitter]...", de uma peça sobre aquela rede social publicada a 14/4 na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;) não será a mais própria "num texto noticioso de um jornal de referência". José Mário Costa lembra que "FMI é uma sigla e não um acrónimo", ao contrário do que se lê no editorial de 15/4. Manuel Pinheiro considera que o PÚBLICO abusa das expressões em línguas estrangeiras ("É de moda dizer &lt;em&gt;tsunami&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;benchmarking&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;spread&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;upgrade&lt;/em&gt;, mas há belas expressões portuguesas para tudo isto"). Pedro Semedo pergunta se expressões como "jogar água com hidroaviões", entre outras formas estranhas (entretanto corrigidas) que encontrou numa notícia sobre o combate à crise na central nuclear de Fukushima, resultam de "tradutor automático". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Fernando Rodrigues, que considera excessivo o uso do léxico anglo-saxónico no noticiário económico e financeiro, "umas vezes tão só e outras com a tradução 'envergonhada' para português no meio de parênteses", espanta-se justificadamente — como eu me espanto — quando vê que já se chega ao&amp;nbsp;extremo de "traduzir" uma expressão portuguesa para inglês, como na frase "...pediu ontem a demissão por suspeita de utilização de informação privilegiada (&lt;em&gt;insider trading&lt;/em&gt;)" (secção Sobe e Desce, 1/4). Como observa, "já não chegavam os anglicismos, e ainda têm medo que não entendamos a nossa própria língua!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto, antes de regressar em breve ao tema do controlo de qualidade do que se publica nesta páginas, que o exame dos erros não pode dispensar uma reflexão aprofundada sobre os procedimentos de edição e revisão. Escrever, como se escreveu (no texto e em título) em notícia de abertura de secção no jornal de anteontem, que a actriz Maria de Medeiros, referida como actual parlamentar, será a terceira candidata na lista do PS para as próximas legislativas no círculo de Lisboa, confundindo-a com a deputada sua irmã (Inês de Medeiros) será uma distracção desagradável. Que o erro sobreviva à passagem do texto por sucessivos olhares na estrutura do jornal já não é distracção. É negligência que não é possível deixar que se banalize num jornal respeitado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #45818e;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagens de leitores acerca de erros no jornal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Reescrever a História&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora ou o senhor que elaborou o quadro na página 4 do PÚBLICO de 9 de Abril de 2011 esteve a reescrever História. Então o que aconteceu ao Governo do Eng. Guterres? Que deixou bastante obra! Agradeço uma rectificação.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;09.04.11&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;Arie Somsen&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;Oeiras&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Mais atenção, por favor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao gráfico da página 4 da edição de 9 de Abril, intitulado "Duas décadas de crescimento da dívida pública em Portugal", é penoso constatar:&lt;br /&gt;- que, segundo o "Público", António Guterres nunca foi primeiro ministro de Portugal;&lt;br /&gt;- que Barroso o foi durante seis anos e Lopes durante três;&lt;br /&gt;- que o "Público" abdica da sua reputação de rigor por preguiça e desleixo.&lt;br /&gt;Um pouco mais de atenção, por favor!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;09.04.11&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;Ricardo Ruas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Erro monumental&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Público cometeu no sábado, 9 de Abril, um erro monumental (...) Na página 4, no artigo de Sérgio Aníbal intitulado "Dívida pública quase duplicou em 20 anos", o respectivo quadro omitiu pura e simplesmente o nome de António Guterres como primeiro-ministro de 1995 até 2002! Inversamente, pôs Durão Barroso a governar durante aquele período quando só chegou ao poder em 2002. É fundamental corrigir o erro para melhor se apreciar o papel dos governos de cada partido, PS e PSD, no fomento da dívida e/ou da utilização das privatizações para esconder o défice, como fez o despesista Guterres (...).&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;10.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Manuel Villaverde Cabral&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Tristemente hilariante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Parece que [nesta] edição, para além de inúmeras aberrações, como erros de concordância, espalhadas por todo o jornal, e que, desgraçadamente, já são rotina, estava reservada a magnífica pérola na página 28. Sem mais demoras, passo a reproduzir o naco de sublime prosa, no caso, uma legenda, ao lado direito de uma foto de alguém não identificado, na página 28, secção Local Lisboa, pequena notícia em coluna, assinada por Idálio Revez, na margem esquerda da página, com o título: "Turismo do Algarve com dois presidentes em simultâneo": (...) "Pequeno destaque em caixa com fundo que também pode servir de legenda para a fotografia do lado esquerdo".Não sei se esta "indicação de paginação" veio do próprio Idálio Revez, ou do sr. Henrique, do quiosque aqui perto de casa onde compro diariamente o Público...mas que é total, absoluta e tristemente hilariante, isso sem dúvida &lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;01.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Alda Nobre &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Falta de concordância&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Encontrei uma triste pérola que me deixou profundamente indignada, principalmente no dia em que, com esforço, tive que pagar um preço um pouco mais elevado pelo jornal (...). Vamos aos factos: Público de 8 de Abril, página 28, secção Local Lisboa, notícia uma vez mais não assinada, com o título "Museu do Chiado muda de sítio até ao final do ano". Na coluna da direita, ladeando uma foto da ministra da Cultura, está a vermelho a seguinte pérola: "A ministra da Cultura acredita que a adaptação das instalações cedidas pela PSP estarão concluídas até ao final de 2011". (...) Basta! Há limites para tudo! Se não sabem escrever, dediquem-se a outra profissão, pois se eu, com grande esforço, dou, todas as sextas, 1,60€ pelo jornal, é para ler notícias assinadas e correctamente escritas. Será pedir muito?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;08.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Alda Nobre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Mais faltas de concordância&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de ler a sua divertidamente triste (ou tristemente divertida) crónica sobre a "praga de Catual" na edição do Público de 10 de Abril, e, como promete voltar ao tema em próximas crónicas (...), venho dar-lhe mais duas achegas para a sua resenha de disparates, ambas saídas na referida edição do Público. A primeira, mais importante e mais grave, vem no... editorial (pós-título do 1º tema): "O ruído entre Governo, PR e oposição tornam muito mais curta (...)", etc. (...) E vem isto no editorial? Ainda por cima não assinado? (...) Só dá razão à ideia feita de que os (maus) exemplos vêm de cima (...). Na página 11, secção Portugal, notícia com o título "Radiotelescópio que escuta a Via Láctea podem destinar-se a várias missões (...)", etc. Acho muito bem que o Público continue neste caminho minado, se, definitivamente, quiser perder os seus exigentes leitores (...).&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;10.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Alda Nobre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Lisboa &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. Expressões &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreve-se nesta notícia ["Comediante brasileiro é o mais influente no Twitter"]: "A música consegue seguidores em barda...". Talvez esteja enganado, mas sempre achei que a expressão "em barda" pertencia a uma linguagem muito casual, gíria até, e pouco utilizável em notícias. Admito que possa estar enganado, mas faz-me confusão vê-la utilizada num texto noticioso de um jornal de referência. &lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;14.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Ferreira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. Siglas e acrónimos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito da abordagem ao desleixo da escrita do Público, (...) mais esta recentíssima incorrecção, que saiu, ainda por cima, no editorial: "O acrónimo do Fundo Monetário Internacional tornou-se no último ano no símbolo do pesadelo que o país teria de viver caso recorresse, como recorreu, à ajuda externa para evitar a insolvência do Estado" [pág. 40, edição de 15/4].&lt;br /&gt;FMI é uma sigla, e não um acrónimo. Tal como CGTP, UGT, RTP, PT ou MPLA ou ONU são siglas, e não acrónimos. Porque se lêem letra a letra: F-M-I, C-G-T-P. U-G-T, R-T-P. P-T, M-P-L-A… Acrónimos podem ser ou não siglas (nomes formados a partir das letras iniciais dos seus elementos), mas só podem ser considerados acrónimos se o termo em causa é pronunciado como uma palavra comum. Por exemplo: FENPROF (FEderação Nacional de PROFessores), EPAL ( Empresa Pública das Águas Livres), EUROTRA (Programa Europeu de Tradução Automática), Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), Sapo (Servidor de Apontadores Portugueses), ONU (Organização das Nações Unidas) ...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;15.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;José Mário Costa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9. Tsunami ou maremoto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Público usa a expressão portuguesa "terramoto", não faz sentido que não use "maremoto", preferindo o japonês "tsunami".A defesa da língua deve ser uma missão central da comunicação social (...).Quando Lisboa foi invadida por uma onda após o terramoto de 1755, não estava lá o Público para anunciar o &lt;em&gt;tsunami&lt;/em&gt;. E por isso utilizou-se o português maremoto. Do latim &lt;em&gt;mare&lt;/em&gt;+&lt;em&gt;moto&lt;/em&gt;, significa isso mesmo, o mar em movimento, o mar num movimento anormal. É de moda dizer&lt;em&gt; tsunami&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;benchmarking&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;spread &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;upgrade&lt;/em&gt;. Mas há belas expressões portuguesas para tudo isto. E o Público deve usá-las.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;12.03.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Manuel Pinheiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10. Tradutor automático?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O português deste artigo ["Comissário europeu antevê catástrofe dentro de horas", 16 de Março] mais parece basear-se num tradutor automático do que no trabalho de um jornalista. Expressões como "jogar água com hidroaviões", "não sabem mais como fazer", "riscos para a vida das pessoas sobre a ilha" revelam um nível na utilização do português que o Público não deve tolerar. &lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;16.03.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedro Semedo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11. Já não chegavam os anglicismos...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(...) Sempre tenho dito e redito que muitas das linguagens técnicas são muitas vezes linguagens de poder. E a mais notória delas é a económico-financeira-gestionária, com o seu léxico anglo-saxónico, que vai sendo usado por todos os jornalistas, umas vezes tão só e outras com a tradução "envergonhada" para português no meio de parênteses. Agora o que nunca vi foi o que sucedeu, num dia da semana passada, quando a coluna "Sobe e Desce", ao colocar uma seta descendente num gestor americano, referiu que ele tinha "informação privilegiada (&lt;em&gt;insider trading&lt;/em&gt;)" (sic)"! Assim mesmo, traduzindo.... para inglês!! Já não chegavam os anglicismos, e ainda têm medo que não entendamos a nossa própria língua!&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;11.04.11 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Fernando Cardoso Rodrigues&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-5570319530828194624?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/5570319530828194624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=5570319530828194624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5570319530828194624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5570319530828194624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/04/do-eclipse-de-guterres-troca-das-irmas.html' title='Do eclipse de Guterres à troca das irmãs Medeiros'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-1270674501707840069</id><published>2011-04-10T06:19:00.005+01:00</published><updated>2011-04-13T00:21:00.226+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fecho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Títulos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Erros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Provedor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Direito à imagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrita'/><title type='text'>Respeitar a língua e os leitores</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 10 de Abril de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em texto publicado no seu blogue no último dia de 2009, o anterior provedor do leitor, Joaquim Vieira, constatava no final do mandato que tinha sido "em grande parte frustrado" o esforço que dedicara a procurar sensibilizar jornalistas e responsáveis editoriais para a importância do uso correcto da língua portuguesa num diário que se propõe integrar o universo dos jornais de qualidade. Em textos anteriores, dera abundantes exemplos de incompetência gramatical recorrente nestas páginas, com realce para a teimosa falta de concordância entre sujeito e predicado em muitas frases aqui publicadas. E acentuara com frequência o caso específico da "falta de concordância de certos tempos verbais que se seguem à partícula 'que', quando esta é sujeito da oração e se refere a um plural retomado da oração anterior" — asneira que, inspirado em versos de Camões", baptizou como "praga de Catual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tiver continuado a ler o PÚBLICO com a atenção que lhe dedicou enquanto provedor, Joaquim Vieira não terá motivos para alterar a conclusão a que chegou. Parecer-lhe-á talvez — como me parece a mim — que essa e outras pragas semelhantes (como a da falta de concordância em género ou número) têm até vindo a desfigurar crescentemente a escrita do jornal. Apesar de serem muito numerosas as queixas que desde o primeiro dia recebo dos leitores, em protesto contra os maus tratos à língua que encontram nestas páginas, não dei ainda ao tema a importância que merece neste espaço. Espero fazê-lo em breve, uma vez recolhida a informação suficiente para transmitir aos leitores o que possa apurar e concluir quanto às explicações e possíveis remédios para uma situação que tem de ser considerada desprestigiante. E à qual, como parece óbvio pela leitura continuada do jornal, a direcção editorial não estará a prestar a atenção exigível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abordagem prévia que hoje faço ao tema é apenas demonstrativa e fica a dever-se ao facto de os erros de português, com relevo para as faltas de concordância, terem invadido nos últimos dias os espaços de maior visibilidade no jornal, como a capa, destaques ou títulos de maior dimensão. Como se alguma mente perversa tivesse resolvido pôr nas montras da loja os artigos com defeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A edição da passada quinta-feira, com o seu destaque de dez páginas dedicado ao anúncio, pelo primeiro-ministro, do pedido de ajuda financeira à União Europeia, mostra bem como as falhas no controlo de qualidade podem manchar um trabalho jornalístico útil e esforçado. A capa desse dia 7 de Abril já fazia temer o pior, ao apresentar no canto superior direito um título defeituoso ("&lt;em&gt;Portugueses são dos pagam mais pelos remédios&lt;/em&gt;"), em que o desaparecimento do indispensável "que" terá escapado a todos os pares de olhos disponíveis. Voltava-se a página para entrar na matéria do destaque do dia, e encontrava-se, logo a abrir, em letras grossas de título principal, a frase "&lt;em&gt;Pressão da banca e das agências de rating levam Governo a pedir ajuda&lt;/em&gt;". A legitimar a suspeita de que não há por aqui apenas distracções inaceitáveis, e a sugerir que as discordâncias entre singular e plural, mesmo em títulos de maior envergadura, ou não são posteriormente detectadas, ou não são consideradas tão graves que levem a evitar a repetição do erro de um dia para o outro, convirá frisar que a praga já atacara na véspera, com visibilidade semelhante. A toda a largura da segunda página da edição de quarta-feira, escrevia-se, a antecipar a decisão que o primeiro-ministro iria anunciar nesse dia: "&lt;em&gt;Banca articulou em reunião no Banco de Portugal uma estratégia de sensibilização para a necessidade dum empréstimo intercalar e avisaram que não continuarão a financiar o Estado&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de os erros de concordância serem lamentavelmente frequentes em textos do PÚBLICO, a sua ocorrência em títulos de abertura de dois destaques consecutivos não deverá, em princípio, ser atribuída aos autores das peças. O que está aqui em causa é a responsabilidade de quem revê e fecha as páginas mais nobres do jornal. Aqui como, provavelmente, em outros passos infelizes desse destaque de quinta-feira. Como na página 6, em que o idioma escolhido para redigir a pergunta "&lt;em&gt;Para que o dinheiro da UE e do FMI vai servir&lt;/em&gt;?" não é certamente o português. Ou na página 7, em que o título "&lt;em&gt;É possível que leilão de dívida de ontem seja o último do ano&lt;/em&gt;" não indicia o melhor domínio dos tempos verbais. Ou na página 10, em que o jornalista, recordando a crise de 1983, escreve que Cavaco Silva, enquanto ministro das Finanças do anterior governo da Aliança Democrática, "promoveu políticas que, no entender do ex-governador do banco central Silva Lopes, tinham o único fim de 'promover a vitória eleitoral do PSD-CDS'" — acusação que logo acima, em legenda que acompanha uma pequena fotografia de Cavaco, passa a ser atribuída a... Ernâni Lopes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda na página 12, em que uma lista dos resultados da maratona de votações na última sessão parlamentar indica numa coluna que foi aprovada a iniciativa legislativa que "altera o regime da prescrição médica por princípio activo", para pouco adiante referir que esse foi um dos diplomas rejeitados. Já duas páginas antes, num quadro sobre os "ratings atribuídos aos países periféricos da zona euro" (a hesitação sobre se o termo inglês deve ou não ser grafado em itálico é patente neste trabalho), se trocavam as avaliações atribuídas pelas agências de notação a Portugal, Grécia e Irlanda — e esse foi o único erro reconhecido na edição seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou a ser exaustivo. Referi apenas os erros mais visíveis num trabalho que, pela sua importância informativa, suscitou certamente o exame atento de muitos leitores. Posso aliás acrescentar, sempre no âmbito do noticiário sobre o pedido de assistência financeira ao nosso país, que na edição on line da véspera, se encontravam — numa resenha de títulos da imprensa estrangeira — "traduções" como estas que indignaram o leitor Carlos Andrade: "&lt;em&gt;Financial Times: 'Sócrates pede resgate a Portugal'&lt;/em&gt;", ou "&lt;em&gt;Guardian: 'Portugal procura resgate da EU...&lt;/em&gt;'". Ou ainda que, umas horas depois, se via o jornal francês Le Figaro ser familiarmente tratado por "O Fígaro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desleixo demasiado em tão pouco tempo e no noticiário mais relevante. Têm razão os leitores que vêem na proliferação dos erros de escrita alguma inconsciência ou menosprezo face ao seu direito a um produto jornalístico de qualidade. Valerá a pena regressar ao tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;O jornal "não me passou cavaco"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso data já do início do ano, mas é útil para ilustrar problemas que podem surgir no âmbito do direito à imagem e em especial no que respeita à utilização de fotografias de arquivo. Viviam-se as vésperas da campanha eleitoral para as últimas presidenciais e o PÚBLICO destacava o facto de esta estar a ser marcada pelo caso BPN. "Cavaco Silva comprou acções da SLN a um preço mais baixo que os accionistas" foi o título escolhido para encabeçar as páginas de abertura da edição de 8 de Janeiro. Ao lado, a imagem principal do destaque mostrava um anfiteatro universitário, com duas figuras em primeiro plano: o próprio presidente-candidato e uma outra pessoa, não identificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratava-se de um leitor e assinante do jornal, professor da Universidade Católica, que me endereçou uma reclamação bem-humorada: "O Público 'pespegou' a minha foto ao lado do presidente Cavaco (tirada numa sessão na UCP em que estive, como vou estar nas dos outros candidatos que lá forem). E logo para ilustrar um tema quente: acções SLN. Fiquei roxo (o meu nome é Francisco Velez Roxo)". E acrescentava: "O freguês que neste caso fez figura de 'emplastro' que pode dizer ou fazer? (...) A foto nada tem que ver com o tema. E não é só o professor Cavaco que está na foto. E eu não me chamo Oliveira e Costa! (...) O Público utilizou uma foto [em] que por acaso eu também lá estou. E não me passou cavaco. Devia haver mais cuidado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o leitor assim "apanhado" já protestara junto do PÚBLICO, sem obter resposta, pedi uma explicação à directora do jornal. Bárbara Reis reconstituiu o processo de escolha da fotografia: "Cavaco Silva estava em pré-campanha e por isso todas as suas fotos recentes mostravam o presidente-candidato em cerimónias públicas, rodeado por pessoas. (...) Esta fotografia [de arquivo] tinha várias qualidades: Cavaco Silva está rodeado por desconhecidos; a fotografia nunca tinha sido publicada até então; era recente (tinha pouco mais de um mês) e, por último, [fora feita em] contexto eleitoral (um evento de pré-campanha), sendo a notícia sobre um dos temas fortes das eleições".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa imagem, acrescenta a directora, "vemos Cavaco Silva a caminhar num auditório, em cujo corredor um senhor está de pé em primeiro plano e à volta várias pessoas mais recuadas estão sentadas ou também em pé. O senhor que vemos em primeiro plano não está com Cavaco Silva – parece ter-se levantado no momento da foto ou estar à espera que algo aconteça. (...) Lamentamos que se tenha sentido incomodado com a publicação (...), mas nada na fotografia, na nossa perspectiva, associa qualquer das pessoas na sala a Cavaco Silva. Estavam todas, como indicado na legenda, numa cerimónia pública".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me claro que não houve desrespeito pelo direito à imagem de quem foi fotografado numa sessão pública. Mas "mais cuidado", como sugere o leitor, poderia ter havido, atendendo a que o texto assim ilustrado não aludia a uma acção pública de campanha (embora integrasse o noticiário eleitoral), mas sim a um caso polémico, a que qualquer cidadão tem o direito de não gostar de ver associada a sua imagem ao abrir, desprevenido, as páginas do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-1270674501707840069?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/1270674501707840069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=1270674501707840069&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1270674501707840069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/1270674501707840069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/04/respeitar-lingua-e-os-leitores.html' title='Respeitar a língua e os leitores'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-542810881883352001</id><published>2011-04-03T05:19:00.005+01:00</published><updated>2011-04-06T00:48:25.365+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fontes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Credibilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Anonimato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relevância'/><title type='text'>Escutas, magistrados, fontes e notícias</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 3 de Abril de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A queixa é repetida, a justificação é repetida e eu vou também repetir-me, esperando que a repetição possa contribuir para uma melhor reflexão, por parte de redactores e responsáveis editoriais do PÚBLICO, sobre os prejuízos que a banalização do recurso a fontes anónimas pode causar à credibilidade do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Agosto passado, numa crónica intitulada "Conselheiros anónimos e com medo", critiquei o teor de uma notícia em que o jornal reproduzia uma acusação dirigida ao procurador-geral da República, Pinto Monteiro, a coberto do anonimato, por um membro do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). Tratava-se de uma acusação grave, não apoiada em factos e sobre a qual o visado não fora ouvido. A autora da notícia justificou então o recurso ao anonimato com o temor de "represálias" invocado pela sua fonte, salientando que "de outra forma não seria possível fazer a notícia". Concluí, nesse caso, que nenhum "decisivo interesse público" justificava a publicação da notícia naquelas condições e manifestei a minha perplexidade pelo facto de um alto magistrado se refugiar no anonimato para lançar acusações ao presidente do órgão a que pertence. É um comportamento censurável a que o PÚBLICO deveria recusar servir de veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso que hoje aqui trago será menos grave, mas tem alguns ingredientes semelhantes e os mesmos protagonistas. No passado dia 11 de Março, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, foi chamado ao Parlamento para esclarecer declarações públicas que fizera sobre a existência de escutas telefónicas ilegais. Em notícia de antecipação a essa audição, publicada na mesma data, a jornalista Mariana Oliveira dava conta de que "vários elementos do Conselho Superior do Ministério Público" tinham uma opinião diferente esse respeito e consideravam "anómalas" as declarações do procurador-geral, classificadas por um deles como uma "infantilidade". Atendendo à importância do que nesta matéria pode estar em causa no plano do respeito pelas garantias dos cidadãos, a divergência de opiniões entre magistrados é de óbvio interesse noticioso, embora ao bom jornalismo deva interessar mais a investigação da verdade dos factos do que a reprodução de eventuais palpites contraditórios. O que tornava esta notícia "anómala", para usar o termo atribuído aos conselheiros, era o facto de uma das partes dizer o que pensava em declarações públicas, enquanto a outra comentava essas declarações, e o tema a que aludiam, sob a capa do anonimato. Não é uma forma responsável de fazer passar mensagens, e menos ainda apreciações desprimorosas, como foi o caso. Se o método não incomoda magistrados a desempenhar funções públicas relevantes, deveria incomodar os responsáveis editoriais do PÚBLICO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor José Mário Costa, que já protestara contra a notícia do Verão passado, assinada pela mesma jornalista, voltou a criticar, e a meu ver com razão, "o recurso a fontes não identificadas" para comentar e qualificar negativamente as declarações do PGR. A autora da notícia, por seu lado, argumenta que "há áreas como a Justiça onde é muito difícil as fontes falarem em &lt;em&gt;on&lt;/em&gt;", já que "os magistrados são obrigados ao dever de reserva e o Ministério Público tem uma organização hierárquica, em que o PGR, no topo, pode mandar abrir processos disciplinares". "Considero" — acrescenta — "que, apesar de anónimas, estas opiniões são relevantes para o leitor enquadrar um determinado assunto sensível como as escutas ilegais. (...) Tracei, por isso, um panorama do que pensava a maioria dos membros deste órgão e outros responsáveis do sector sobre as escutas ilegais e isso foi fundamental para enquadrar a situação". E diz ainda ter escolhido a expressão "infantilidade", por retratar bem "o que as várias fontes disseram".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que há vários pontos fracos nesta argumentação. Não me parece nada claro que o dever de reserva possa impedir um membro do CSMP de tornar pública a sua apreciação do problema das escutas telefónicas, mas, se fosse esse o bom entendimento, então a reserva deveria ser mantida, e não desrespeitada por via do anonimato. Para quem aceita ser identificado pela fórmula "um membro do CSMP", trata-se aliás de um expediente que acaba por envolver indevidamente outros membros do mesmo órgão que não se reconheçam nesse procedimento. Também não me parece claro que os membros do Conselho, na maioria eleitos pelos seus pares e pelo Parlamento, devam recear processos por delito de opinião. Este não é certamente um quadro em que os jornalistas, e os responsáveis pela edição das notícias, devam aceitar a recusa de identificação, ou esquecer o dever de não reproduzirem opiniões — e é de opiniões que aqui se trata — de fontes anónimas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que nada na notícia permite fundamentar de forma credível que a opinião atribuída a "vários elementos" corresponde ao que a jornalista descreve como " um panorama do que pensa[va] a maioria dos membros deste órgão e outros responsáveis do sector sobre as escutas ilegais", e que considera "relevante para contextualizar" o assunto. Não discuto a relevância do tema em si, mas a relevância do que se escreveu, e os métodos utilizados. A credibilidade obriga ao respeito por regras conhecidas, e não é das fontes, mas de quem lhes dá voz, que se espera o seu cumprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mensagem que me enviou a este respeito, Mariana Oliveira faz uma revelação curiosa: "Na sequência do anterior texto em que esta questão se levantou [uma referência ao caso de Agosto passado], conversei com várias fontes judiciais sobre este problema. E todas, sem excepção, disseram que se não respeitasse o anonimato não poderiam sequer falar comigo, ainda que para contextualizar algumas situações. Impuseram, por isso, as regras que aceitei porque não tinha alternativa face à importância do que estava em causa". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqui duas palavras-chave: "alternativa" e "importância". A alternativa, que nem sempre é bem sucedida, mas deve sempre ser procurada, passa pela investigação, por saber mais e confirmar, e por resistir, como regra, à facilidade dos recados anónimos. A importância deve ser avaliada pela substância do que se noticia e do seu interesse público e é na qualidade dessa avaliação, confrontada com as boas regras do ofício, que se afirma a credibilidade de um jornal. Como já aqui escrevi, a banalização do recurso a fontes anónimas mina essa credibilidade nas situações excepcionais em que um jornal possa ou deva avançar com informações obtidas de fontes não identificadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma notícia de 11 de Março pode ajudar a ilustrar este ponto. A antecipação da audição do PGR era apenas a segunda parte de um texto focado na questão das escutas, que tinha por título"Juiz Carlos Alexandre convicto que já foi alvo de escutas ilegais". Deixando agora de lado a forte visibilidade do erro gramatical (o juiz estará, isso sim, "convicto de que"...), esta é uma informação de óbvio interesse público, bastando recordar que o juiz em causa tem ou teve a seu cargo alguns dos casos judiciais mais sensíveis da actualidade (&lt;em&gt;Furacão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Face Oculta&lt;/em&gt;, submarinos, &lt;em&gt;Freeport&lt;/em&gt;...). A notícia assinada por Mariana Oliveira explicava os indícios concretos em que se fundamentaria tal convicção do magistrado, mas era igualmente baseada em fontes anónimas e não confirmada pelo próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornalista garantiu-me estar completamente segura da veracidade da notícia — que de facto não foi desmentida — e explicou-me ter discutido com os responsáveis editoriais as condições em que obtivera e confirmara a informação, tendo a essa luz sido ponderadas a sua correcção, oportunidade e relevância. Sem prejuízo de uma desejável investigação posterior e mais completa do que foi divulgado, esta é uma opção editorial defensável — embora o facto de faltar à peça a confirmação do principal protagonista pudesse aconselhar um título menos assertivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num caso como este, o jornal põe conscientemente em jogo a sua credibilidade, ao decidir avançar com uma notícia em que aceita omitir as fontes. A informação será tida como boa pelos leitores que acreditarem que o PÚBLICO não a divulgaria sem estar convicto da sua veracidade. E é esse capital de credibilidade, essencial para a reputação de um jornal, que não pode ser corroído pela banalização das fontes não identificadas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Queirós&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;&lt;strong&gt;Documentação complementar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reacções de leitores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seguem-se duas mensagens de leitores, referentes à crónica acima publicada. A primeira chama a atenção, com razão, para o facto de me ter referido como "magistrados" a todos os membros do CSMP, quando de facto nem todos o são. A segunda traça de forma clara a distinção entre informações obtidas em "off", que podem ser publicadas uma vez efectuados os necessários procedimentos de validação, e opiniões expressas a coberto do anonimato, que não devem ser publicadas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1- Composição do CSMP&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordando, embora, com o conteúdo da posição expressa pelo Provedor dos Leitores do Público, seja-me permitida uma pequena chamada de atenção. A composição do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) engloba - para além do PGR, não, necessariamente, magistrado -, 11 magistrados, 5 membros eleitos pela AR e 2 personalidades de reconhecido mérito, designadas pelo Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;A referência às fontes anónimas, como "magistrados", parece-me, salvo o devido respeito, abusiva, precisamente por se desconhecer de quem se trata. Magistrados ou não magistrados?&lt;br /&gt;Evidentemente que não pretende lavar-se a honra de ninguém. Como disse, concordo com as reservas e objecções do Provedor e não pode excluir-se a hipótese de as fontes anónimas se reportarem, realmente, a magistrados.&lt;br /&gt;Daí que me parecesse mais rigoroso aludir, tão só, a "Conselheiros", uma vez que, assim, incluir-se-iam todos aqueles que, de facto, integram o CSMP.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;05.04.2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;João Nogueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2- E se fosse ao contrário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Porque [a jornalista] M.O. distorce completamente a diferença (abissal) entre recolha de informações em "off" – que, desde que devidamente confirmadas, como mandam as boas regras do jornalismo decente, podem ser veiculadas – e a reprodução de comentários desabonatórios para com terceiros, a coberto do anonimato mais irresponsável, valeria a pena pô-la, a ela, (...) na situação "ao contrário". &lt;br /&gt;Esta, por exemplo: num trabalho sobre o tipo de jornalismo que se pratica hoje em Portugal sobre temas de Justiça – podia ser sobre fugas de informação, cirurgicamente "plantadas" aqui e ali, e aqui e ali despudoradamente veiculadas, sem sequer a auscultação prévia dos visados... –, várias fontes anónimas eram citadas textualmente com comentários desabonatórios deste e daquele jornalista.&lt;br /&gt;O que sentiria M.O., se fosse um dos jornalistas atingidos no seu bom nome e seriedade profissional? E o que pensaria do/a colega que se tivesse prestado a tal leviandade?&lt;br /&gt;Pois é: quando o jornalismo perde as suas referências básicas, distintivas do contrabando que anda por aí a ser feito em seu nome, nada melhor do que nos pormos, permanentemente, no lugar do próximo "crucificado" na praça pública...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;03.04.11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;José Mário Costa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-542810881883352001?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/542810881883352001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=542810881883352001&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/542810881883352001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/542810881883352001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/04/escutas-magistrados-fontes-e-noticias.html' title='Escutas, magistrados, fontes e notícias'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-4799590890737832447</id><published>2011-03-30T04:22:00.001+01:00</published><updated>2011-03-30T04:23:36.968+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Edição on-line'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='NO BLOGUE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aplicações'/><title type='text'>Aplicações para Android e Smartphones</title><content type='html'>Por poder interessar a outros leitores, aqui fica o esclarecimento do &lt;em&gt;IT manager&lt;/em&gt; do PÚBLICO, Paulo Almeida, em resposta a questões colocadas pelos leitores Manuel Silva e David Domingues. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem do leitor Manuel Silva &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho por este meio mostrar a minha insatisfação com duas coisas. Primeiro: a não existência de uma aplicação oficial do Público para o Android, quando já existe para o iphone e ipad, que são duas plataformas com número semelhante de utilizadores. O Público está a discriminar os utilizadores dessa plataforma. Segundo, bloquearam o acesso&amp;nbsp;à aplicação a.publico que existia no Android e disponibilizava de forma livre e gratuita as vossas notícias no Android. Cerca de 10.000 pessoas utilizavam a aplicação. Vocês não fazem nem deixam fazer; essa não é a atitude correcta por parte do jornal que mais respeito em Portugal. Peço que revejam a vossa política quanto a este assunto&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;16 de Março de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Manuel Silva &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Barcelos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem do leitor David Domingues&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de "congratular" o vosso jornal que, depois de anos de aproveitamento do trabalho de benévolos que conseguiram trazer para os ecrãs dos telemóveis as notícias disponibilizadas por vós em "news feed", fizeram com que, de repente, não se pudesse mais aceder a estas aplicações (...). &lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;17 de Março 2011 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;David Domingues&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esclarecimento sobre aplicações&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aplicação a.publico foi desenvolvida e disponibilizada por um particular residente fora de Portugal há quase um ano atrás. (...) Para além de violar os direitos de autor, a aplicação era muito pobre graficamente (...).&lt;br /&gt;Sobre os Androids, vai começar o projecto que irá desenvolver uma aplicação para os tablets com este sistema operativo. Está também prevista uma aplicação para os smartphones, que ainda precisa ser especificada e que se enquadra no projecto de aplicações com conteúdos pagos (iphone / android e Symbian).&lt;br /&gt;O projecto Android tablets será uma réplica da versão que está a ser desenvolvida para iPad (...).&lt;br /&gt;Enquadrado nos projectos móveis, está também prevista a convergência dos sites movel.publico.pt e i.publico.pt para um único site m.publico.pt, que à semelhança dos sites móveis Cinecartaz e Guia do Lazer, irá funcionar em todos os smartphones. (...). &lt;br /&gt;Numa segunda fase, a consulta da edição impressa versão html também será possível para assinantes através desta web app.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;18 de Março de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Paulo Almeida (IT Manager do PÚBLICO)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-4799590890737832447?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/4799590890737832447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=4799590890737832447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4799590890737832447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/4799590890737832447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/03/aplicacoes-para-android-e-smartphones.html' title='Aplicações para Android e Smartphones'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-5934808364969074834</id><published>2011-03-30T03:47:00.002+01:00</published><updated>2011-03-30T03:49:53.435+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas ao Director'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='NO BLOGUE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentários'/><title type='text'>Menos espaço para as Cartas à Directora</title><content type='html'>Desde o passado dia 5 de Março, data em que cessou a publicação automática de comentários dos leitores na edição do PÚBLICO na Internet, a direcção do jornal decidiu passar a incluir, na página do jornal impresso em que são publicados o Editorial e as Carta à Directora, um ou dois comentários que considera "os melhores" publicados na véspera na edição &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; (ver minha crónica de 20 de Fevereiro). Em consequência, diminuiu o espaço dedicado às Cartas à Directora, o que desagradou ao leitor Augusto Küttner de Magalhães. Como se depreende da explicação abaixo transcrita, a direcção do PÚBLICO irá manter essa opção. Entretanto, o mesmo leitor apresentou uma sugestão destinada a recuperar espaço para as cartas, que também transcrevo. Procurarei voltar a este tema, já que vários leitores consideram que seria interessante que o jornal desse mais espaço às cartas que recebe sobre temas da actualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagens do leitor A.K. Magalhães&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; Sendo uma escolha vossa colocar duas "entradas" de comentários&lt;em&gt; online&lt;/em&gt;, junto ao já reduzido Espaço Público para os leitores do papel, não se põe a hipótese de este espaço ser um pouco aumentado (...)? O papel ainda é a marca do Público, mesmo sabendo-se que deixará de o ser (...). &lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;7 de Março de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Augusto Küttner de Magalhães&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Para além do espaço do leitor [Cartas à Directora] ter ficado encolhido, estes comentários novos não aparecem no Público se lido &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;[&lt;em&gt;Nota: o leitor refere-se à versão &lt;/em&gt;online&lt;em&gt;, para assinantes, do jornal imp&lt;/em&gt;resso].&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;9 de Março de 2011&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;Augusto Küttner de Magalhães&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Uma vez que o espaço Cartas à Directora ficou encolhido por lá, e não em outro local do Público, terem decidido “encaixar” os comentários &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;, que tal sugerir à direcção que retire o espaço com a imagem do Público do dia anterior, que já foi lido, e não se entende por que motivo ali está? Ficaria mais espaço para cartas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;24 de Março de 2011&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #666666;"&gt;Augusto Küttner de Magalhães&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Explicação da directora do PÚBLICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós acreditamos na sinergia entre o papel e o &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;. Faz todo o sentido que comentários do &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; não fiquem apenas restritos ao &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;. Como faz todo o sentido ver um vídeo no &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; de uma reportagem escrita para o papel. Não tínhamos pensado em incluir os comentários na edição para assinantes, mas vamos ponderar. De qualquer modo, essa eventual inclusão não excluiria a presença dos comentários no papel, aliás prática comum em vários jornais de referência em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;18 de Março de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Bárbara Reis&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6526473067445243283-5934808364969074834?l=provedordoleitor10.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/feeds/5934808364969074834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6526473067445243283&amp;postID=5934808364969074834&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5934808364969074834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6526473067445243283/posts/default/5934808364969074834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://provedordoleitor10.blogspot.com/2011/03/menos-espaco-para-as-cartas-directora.html' title='Menos espaço para as Cartas à Directora'/><author><name>José Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04754654098523518272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6526473067445243283.post-3084512446901887497</id><published>2011-03-27T17:16:00.037+01:00</published><updated>2011-03-29T03:49:08.086+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fontes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Citações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Plágio'/><title type='text'>Negligência sim, plágio não</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Crónica da edição de 27 de Março de 2011)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acusação de plágio é das mais graves que podem ser feitas a um jornalista. Trata-se, aliás, de uma prática proibida pelas normas éticas a que o PÚBLICO se obriga. No caso de que hoje me ocupo, essa acusação foi dirigida a uma redactora do jornal pelo autor de um blogue. Como irei explicar, considero a acusação injusta, mas penso que os factos que lhe deram origem revelam erros que devem ser corrigidos, tanto na elaboração de textos como na relação do jornal com os seus leitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos então aos factos. Nas páginas de abertura do suplemento semanal Cidades, publicado aos domingos, existe uma secção intitulada &lt;em&gt;Antes &amp;amp; Ag&lt;/em&gt;ora, que permite comparar duas fotografias (uma antiga, outra actual) de um mesmo fragmento de paisagem urbana. Um pequeno texto acompanha essas imagens, evocando aspectos da história do local fotografado e sinalizando as transformações nele ocorridas. No passado dia 23 de Janeiro, esse espaço do suplemento foi ocupado, na edição Lisboa, por imagens da Avenida de Roma, sob as quais um apontamento assinado pela jornalista Ana Gomes Ferreira dedicava especial atenção à carreira 7 de autocarros da Carris, que serve há décadas aquela avenida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se, pela leitura desse pequeno texto, que ele foi redigido com base em dados recolhidos "na Internet". A autora escreve, a certa altura que, "para esta história fotográfica, interessa-nos o blogue que conta a história das carreiras da Carris", já que "na imagem está a carreira 7, que foi muito importante para esta avenida". Segue-se uma descrição em traços largos da história da relação entre a avenida e a referida carreira de autocarros, no âmbito da qual se cita, entre aspas, a seguinte frase: "Em 1956, a Câmara iniciou finalmente a grande reconstrução da Avenida de Roma; e durante cerca de um ano o 7 viajou com alterações de percurso, quarteirão a quarteirão, enquanto a avenida ganhava um rosto condizente com a modernidade que apregoava". Essa frase, segundo se explicava, "lê-se na página dedicada ao 7". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma frase retirada, na íntegra, de um longo texto intitulado "7 (e 7A): O autocarro da Avenida de Roma", publicado em Fevereiro de 2010 num blogue intitulado "História das Carreiras da Carris", cujo conteúdo e valor informativo aliás se recomendam a todos os interessados pela história dos transportes públicos de Lisboa. O seu autor, Luís Cruz-Filipe, queixa-se, em mensagem que me enviou, de não ter sido feita na peça do PÚBLICO qualquer referência ao nome do blogue, ao respectivo link ou à sua própria identidade de autor do texto sobre a carreira 7, e ainda de não ter sido contactado pela jornalista. Afirma, nomeadamente: "O corpo do artigo não é mais do que um resumo da história do 7, conforme contada no meu blogue, contendo citações textuais sem indicação da fonte e várias expressões por mim usadas". E, apesar de anteriormente ter reconhecido não saber "se tecnicamente esta situação se considera plágio ou não", viria afinal a formular essa acusação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreve Luís Cruz-Filipe que a situação criada foi para si "extremamente desagradável", pois, conforme explica, "o texto com a história do 7 demorou-me várias horas a escrever, não contando com os vários anos de pesquisa para recolher todos os dados que nela refiro". O seu desagrado é compreensível, e não apenas pelo modo deficiente como o jornal citou o seu blogue. O autor de "História das Carreiras da Carris" queixa-se também do "silêncio" a que terão sido votadas várias comunicações enviadas ao jornal sobre este caso, que terão ficado sem resposta. O que é lamentável, embora possa também ser fruto de equívocos, a avaliar pelo caso de uma mensagem que diz ter-me endereçado a 27/1, e que de facto não recebi (o endereço electrónico do provedor do leitor é publicado diariamente no jornal impresso e é acessível junto de qualquer notícia na edição &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;; quando Luís Cruz-Filipe o utilizou, cerca de um mês depois, recebi a mensagem e respondi-lhe). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única explicação vinda do PÚBLICO chegou ao autor do blogue a 15/2. Nela, a jornalista que redigira o apontamento sobre a Avenida de Roma salientava que a referência "ao blogue que conta a História das Carreiras da Carris" constava do seu texto, mas reconhecia: "Lamentavelmente, o nome do blogue [na peça de 23/1] não está em caixa alta, esse sim um lapso da nossa parte, pelo qual devemos pedir-lhe as maiores desculpas". A explicação não satisfez o investigador da história dos autocarros lisboetas, para quem o modo como o blogue foi referido não permitiria a sua identificação, e por isso enviou a 21/2 nova mensagem ao jornal, solicitando a publicação, "no mesmo suplemento Cidades e na mesma rubrica", de uma nota que esclarecesse que o texto se baseava num artigo do seu blogue, cujo nome, título e endereço pedia que fossem indicados. Finalmente, a 26/2, surgiu na secção O PÚBLICO errou uma nota em que se reconhecia que, na peça de 23/1, "foi indevidamente grafado o nome de um blogue, que surge em caixas baixas em vez de maiúsculas" e se apresentavam desculpas "aos leitores e ao autor do blogue História das Carreiras da Carris". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que se tratou de uma correcção insuficiente, e que a pequena peça sobre a Avenida de Roma revela a existência de más práticas no recurso a sítios da Internet para a obtenção e divulgação de informações. Se no caso do blogue de Luís Cruz-Filipe a referência à origem de uma frase citada é feita no texto, embora de forma negligente e incorrecta, pior é o facto de a peça fechar com outra citação de uma frase entre aspas, que tem por única indicação de origem as palavras "comenta-se na Internet" — um tipo de expressão que deveria ser pura e simplesmente banido dos textos jornalísticos. A citação do excerto de um texto alheio, por pequeno que seja, deve ser sempre acompanhada da referência clara à sua origem ou autoria. Tratando-se de informações ou opiniões encontradas em sítios da Internet, a referência ao seu endereço deve ser vista como um serviço prestado aos leitores que desejem confirmá-las ou conhecer melhor o tema tratado. Sem descurar, ainda, a aferição da credibilidade das fontes utilizadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, considero desadequada e injusta a acusação de plágio. No plano da ética jornalística, que é o que para aqui importa, o plágio implica a ocultação deliberada da autoria alheia de um texto. Não foi isso que aconteceu. A jornalista Ana Gomes Ferreira citou entre as devidas aspas a frase que retirou do blogue sobre os autocarros lisboetas, tornando claro que esta não era da sua autoria, e identificou — é certo que de forma deficiente — a sua origem. Se a quisesse ocultar, não teria referido "o blogue que conta a história das carreiras da Carris", que qualquer busca na rede permite de imediato identificar como sendo o que tem por título "História das Carreiras da Carris" e por autor alguém que se identifica apenas como "Luís", e que aliás designa esse blogue, logo à entrada, como um "espaço de partilha de dados". Nem teria escrito, como escreveu, que a frase citada se encontrava "na página [do blogue] dedicada ao 7". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Cruz-Filipe diz que a peça da secção &lt;em&gt;Antes &amp;amp; Agora&lt;/em&gt; não é mais do que "um resumo" do seu artigo sobre a carreira 7. Mas não só o que nela se escreve sobre autocarros não é tudo, embora seja parte substancial, como é precedido da referência ao "blogue que conta a história das carreiras da Carris". E, ainda que a jornalista se tenha inspirado principalmente no seu texto (como parece decorrer da própria referência ao blogue), as poucas linhas em que refere um ou outro facto sobre os autocarros na Avenida de Roma não podem ser vistas como um resumo de um extenso artigo de cerca de 20.000 caracteres. Na ausência de utilização de quaisquer excertos, ou adaptações de excertos, do texto consultado, para além do que foi citado entre aspas, considero que a invocação de plágio, neste caso, não é só desproporcionada. É errada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não impede que se reconheçam como justificados os motivos de desagrado do responsável pelo blogue, que esperou demasiado tempo por uma explicação do PÚBLICO e tinha o direito a ver os seus créditos de estudioso da história dos autocarros de Lisboa salientados com maior nitidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #3333ff;"&gt;Documentação complementar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem de Luís Cruz-Filipe&lt;/strong&gt; (25/2) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Venho por este meio manifestar o meu prof&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;undo espanto pelo desprezo que o jornal Público tem apresentado no último mês face às minhas tentativas de contacto. No passado dia 23 de Janeiro, uma jornalista deste jornal plagiou um texto meu. Enviei no passado dia 27 de Janeiro, através do formulário de contacto no site, um e-mail ao Provedor do Leitor, que abaixo reproduzo, não tendo obtido até hoje qualquer resposta. Contactei o jornal directamente e obtive uma resposta praticamente ofensiva da jornalista em causa. Enviei uma queixa à Direcção do jornal, novamente através do formulário no site e novamente não obtive qualquer resposta. Finalmente, tentei novamente contactar o jornal através do e-mail geral (publico@publico.pt) para perguntar se por acaso haveria qualquer problema com o formulário - e mais uma vez não obtive qualquer resposta. Fico profundamente incomodado com o facto de o jornal não se importar minimamente com esta situação. (...) Venho insistir pela quinta vez, na esperança de que alguém dê sinais de vida. (...) O desprezo manifestado pelo jornal consegue ser mais ofensivo do que o próprio acto de plágio original.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;25 de Fevereiro de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;strong&gt;Luís Cruz-Filipe&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seguem-se transcrições da referida mensagem anterior de Luís Cruz-Filipe, que me terá sido enviada a 27 de Janeiro, mas que não recebi:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Foi publicado na edição (...) de 23 de Janeiro, no suplemento "Cidades", páginas 2 e 3, um artigo sobre a história da carreira 7 da Carris, como legenda de duas fotografias da Avenida de Roma. O início do texto fala brevemente sobre todos os blogs que por aí existem e que falam da Avenida de Roma, para se centrar num: o blog que conta a história das carreiras de autocarros, em particular da página sobre a carreira 7. Constatei com espanto ao ler a peça que o blog a que o texto se refere é da minha autoria, mas que não há qualquer referência nem ao título do blog ("História das Carreiras da Carris"), nem ao link (&lt;em&gt;http://historiaccfl.blogspot.com&lt;/em&gt;/), nem ao meu nome (que pode ser facilmente obtido a partir dos links no blog). Tão pouco fui contactado pelo autor do texto, embora o meu e-mail esteja indicado no blog. Acresce ainda que o corpo do artigo não é mais do que um resumo da história do 7, conforme contada no meu blog, contendo citações textuais sem indicação da fonte e várias expressões por mim usadas (como a do "período de decadência" da carreira). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Não sei se tecnicamente esta situação se considera plágio ou não, mas é para mim uma situação extremamente desagradável. O texto com a história do 7 demorou-me várias horas a escrever, não contando com os vários anos de pesquisa para recolher todos os dados que nela refiro (...). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;27 de Janeiro de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;Luís Cruz-Filipe&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem enviada a Luís Cruz-Filipe &lt;/strong&gt;(1/3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Analisei a sua reclamação e parece-me claro que o seu texto e o seu blogue foram citados de forma deficiente. Verifiquei que na edição do Público de 26 Fev. foi publicada uma nota (em "O Público errou", pág. 36) em que se reconhece, pelo menos em parte, o erro cometido e se apresentam as devidas desculpas. Não creio que se trate de um caso de plágio, que implicaria a ausência de citação do seu texto e a ocultação deliberada da fonte consultada. Penso que se terá tratado de um caso de negligência na apresentação da fonte (...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;1 de Março de 2011&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #666666; font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;J.Q.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem de Luís Cruz Filipe&lt;/strong&gt; (2/3) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Começo por agradecer mais uma vez pela prontidão da sua resposta. Infelizmente, considero a sua avaliação (citação deficiente) errada, conforme aliás penso ter deixado bem claro nos vários mails que enviei. A minha questão prende-se com o facto de o artigo ser essencialmente um resumo do meu texto com uma introdução e uma conclusão adicionadas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Se não, vejamos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;1) "Na imagem está a carreira 7, que foi muito importante para esta avenida." Admito que esta seja uma opinião generalizada, mas é notório que o título do meu texto seja "O autocarro da Avenida de Roma" e que na segunda frase se leia: "[...] é a altura de recordar a história do 7 -- aquele que, desde o início, foi por excelência o autocarro da Avenida de Roma." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;2) "A carreira 7 chegou a ser a mais importante da rede, ligando a Praça do Chile à Calçada de Carriche." O texto no meu blog começa precisamente: "Celebra-se hoje o 60º aniversário duma carreira que já foi das mais importantes da rede." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;3) O texto segue: "Arrancou em Fevereiro de 1950". O único sítio onde encontrei esta informação, excluindo o meu blog e o meu site, foi num documento que me foi fornecido pela Carris há perto de vinte anos e em consulta dos jornais da época. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;4) "A 'decadência' do 7 chegou com as estações de metro. Os autocarros ficaram cada vez mais espaçados." A última secção do texto no meu blog, com o título "A decadência", começa: "A fase descendente do 7 iniciou-se abruptamente com um acontecimento externo: a inauguração da estação de metropolitano do Campo Grande, a 2 de Abril de 1993. Num ápice, todo o funcionamento da carreira se alterou." Mais à frente, lê-se: "O resultado a nível de frequência foi brutal. Em termos de horário, a frequência de 10 minutos durante todo o dia (aos dias úteis) em 1992 passou para 11 minutos em 1993 e para 12 minutos em 1995. Em termos de reforço, as viagens extraordinárias praticamente desapareceram [...]" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;5) "No final de 2010 apregoava-se o fim do sexagenário 7." Mais uma vez, admito que esta informação esteja referida em mais locais, mas o meu blog começa precisamente: "Com o fim previsto para breve, é a altura de recordar a história do 7 [...]" Ou seja, a questão é muito mais do que negligência na apresentação da fonte. Mais de metade do artigo é simplesmente adaptação do meu texto (...) O artigo está escrito com base num trabalho de pesquisa que foi quase integralmente realizado por mim, sem que me tenha sido atribuído qualquer crédito pelo facto. (...) O facto de o Público ter "reconhecido" o erro na secção apropriada (não li a notícia no dia 26 de Fevereiro, nem ninguém ainda me disseque a tivesse lido) de pouco me vale. (...) A única atitude que considero adequada 
